Fundos de crédito perderam R$ 40 bilhões em 2026 — onde foi parar esse dinheiro?
Em pesquisa da Empiricus, gestores de crédito privado falam sobre o momento da indústria e para quais ativos acreditam estar perdendo recursos

Durante dois anos os fundos de crédito privado tiveram o melhor desempenho da indústria em termos de captação financeira e entrada de investidores. Mas esses dias acabaram. Em 2026, a indústria acumulou uma captação negativa, de R$ 40 bilhões.
Somente o mês de maio registrou um volume de resgates na ordem de R$ 25 bilhões, superando abril, até então o pior resultado do histórico da pesquisa Perspectiva de Crédito (com início em setembro de 2024), da Empiricus Research.
Essa saída dos investidores dos fundos de crédito começou em março, após os ativos performarem abaixo do índice de referência, o CDI. Na opinião dos gestores, para muitos investidores foi uma surpresa se deparar com um resultado abaixo do esperado — embora não necessariamente negativo.
Depois de tantos meses com resultados consistentemente positivos, os investidores estariam olhando para os fundos de crédito como ativos indexados ao CDI, similares a CDB, Tesouro Selic e afins.
No entanto, no momento que os títulos de crédito privado começaram a registrar oscilações de preço e taxa, com reflexo no retorno dos fundos, a diferença ficou evidente.
Do crédito privado para…
A grande questão é: para onde foi o dinheiro que estava no crédito privado?
Leia Também
A Empiricus questionou 20 gestoras, que somam R$ 1 trilhão em patrimônio sob gestão no crédito privado. As respostas foram coletadas entre os dias 01 e 08 de junho.
As respostas foram concentradas (88,2%) em ativos de alta liquidez e baixíssimo risco.
- 52,9% apontaram ativos de reserva de emergência (Tesouro Selic e fundos indexados ao CDI);
- 35,3% indicaram CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos.
Basicamente, os investidores buscaram ativos com as características que eles atribuíam aos fundos de crédito antes da volatilidade iniciada em março.
O relatório da Empiricus destaca que nenhum gestor apontou migração relevante para ativos como Tesouro IPCA+, crédito privado sem isenção de imposto de renda (IR), fundos listados de infraestrutura ou ativos de risco, como ações e multimercados.
“O resultado reforça que os resgates parecem refletir mais um movimento defensivo de busca por liquidez e redução de volatilidade do que uma rotação direta para outras classes de risco”, diz o texto.
- SAIBA MAIS: Retorno do crédito privado ainda não compensa o risco que o investidor está correndo, diz Sparta
O que acontece agora?
O primeiro ponto — e mais importante para os investidores — é a recuperação da performance dos fundos de crédito. Pelo menos 93% da indústria bateu o CDI em maio.
O sentimento dos gestores em relação ao risco e retorno com as debêntures, considerando o preço dos títulos e os fundamentos das empresas, melhorou ligeiramente em junho quando comparado com maio e abril.
A percepção sobre debêntures com ratings acima de AA- está acima de neutro, mais para o campo otimista. Já os papéis sem grau de investimento estão fora de cogitação.
Os gestores estão bastante conservadores em relação à posição de caixa, com um volume significativo de dinheiro em reserva. Na onda de resgates, essa posição de caixa foi providencial para muitas gestoras, que não precisaram de desfazer de um volume considerável de debêntures para pagar os investidores.
O caixa continua a ser prioridade, principalmente nas gestoras que precisam recompor essa reserva.
No mais, o entendimento é de que os prêmios de risco das debêntures incentivadas melhoraram um pouco (mas nem tanto), enquanto as debêntures tradicionais voltaram para o nível de taxa do começo do ano — pouco favorável.
Na prática, o momento não é o ideal para alocação. Os gestores seguem com títulos de vencimento mais curto e o carrego (retorno com os ativos da carteira, sem depender de oscilações de preço) abaixo da média histórica.
A nota positiva está no mercado secundário. Há uma expectativa de melhora no volume de negociações entre investidores, o que pode ajudar na normalização dos preços e na recomposição da demanda.
DIA DE SANGRIA
O Tesouro IPCA+ 8% está de volta: Tesouro Direto abre com altos retornos e tombo de mais de 20% nos títulos públicos
26 de outubro de 2026 - 13:19RENDA FIXA
Tesouro Direto permanece fechado após vitória de Lula por forte oscilação nos retornos; o que acontece agora?
26 de outubro de 2026 - 10:45RENDA FIXA
CRAs estão com os dias contados? Dinheiro do agronegócio está migrando para outros papéis isentos, mostram dados da Anbima
20 de outubro de 2026 - 18:31SD ENTREVISTA
Brasileiro é ‘viciado em CDI’, mas queda de juro pode fazer bem para a renda fixa, diz gestor de crédito que se antecipou à onda de resgates
20 de outubro de 2026 - 15:41RENDA PASSIVA EM DOBRO
Banco do Brasil lança ‘Cofrinho de Proventos’ para reinvestir dividendos de forma automática, mas tem um ponto de atenção
19 de outubro de 2026 - 17:02RENDA FIXA
Vale trocar um Tesouro IPCA+ por uma debênture da Sabesp? Títulos isentos passam a pagar mais que os públicos, mostra BTG
16 de outubro de 2026 - 17:33ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO
XP recomenda vender títulos do Tesouro Direto para comprar papéis isentos; veja as indicações na renda fixa
14 de outubro de 2026 - 18:32Conteúdo Empiricus
Tesouro IPCA+ entregou mais de 14% de valorização com resultado do 1º turno; confira as oportunidades na renda fixa para a segunda metade das eleições
14 de outubro de 2026 - 15:05SD EXPLICA
O que aconteceu com as LCIs e LCAs que pagavam de 95% a 100% do CDI? Entenda por que elas estão sumindo
13 de outubro de 2026 - 14:27RENDA FIXA
Tesouro Direto: o mercado queimou a largada? Confira a tese defensiva do Safra para os títulos públicos
8 de outubro de 2026 - 18:15RENDA FIXA
Tesouro Direto: Tesouro IPCA+ 8% não existe mais, e quem comprou já lucra até 25%; veja quanto os títulos pagam agora
7 de outubro de 2026 - 18:23CARTEIRA RECOMENDADA
Ainda tem renda fixa pagando IPCA+ 8% por aí: veja a escolha dos bancões para títulos isentos e Tesouro Direto
7 de outubro de 2026 - 16:02VISÃO DO GESTOR
A eleição já mudou a forma de investir? Gestora de fortunas aumenta aposta em Tesouro IPCA+, prefixados e ações
6 de outubro de 2026 - 18:29CRÉDITO PRIVADO
A correção das debêntures incentivadas acabou? Sparta vê risco de nova onda de resgates
6 de outubro de 2026 - 15:58RENDA FIXA
Tesouro Direto: preços disparam e taxas caem após primeiro turno, com ‘otimismo Flávio’; veja quanto o Tesouro IPCA+ oferece agora
5 de outubro de 2026 - 15:49RENDA FIXA
Nove em cada dez debêntures passaram a pagar mais: entenda quem perde e quem ganha com isso
2 de outubro de 2026 - 18:00SD ENTREVISTA
O ESG saiu da moda? Para a Régia Capital, ele ficou ainda mais fundamental na análise de crédito
2 de outubro de 2026 - 6:00VISÃO DO GESTOR
As LCIs e LCAs realmente ajudam a economia? Gestora diz que renúncia de R$ 50 bilhões beneficia mais os bancões do que as empresas
1 de outubro de 2026 - 13:31TAG SUMMIT
Os FIDCs chegaram ao investidor comum: mercado de R$ 1 trilhão quer disputar espaço na carteira de renda fixa
29 de setembro de 2026 - 17:32CRÉDITO PRIVADO