Menu
2019-05-08T00:03:02+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Juros

Se a Selic não cai, pelo menos não sobe

Consenso é de manutenção do juro básico em 6,5% ao ano e isso é boa notícia para os seus investimentos

8 de maio de 2019
5:24 - atualizado às 0:03
Copom
Diretores do Banco Central (BC) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) - Imagem: Banco Central do Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) apresenta, ainda hoje, sua decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic, que está em 6,5% ao ano desde março do ano passado. O consenso de mercado sugere estabilidade. O que não deixa de ser boa notícia para os investimentos, notadamente, bolsa de valores, fundos imobiliários e títulos longos do Tesouro Direto.

Parte do mercado, no entanto, tem migrado para uma retomada do ciclo de corte, se baseando na argumentação do fraco desempenho da economia e em um ambiente externo, que apesar de instável, se mostra favorável a políticas monetárias mais expansionistas.

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, tem deixado claro, no entanto, que a missão do BC  é combater a inflação e não promover o crescimento econômico.

Postura reforçada por Campos Neto em sua última fala antes de entrar no período de silêncio que antecede as reuniões do Copom.

Campos Neto e o Copom também têm dito que o crescimento econômico é um trabalho do governo e da sociedade e que a redução de incertezas e aumento da confiança “são condições necessárias” à recuperação sustentável da economia.

O BC mantém projeção de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o mercado já trabalha com 1,49%, depois de dados decepcionantes neste começo de ano. Não está descartada uma variação negativa do PIB no primeiro trimestre.

Outro recado forte do presidente foi dizer que não é possível ter juro baixo e inflação baixa, com o lado fiscal desarrumado por muito tempo.

É aqui que entra a importância da agenda de reformas, notadamente a da Previdência, para dar garantia de que não voltaremos ao tempo de juros altos, com reflexo no endividamento do governo.

A reforma da Previdência é o primeiro passo no lado fiscal, que também passa por redução do tamanho do Estado, via privatizações, gastos com funcionalismo e outras políticas, como subsídios e renúncias tributárias.

É como se o BC dissesse que já fez sua parte, levando o juro ao mínimo condizente com inflação nas metas. Agora, a bola está com o Ministério da Economia e Congresso Nacional e outros entes com gerência sobre a política fiscal.

Inflação

As últimas leituras inflacionárias têm surpreendido para cima, captando preço de alimentos e combustíveis. O Copom já antevia esse aumento da inflação, mas acredita que esse será um fenômeno transitório, com pico entre abril e maio.

No entanto, um novo evento surgiu no cenário, a febre suína na China, que pode ter impacto sobre o preço do complexo carne, relegando inflação maior em 2019 e 2020, como discutimos com mais detalhes aqui.

Por se tratar de choque de oferta, o BC não reagiria de imediato, usando as bandas do regime de metas para acomodar a inflação maior. Alta de juros seria considerada, apenas, no caso dessa inflação de alimentos passar a se espraiar para outros preços da economia, os chamados efeitos de segunda ordem.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

No seu cenário de referência, com Selic a 6,5% e dólar a R$ 3,85, o IPCA projetado, em março, estava ao redor de 4,1% para 2019 e 4% em 2020.

Resultado condizente com as metas de 4,25% e 4%, respectivamente. Aguardemos, agora, a atualização dessa projeção, que certamente será feita com dólar mais alto.

No lado das expectativas, o Focus mostra IPCA de 4,04% no fim deste ano e de 4% em 2020. Para os próximos 12 meses, a inflação projetada é de 3,59%.

Considerando esse prognóstico de inflação em 12 meses e tirando o juro de mercado para o mesmo período, o swap de 360 dias, que está na casa dos 6,5%, temos um juro real de 2,8%, pouco acima dos 2,6% da reunião anterior.

É o juro real que importa em termos de política monetária e o BC tem reafirmado que a política está estimulativa, ou seja, juro real abaixo do considerado neutro ou estrutural.

Já tratamos, em outras ocasiões, sobre as discussões de que essa taxa neutra ou estrutural está em queda no Brasil, o que justificaria maior grau de estímulo por parte do BC. Mas esse tipo de discussão não apareceu, ainda, nos documentos oficiais da autoridade monetária.

Cenário externo

Segundo o BC, o cenário externo permanece desafiador com riscos distintos para as economias emergentes. De um lado, o BC pondera uma intensificação nos riscos relacionados à possível desaceleração da economia global.

Por outro, reduziram os riscos associados ao aperto das condições financeiras. Aqui, é possível fazer referência direta ao Federal Reserve (Fed), banco central americano, que vem reafirmando paciência na condução de sua política monetária e manutenção do juro no patamar atual. Postura que desagradou parte do mercado, que esperava retomada dos cortes, já que a inflação surpreendeu para baixo, mesmo com o crescimento nos EUA surpreendendo para cima.

Também em sua última fala, no fim de abril, Campos Neto colocou um “novo fator”: o risco de endividamento excessivo no setor não financeiro corporativo nos EUA e Europa.

Depois de anos de políticas de juros baixos e negativos, alguns BCs mostram preocupação com a capacidade de pagamento das empresas e famílias, ainda mais se confirmado um cenário de menor crescimento e aumento dos juros básicos.

Outro fator que voltou ao radar com maior intensidade é a guerra comercial entre China e Estados Unidos, já que o presidente Donald Trump e outros membros do governo afirmam que ainda nesta semana vão elevar as tarifas cobradas de produtos chineses.

Balanço de riscos

O Copom observa diversos fatores que podem influenciar o comportamento futuro da inflação, mas escolhe apresentar mais detidamente alguns deles no seu balanço de riscos, que traz os principais vetores que podem deixar a inflação acima ou abaixo da meta.

Por ora, o balanço de riscos é considerado simétrico, ou seja, os riscos de alta e baixa estão equilibrados.

De um lado: o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado.

Do outro lado: uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Risco que se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes.

Uma breve discussão sobre todos os pontos que listamos acima deve estar no comunicado apresentado após a decisão, onde o BC vem reafirmando que “julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, com menor grau de incerteza e livre dos efeitos dos diversos choques a que foi submetida no ano passado. O Copom considera que esta avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo”.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Disputa com Centauro

Magazine Luiza contra-ataca e eleva oferta pela Netshoes para US$ 93 milhões

A varejista decidiu elevar a oferta pelo site de produtos esportivos para US$ 3,00 por ação depois que a Centauro entrou na disputa com uma oferta hostil lançada na quinta-feira

Nas ruas do país

“Pergunta para o povo”, diz Bolsonaro, sobre manifestações

Perguntado sobre a quantidade de pessoas nas ruas, Bolsonaro declarou que as “imagens valem mais do que mil palavras”

Nas ruas do país

Atos pró-Bolsonaro chegam a 93 municípios de 25 Estados e DF

Em São Paulo, a manifestação a favor do governo ocorre na Avenida Paulista e os participantes estão distribuídos por sete quarteirões

Entrevista

“Reforma tem boa chance de passar. Talvez não no prazo ideal”, diz Pedro Parente

Ex-ministro e atual presidente da BRF, Parente vê com naturalidade a atual desarticulação entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso

Dia de manifestações

Bolsonaro posta no Twitter vídeos de atos pró-governo

A conta do presidente na rede social trouxe três vídeos de manifestantes nas cidades do Rio de Janeiro, em São Luís, no Maranhão, e em Juiz de Fora, no interior de Minas

Trabalho para os liberais

Kleber Bambam e o twitter de Bolsonaro: por que a economia não sai do paredão?

Para Adolfo Sachsida, secretário de política econômica do Ministério da Economia e fã do Big Brother Brasil, problema está no desajuste fiscal herdado das gestões petistas, e não nas polêmicas do Twitter

Das redes ao asfalto

Manifestações nas ruas testam apoio a Bolsonaro

Receio da equipe de Bolsonaro é de que, se não houver uma adesão de peso às manifestações, isso seja interpretado como um sinal de perda de popularidade

Armas

Novo decreto de Bolsonaro mantém brecha para compra de fuzis

Governo mudou texto para evitar venda de fuzis a civis, que fez as ações da Taurus dispararem na semana passada. Mas Procuradoria diz que novo decreto mantém essa possibilidade

Cannabusiness

O dia não tão distante em que os supermercados americanos venderão produtos feitos com planta de maconha

Todos querem sua fatia de uma indústria que deve ultrapassar os US$ 2 bilhões nos EUA até o próximo ano, uma vez que pesquisas vêm mostrando que os consumidores estão dispostos a pagar preços mais altos pelos produtos

Reduzindo os gargalos

Judiciário prepara pacote de medidas para acelerar recuperações judiciais

Em média, em São Paulo, são 567 dias (cerca de um ano e meio) entre a Justiça aceitar o pedido de recuperação de uma empresa e apreciar o plano de reestruturação

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements