Renda fixa: confira as escolhas de bancos e corretoras para CRAs e debêntures no mês de junho
A carteira de crédito privado das instituições está mais seletiva e focada em setores e nomes específicos; veja quais

Entre títulos públicos do Tesouro Direto e crédito privado de empresas (debêntures e CRAs), há um consenso no mercado de renda fixa: os juros reais (prêmio acima da inflação) estão altos demais para serem ignorados.
Atualmente, o cenário é de retornos de 7% a 8% acima da inflação — um nível bastante alto para títulos com vencimentos longos.
Em suas carteiras de recomendação, Itaú BBA, XP Investimentos, BTG Pactual e BB Investimentos destacam especialmente as debêntures incentivadas de infraestrutura e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), ambos títulos com isenção de imposto de renda sobre os rendimentos.
Mas há um detalhe importante: o cenário é de seletividade.
Juros altos — Selic em 14,5% ao ano e juros reais de 8% — aumentam o nível de risco corporativo porque tornam as dívidas caras. Não é qualquer empresa que tem condições de pagar um juro desse para seu investidor.
Com isso, os analistas se mostram mais cautelosos ao separar as empresas boas de empresas problemáticas. E isso aparece em todos os relatórios.
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Em sua carta, o BB Investimentos reforça que prefere uma “estratégia conservadora, priorizando emissores de alta qualidade e fundamentos sólidos, com foco em setores com maior previsibilidade na geração de fluxo de caixa, como energia elétrica e saneamento, além da escolha de empresas bem estruturadas em outros segmentos.”
Os melhores setores para crédito privado
A preferência geral dos analistas é por empresas ligadas ao setor de infraestrutura. Energia (principalmente transmissão), concessões rodoviárias e saneamento concentram boa parte das recomendações das casas em junho.
Essa tem sido a tendência para crédito privado há alguns meses. No entanto, após os casos de recuperação judicial e extrajudicial nos últimos meses, que mexeu com os preços das debêntures e resultou em resgates por investidores, os analistas demonstram ainda mais cautela.
O foco deixou de ser encontrar títulos com melhores retornos e passou a ser identificar empresas capazes de sustentar geração de caixa previsível mesmo em um cenário adverso.
Diferentemente do começo do ano, a expectativa agora é de suspensão dos cortes de juros — mantendo a Selic na faixa de 14% ao ano — e aceleração da inflação. Este é um cenário ruim para as empresas, que sofrem com aumento de custo de juros e de produção, via inflação.
É justamente aí que entram os nomes ligados a serviços públicos e infraestrutura regulada.
Companhias como Equatorial, Neoenergia, Energisa, MetrôRio e Rialma têm contratos longos, receitas frequentemente reajustadas pela inflação e operações menos expostas às oscilações da economia.
Renda fixa do conservador ao arriscado
Os quatro relatórios mostram que há opções na renda fixa para quem está interessado em manter a alocação mais conservadora e quem está em busca de mais retorno aumentando o risco.
Como se trata de títulos de crédito privado, empresas grandes e muito consolidades têm riscos comparáveis aos dos soberanos dos títulos do Tesouro Direto. Porém, outras menores, de setores que enfrentam mais dificuldade por causa dos juros altos, são posições mais agressivas.
No lado mais conservador, BB Investimentos e XP concentraram suas recomendações em companhias de serviço público e infraestrutura regulada — setores considerados mais resilientes em um ambiente de juros altos.
Alguns nomes selecionados são Neoenergia, Equatorial e Klabin. Todas AAA na classificação de risco de agências de rating.
O BTG e o Itaú BBA têm recomendações mais diversas, com companhias que têm ratings menores, como Eldorado, 3tentos, Águas do Rio e Brasil Terrenos.
A grande questão é: embora debêntures e CRAs sejam títulos de renda fixa, são papéis de crédito privado, que embutem o risco da companhia emissora. Essas dívidas não têm garantia externa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e estão sujeitas a oscilação de preço.
- LEIA TAMBÉM: O Tesouro Reserva vai desbancar os CDBs? Comparamos os dois ativos para a reserva de emergência
É importante que o investidor tenha ciência de que mesmo o papel conservador não tem a garantia de pagamento e estabilidade que outros títulos de renda fixa têm, como os títulos do Tesouro Direto, CDBs e Letras de Crédito (LCI e LCA).
“Recomendamos uma exposição máxima na carteira total de 5% em um único emissor, e de 20% em crédito privado”, diz o relatório da XP.
CRAs e debêntures para carregar?
A recente preocupação com juros e inflação nos próximos meses mexeu com as taxas dos títulos de renda fixa. O Tesouro IPCA+ do Tesouro Direto voltou a pagar 8% acima da inflação. Os títulos prefixados estão oferecendo taxas acima de 14% ao ano.
Ambos são retornos muito altos para os títulos públicos. Não por acaso, em sua recomendação para junho a XP selecionou dois títulos públicos indexados à inflação:
- Tesouro IPCA + 2030, com retorno de IPCA + 7,39%; e
- Tesouro IPCA+ com Juros semestrais 2035, com taxa de IPCA + 7,09%.
Entretanto, como o retorno do crédito privado está atrelado ao do título público — de modo geral, as empresas pagam mais que o título público porque são mais arriscadas —, as taxas também estão altas.
O desafio é avaliar o risco e retorno de cada papel, considerando o seu prazo de investimento. Até porque, para quem conseguir permanecer investido até o vencimento, a taxa contratada hoje está bastante acima da média dos últimos anos e não ser difícil de encontrar no futuro.
Veja a carteira de renda fixa de cada instituição para junho:
Itaú BBA
| Título | Retorno | Vencimento | Rating local |
|---|---|---|---|
| DEB Águas do Rio (RISP24) | IPCA + 9,84% | 15/09/2042 | AA- |
| CRI Rede D’OR (23L1737623) | IPCA + 8,04% | 15/12/2038 | AAA |
| CRA Ipiranga (Ultrapar) (CRA02300EYX) | 13,79% | 16/06/2027 | AAA |
| CRI Brasil Terrenos (25H0243071) | 14,95% | 16/08/2032 | AA+ |
| CRA Neomille (CRA025008C1) | 15,06% | 15/12/2032 | AA |
| CRI Iguatemi (24F1126524) | 97% do CDI | 15/06/2032 | AAA |
| CRI Construtora Pacaembu (25L2398303) | 102% do CDI | 28/12/2032 | AAA |
| CRI Brasil Terrenos (25H0243072) | 104% do CDI | 16/08/2032 | AA+ |
Fonte: Itaú BBA.
XP Investimentos
| Ativo/Emissor | Retorno | Vencimento | Rating local/ Perspectiva |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2029 | Selic + 0,01% | 01/03/2029 | – |
| Tesouro IPCA + 2030 | IPCA + 7,39% | 15/08/2030 | – |
| Tesouro IPCA + 2035 com Juros Semestrais | IPCA + 7,09% | 15/05/2035 | – |
| CDB Banco C6 | 14,65% | 21/05/2030 | AA-/ Estável |
| CDB Banco Original | 105,5% do CDI | 21/05/2029 | BBB+/ Positiva |
| DEB Eletrobras/Axia (ELET14) | IPCA + 6,95% | 15/09/2031 | AAA/ Estável |
| DEB Coelba (CEEBD1)* | 13,15% | 15/11/2032 | AAA/ Estável |
| DEB Cemig (CMGDA4) | IPCA + 6,98% | 15/10/2037 | AAA/ Estável |
Título para investidor qualificado.
Fonte: XP Research.
BTG Pactual
| Título | Indexador | Vencimento | Rating Local |
|---|---|---|---|
| DEB Autopista Litoral Sul (PLSB1A) | IPCA + 9,70% | 15/10/2031 | AAA |
| DEB Brava Energia (RRRP13) | IPCA + 9,16% | 15/10/2033 | AA- |
| CRA Eldorado (CRA0250080X) | IPCA + 8,80% | 17/09/2035 | AA+ |
| CRA Eldorado (CRA0250080Y) | IPCA + 8,84% | 17/09/2040 | AA+ |
| DEB MetrôRio (MGPRA0) | IPCA + 8,67% | 15/03/2042 | AAA |
| DEB Energisa Paraíba (SAELB7)* | NC | 15/10/2040 | AA+ |
| DEB Rialma (RALM11) | IPCA + 8,52% | 15/12/2046 | AAA |
| CRA 3tentos (CRA025008N8) | 104% do CDI | 15/10/2030 | AA |
| CRA SLC Agrícola (CRA025007PT) | CDI + 0,85% | 22/09/2033 | AA |
NC: não consta no portal.
Retorno verificado no aplicativo do BTG em 08/06/2026.
Fonte: BTG Pactual.
BB Investimentos
| Título | Vencimento | Rating local |
|---|---|---|
| DEB Celpe (CEPEB7) | 15/08/2040 | AAA |
| DEB Equatorial Maranhão (EQMAA2) | 15/09/2036 | AAA |
| DEB Equatorial Goiás (CGOSB0) | 15/08/2037 | AA+ |
| DEB Klabin (KLBNA5) | 15/08/2039 | brAAA |
| DEB MRS (MRSAC2) | 15/09/2039 | brAAA |
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