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RENDA FIXA

Tesouro Direto: Tesouro IPCA+ está pagando 8,3% acima da inflação — oportunidade ou risco? Descubra se vale a pena travar esses juros agora

Com inflação pressionada e mercado mais pessimista com os juros, títulos públicos voltam a oferecer retornos recordes

Inflação IPCA Bolsa Ações
Imagem: iStock.com/Edson Souza

O Tesouro IPCA+ pagando 8% de juros acima da inflação parecia ter ficado no passado até pouco tempo atrás. Este foi um nível de juro real recorde oferecido pelos títulos do Tesouro Direto entre setembro e outubro de 2025 que durou pouco tempo — mas agora voltou ainda mais forte.

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Nesta terça-feira (9), o Tesouro IPCA+ 2032 está pagando 8,32% de juros acima da inflação, depois de atingir o pico de 8,36% ontem (8).

Títulos mais longos, que estavam na faixa dos 7% já um mês se aproximam dos 8% também. O Tesouro IPCA+ 2040 está oferecendo nesta terça 7,67% de juro real, enquanto o vencimento em 2050 já paga 7,36%.

Trata-se de uma taxa de retorno muito alta para um título de renda fixa que tem a maior garantia possível: pagamento pela União.

Os títulos do Tesouro Direto são títulos de dívida do governo federal — são os títulos soberanos, oferecidos em uma plataforma mais acessível e exclusiva para os investidores pessoas físicas.

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A taxa IPCA + 8% indica que esse título público paga a correção da inflação pelo período investido mais um prêmio de 8%, chamado de juro real.

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Se a inflação média ficar perto de 5% ao ano — cenário cada vez mais presente nas projeções do mercado — o retorno com esse investimento pode facilmente superar os 13% anuais durante vários anos seguidos.

Essa é uma taxa capaz de dobrar o patrimônio aplicado em cerca de sete anos.

Taxa alta não é de graça

Acontece que esses números não apareceram por acaso.

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Por trás dessa disparada nas taxas do Tesouro Direto está um mercado mais preocupado com as condições econômicas do país. A lista é grande: repique da inflação corrente e das projeções futuras, persistência da guerra no Irã, mais tarifas de exportação dos EUA e acirramento da disputa eleitoral.

Tudo isso mexe diretamente com as expectativas para os juros no Brasil.

Se no começo do ano a expectativa era de que a taxa Selic, taxa básica de juros, iria cair de 15% ao ano para 12%, essa projeção não existe mais. Atualmente se fala em manter os juros em 14% ao ano.

Isso muda toda a projeção de taxas nos diferentes vencimentos dos títulos do Tesouro Direto. Quando o investidor vê mais risco no horizonte, ele cobra mais caro para emprestar dinheiro ao governo.

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O Tesouro Prefixado, por exemplo, que é mais sensível as mudanças nas projeções de juros, em fevereiro oferecia 12,7% de juros ao ano, com vencimento em 2029. Agora, o mesmo título está pagando 14,89%, porque a projeção para os juros no futuro aumentou.

Na prática, isso significa um cenário dualista.

  • De um lado, as condições econômicas para o país pioraram e o mercado vê mais risco em investir nos títulos públicos.
  • Por outro lado, ainda é um título com garantia de pagamento pela União, com uma janela rara de oportunidade para quem consegue pensar no longo prazo.

Simulação do Tesouro Direto

O Seu Dinheiro simulou quanto renderia uma aplicação de R$ 10 mil nos títulos do Tesouro Direto com as taxas do dia 9 de junho, considerando uma inflação média de 5% ao ano e uma taxa Selic constante em 12% ao ano.

No Tesouro IPCA+ 2032, com taxa real de 8,32% ao ano, o ganho líquido no vencimento seria de R$ 10.111,55, já descontados imposto de renda e taxas administrativas.

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Na prática, os R$ 10 mil iniciais virariam R$ 20.111,55 líquidos.

A diferença fica ainda mais evidente em comparação com a Poupança. Nas mesmas condições de prazo, a caderneta entregaria cerca de R$ 15.473,56 — bem abaixo do retorno do Tesouro mesmo sem cobrança de imposto de renda (IR).

Fonte: site do Tesouro Direto

Os títulos mais longos ampliam ainda mais essa diferença.

O Tesouro IPCA+ 2040, por exemplo, paga menos juro real — cerca de 7,67% ao ano —, mas o prazo maior transforma o efeito dos juros compostos em uma verdadeira máquina de multiplicação de patrimônio.

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Na simulação, os mesmos R$ 10 mil poderiam virar aproximadamente R$ 48.539,22 líquidos após 15 anos, já descontado os impostos e taxas.

Riscos para avaliar

As taxas são atraentes. Mas existem questões que o investidor precisa avaliar antes de comprar o título público: a marcação a mercado.

Os preços e taxas do Tesouro Direto oscilam diariamente. Conforme o mercado financeiro muda suas projeções para os juros e a inflação no futuro, os valores dos títulos públicos mudam para corresponder às novas expectativas.

Na prática, isso significa que o investidor pode ver marcar na sua carteira de investimentos saldos negativos de retorno com os títulos públicos.

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Entretanto, esses valores (prejuízo ou valorização) só valem para a possibilidade de comprar ou vender os papéis do Tesouro Direto antes do vencimento.

E quanto maior o prazo de vencimento do título, maior essa volatilidade.

Acontece que, se a intenção for levar esse papel até o prazo final, a taxa contratada é paga integralmente, como se a oscilação nunca tivesse acontecido.

Ou seja, os 8,32% de juro real, mais a correção pela inflação do período investido, é totalmente pago pelo governo, mesmo que mudança no preço e na taxa tenham acontecido no meio do caminho.

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Alinhamento com o perfil do investidor

Diante disso, os analistas indicam duas coisas para quem está interessado nos títulos do Tesouro Direto.

A primeira avaliação é do prazo de investimento. É importante escolher um título alinhado aos objetivos da carteira, para não correr o risco de se ver numa situação de precisar vender antes do vencimento.

Dessa forma, se evita o risco de prejuízo com a marcação a mercado e garante o pagamento da taxa no prazo final.

O outro ponto é a tolerância à oscilação na carteira. Por mais que a taxa esteja garantida no vencimento, tem investidor que não consegue ver a marcação negativa na carteira. Se este é o seu caso, os papéis Tesouro IPCA+ ou Tesouro Prefixado não são para você.

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Opções de baixa ou nenhuma volatilidade, como o Tesouro Selic, são mais indicados.

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