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RENDA FIXA

Retorno do crédito privado ainda não compensa o risco que o investidor está correndo, diz Sparta

A sequência de retornos abaixo do CDI e oscilações mais intensas deixou claro que o produto carrega riscos que o investidor de renda fixa não esperava

Ulisses Nehmi, sócio da Sparta
Ulisses Nehmi, sócio e CEO da Sparta - Imagem: Divulgação

Depois de um longo período de retornos previsíveis e baixa volatilidade, os investidores dos fundos de debêntures incentivadas se depararam com oscilações mais fortes, retorno abaixo do CDI e, em alguns casos, perdas temporárias no valor das cotas.

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Para a Sparta, gestora especializada em crédito privado, com mais de R$ 23 bilhões sob gestão, esse cenário expôs um desalinhamento entre o que parte dos investidores acreditava estar comprando e o risco que esses fundos realmente carregam.

Segundo a gestora, muitos investidores passaram a tratar os fundos incentivados como equivalentes a aplicações pós-fixadas de baixa volatilidade, como CDBs ou o Tesouro Selic, por exemplo.

No entanto, no momento que o cenário mudou e as debêntures — incentivadas, com isenção de IR, ou tradicionais — começaram a registrar oscilações de preço, os riscos ficaram evidentes.

Crédito não é CDI isento de IR

A Sparta chama atenção para o que considera mais relevante neste momento. Mesmo depois do aumento recente nas taxas das debêntures, a remuneração dos fundos incentivados ainda não parece suficiente para compensar a volatilidade que o investidor passou a experimentar.

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Os títulos de renda fixa privados pagam um prêmio acima dos títulos públicos — chamado de spread — justamente porque são mais arriscados. Quando o mercado percebe mais risco, esse prêmio deveria subir.

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O problema, segundo a gestora, é que os prêmios não aumentaram o suficiente para compensar os riscos.

As oscilações de preços mais intensas, que aconteceram recentemente, e a taxa deixaram claro que este produto carrega:

  1. risco de spread (aumento e queda de taxa);
  2. risco de fluxo (entrada e saída de investidores); e
  3. sensibilidade a movimentos técnicos do mercado (aumento ou queda nas expectativas de juros).

“A estabilização dos spreads reduz a pressão de curto prazo, mas não resolve a questão central: se o retorno esperado remunera adequadamente a volatilidade que essas estratégias passaram a entregar”, diz a carta.

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A discussão deixou de ser apenas financeira. A gestora também questiona se esses fundos entregam aquilo que boa parte dos investidores imaginava estar comprando.

Quem compra os fundos incentivados agora?

O fluxo para os fundos incentivados é outro ponto de atenção agora.

Na visão da gestora, o mercado de debêntures, incentivadas e tradicionais, viveu nos últimos anos uma forte sustentação vinda da entrada constante de novos recursos. Agora, essa dinâmica começa a mudar.

Mais do que os resgates (saída de investidores) — que somaram R$ 14 bilhões em maio —, o que chamou atenção da Sparta foi a queda da captação dos fundos de debêntures incentivadas.

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Em outras palavras: o problema não é apenas quem está saindo, mas quem não está entrando.

“O problema não é apenas saber se os resgates continuarão. É saber se volta a existir comprador suficiente para sustentar a classe sem o fluxo que marcou boa parte do ciclo anterior”, diz a carta.

Para a gestora, quando um produto deixa de entregar aquilo que o investidor imaginava receber, a reavaliação costuma acontecer aos poucos — mas pode mudar estruturalmente o comportamento da demanda.

Onde a Sparta ainda vê oportunidade

A gestora está mais cautelosa com os fundos incentivados que buscam entregar retorno próximo do CDI, mas não vê um problema generalizado no crédito privado.

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A grande questão é entender os riscos que as debêntures carregam e se expor somente se tiver tolerância a esse nível de oscilação. Embora seja um título de renda fixa, não é um investimento livre de riscos e volatilidade.

A preferência da Sparta neste momento está em estratégias indexadas à inflação e prefixadas.

O motivo é que, nesses casos, o retorno depende mais do nível elevado dos juros reais (que subtraem a inflação da Selic) e nominais do que de um novo fechamento dos spreads de crédito.

A mensagem da Sparta não é que as debêntures incentivadas deixaram de ser atrativas. Esses fundos podem continuar fazendo sentido dentro da carteira de renda fixa — mas não devem ser tratados como uma versão turbinada e isenta do CDI.

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