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Fundos captaram R$ 15,5 bilhões no primeiro trimestre do ano e avançam em opções e diferentes estratégias

Que a renda fixa é o investimento preferido dos brasileiros todos sabem. Mas, recentemente, um produto que investe em renda fixa vem chamando a atenção dos investidores, com boa parte das vantagens dos títulos de dívida e melhorias. São os ETFs de renda fixa.
Esses fundos que replicam índices ganharam tração na B3 desde 2024 e passaram a concentrar boa parte do fluxo recente da indústria de fundos. Só no primeiro trimestre de 2026, esses produtos responderam por R$ 15,5 bilhões dos R$ 17,8 bilhões captados por toda a classe de ETFs.
As entradas líquidas entre janeiro e março representaram o melhor resultado para os ETFs nos últimos cinco anos.
O avanço ocorre em um ambiente de juros elevados, que favorece a renda fixa, combinado a um modelo mais simples e barato de investimento. Ao comprar a cota de um ETF, o investidor não está comprando um título de renda fixa, mas uma carteira diversificada de títulos que podem ter diferentes características.
Hoje já há ETFs atrelados à Selic, CDI, inflação, prefixados, títulos públicos e crédito privado — todos com liquidez diária na bolsa.
Se o interesse do investidor na renda fixa é pelos altos retornos neste momento — acima de 1% ao mês com a taxa Selic em 14,5% ao ano —, os ETFs não ficam para trás.
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Entre os destaques, o MARG11 (crédito privado) acumula cerca de 15% de retorno em 12 meses, enquanto ETFs como LFTS11 e LFTB11, atrelados ao Tesouro Selic, giram perto de 14% no período.
Confira os cinco maiores retornos dos ETFs de renda fixa:
| Código | Indexador | Retorno em 12M | Retorno em 2026 | Volume R$ Milhares em 2026 |
|---|---|---|---|---|
| MARG11 | Crédito privado | 15% | 4,7% | 80.645 |
| BDAP11 | Juros vs inflação (DAP) | 14,78% | 5,24% | 840 |
| LFTB11 | Tesouro Selic | 14,74% | 4,79% | 4.184.674 |
| LFTS11 | Tesouro Selic | 14,73% | 4,77% | 3.120.451 |
| DEBB11 | Crédito privado (CDI) | 13,89% | 4,31% | 371.904 |
Além disso, alguns produtos já movimentam bilhões de reais em volume.
É o caso do LFTB11, ETF de títulos públicos pós-fixados lançado em 2024, que já acumula mais de R$ 4 bilhões em negociações em 2026. Outro exemplo é o LFTS11, com volume de R$ 3 bilhões.
O avanço desses fundos não se explica só pelo momento de juros altos. Ele está ligado a mudanças estruturais na forma de investir — principalmente em três frentes: custo, tributação e acesso.
Os ETFs operam com taxas de administração reduzidas porque seguem índices e têm gestão passiva. Na prática, isso elimina boa parte das despesas típicas de fundos tradicionais.
Atualmente não é raro encontrar ETFs de renda fixa com taxa abaixo de 0,20% ao ano — e alguns têm taxa zerada. Isso os coloca em pé de igualdade, ou mesmo abaixo, do Tesouro Direto, que cobra cerca de 0,20% ao ano de custódia.
Em fundos tradicionais, por outro lado, taxas de administração acima de 0,5% ao ano ainda são comuns.
A questão tributária também é um aspecto vantajoso para esses fundos de índice. Os ETFs de renda fixa não tem come-cotas, aquele adiantamento semestral de imposto que reduz o efeito dos juros compostos nos fundos de renda fixa tradicionais.
Além disso, muitos já partem de uma alíquota de 15% de Imposto de Renda, independentemente do tempo de aplicação — ao contrário de produtos como o Tesouro Direto, que seguem a tabela regressiva e começam com 22,5% de IR e só atingem essa alíquota mínima após dois anos.
Outro ponto importante é o adiamento do imposto. Nos ETFs, os cupons pagos pelos títulos são reinvestidos automaticamente na cota. Com isso, o investidor só paga imposto na venda, mantendo o dinheiro trabalhando por mais tempo.
Uma última questão é a simplicidade do produto. Em vez de selecionar títulos individualmente — escolhendo prazo, indexador e emissor — o investidor compra uma carteira pronta, diversificada, de uma vez.
Além disso, o produto tem liquidez diária: pode ser comprado e vendido a qualquer momento, como uma ação. No caso dos títulos de renda fixa, muitos produtos têm carência, são travados até o vencimento ou ficam em desvantagem pela marcação de preço.
O valor de entrada é baixo — na faixa de R$ 100 — o que amplia o acesso e aproxima o investidor pessoa física de estratégias que, no passado, ficavam restritas a grandes patrimônios.
Apesar do crescimento recente, o espaço para expansão segue grande. A indústria de ETFs soma cerca de R$ 130 bilhões, enquanto a renda fixa brasileira movimenta algo próximo de R$ 10 trilhões.
A projeção é que os ETFs cheguem a R$ 1 trilhão até 2029, com a renda fixa puxando a maior parte desse crescimento, na faixa dos R$ 800 milhões.
*Com informações do Money Times.
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