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É CILADA?

Tesouro IPCA+ pagando 8% acima da inflação brilha os olhos? Não para a Legacy Capital. Entenda por que a gestora vai na contramão

Enquanto o mercado fica de olho nas taxas altas do Tesouro Direto, gestora prefere ficar de fora dos títulos indexados à inflação e recomenda o mesmo para a pessoa física

Imagem de moedas e uma calculadora com setas representando alta
Taxas altas - Imagem: iStock/Khanchit Khirisutchalual

O Tesouro IPCA+ tem feito os olhos dos investidores brilharem com juros reais acima de 8% ao ano. Nesta terça-feira (16), o título do Tesouro Direto atrelado à inflação com vencimento em 2032 está disponível a IPCA + 8,11%. Porém, enquanto boa parte do mercado enxerga a oportunidade de travar um retorno real “gordo” nesse tipo de investimento, a gestora Legacy Capital reage aos títulos públicos com pessimismo.

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O Tesouro IPCA+ voltou a oferecer prêmios altos nas últimas semanas. Os níveis de juro real acima de 8% já haviam sido oferecidos anteriormente no ano passado, durante os meses de setembro e outubro.

No entanto, na semana passada, o papel com vencimento em 2032 chegou a um pico de 8,36% acima da inflação devido aos ânimos mais negativos do mercado com o futuro da economia brasileira, e permanece nas alturas.

O patamar atual de juros reais chega a ser capaz de dobrar o patrimônio investido durante os seis anos de investimento, o que tem chamado a atenção dos investidores.

Mesmo com retorno que parecem atrativos, a Legacy Capital — gestora de crédito e multimercados com R$ 16 bilhões sob gestão — prefere ir na contramão.

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Em evento promovido pela Inter Asset nesta terça, Gustavo Pessoa, sócio fundador e responsável pela mesa de renda fixa da gestora, explica que as taxas oferecidas nos títulos do Tesouro IPCA+ podem ser uma armadilha de custo de oportunidade.

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Enquanto o mercado de varejo corre para travar essas taxas, a Legacy defende que o patamar de juros atual é "péssimo para as NTN-Bs” – jargão do mercado financeiro para se referir ao Tesouro IPCA+.

Por que o Tesouro Direto está pagando tanto?

À princípio, a oportunidade de receber mais de 8% ao ano acima da inflação até 2032 pode parecer atrativa, mas Pessoa destaca que é importante lembrar por que o prêmio chegou a esse patamar.

As taxas mais altas no Tesouro Direto não apareceram à toa.

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Por trás dos percentuais, há expectativas mais pessimistas sobre as condições econômicas do país.

Entre os fatores de preocupação estão persistência da inflação, aproximação da corrida eleitoral, conflitos geopolíticos no exterior e tarifas de exportação dos Estados Unidos, por exemplo.

Com esses riscos no radar, há uma deterioração da perspectiva do mercado sobre a taxa básica de juros.

A expectativa do gestor é de que, na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada nesta quarta (17), o Banco Central faça um corte de 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, e sinalize o fim do ciclo de queda dos juros.

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Na visão de Pessoa, a taxa Selic deve permanecer elevada por mais tempo principalmente pela trajetória inflacionária da economia.

Para ele, “o Banco Central parece mirar 3% de meta de inflação, enquanto a política fiscal está mirando 5%”, se referindo ao excesso de gastos públicos. Além disso, ele enxerga outros fatores que devem pressionar a inflação no médio prazo, como o fim da escala de trabalho 6x1.

Gestor defende que posição em Tesouro IPCA+ não compensa

De olho em um cenário mais negativo para o Brasil, a gestora prefere manter praticamente todo o portfólio alocado fora do país.

O responsável pela mesa de renda fixa não enxerga sinais de melhora na economia, ainda mais no contexto eleitoral atual, de chance de renovação do governo Lula.

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“Hoje, 80% dos nossos aportes de risco estão no exterior. Os 20% que ficam no Brasil são para alocações mais táticas de long and short na bolsa e negociação do real contra outras moedas”, explica.

Em relação ao Tesouro IPCA+, Pessoa comenta que a gestora não tem quase nenhuma exposição porque “o ambiente de juros altos é muito ruim para esses títulos”.

Para o especialista, comprar um título público que paga 8% acima da inflação pode parecer positivo isoladamente, mas se torna um investimento ruim se o juro real praticado pelo mercado for maior que isso.

Por exemplo, com a Selic estacionada por volta de 14% e inflação resiliente, de 5%, o juro real é de 9% ao ano.

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Ao comprar um título que trava a taxa de 8% ao ano acima da inflação, a performance deve ficar abaixo do CDI.

E a recomendação de não se expor aos títulos públicos indexados à inflação se estende ao investidor pessoa física.

O sócio fundador da Legacy diz que não faz sentido ter esse tipo de título em carteira agora, ainda mais os ativos com prazos de vencimentos maiores, que estão com taxas que não refletem os riscos reais do mercado, na visão do gestor.

Legacy prefere se posicionar no Brasil em momentos de tempestade

Para a Legacy, o Brasil está "zero confortável" para investimentos de longo prazo devido às incertezas macroeconômicas.

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Por isso, a gestora prefere atuar exclusivamente de forma tática no mercado brasileiro, montando posições apenas em momentos de tempestade para capturar lucros rápidos.

A estratégia da gestora tem sido se posicionar quando as taxas oferecidas pelos títulos públicos avançam e vender rapidamente quando a volatilidade diminui, com a retração dos prêmios.

Em relação a outras classes de ativos, a gestora também permanece pessimista para a bolsa brasileira.

Na visão de Pessoa, o patamar de juros está bastante punitivo para as empresas e, portanto, a Legacy prefere ficar de fora da renda variável doméstica.

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