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A Raízen sugeriu três opções de pagamento para os credores, com uma proposta base que prevê nova emissão de dívida e distribuição de ações

A Raízen (RAIZ4) colocou sua proposta de reestruturação de dívida na mesa. Com isso, o investidor em títulos da empresa de açúcar e etanol precisa ficar atento aos próximos passos.
A empresa fará assembleias com os representantes de papéis como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e debêntures, que também terão reuniões para definir os planos, datas e descontos que serão aceitos nos pagamentos.
Seu Dinheiro reuniu quais serão as próximas reuniões, quais decisões devem ser tomadas e traz uma simulação de como ficarão os pagamentos segundo as propostas apresentadas pela companhia. Confira abaixo.
O projeto prevê três opções de pagamento aos investidores e uma reestruturação dos negócios em duas novas entidades: uma frente de combustíveis (Raízen Combustíveis) e outra de etanol, açúcar e bioenergia (Raízen Energia).
No dia 27 de maio, a empresa apresentou um plano atualizado que se encaminha para ser a base do texto final. Ela precisa de uma solução para os R$ 65,4 bilhões em dívidas que abarcam o plano de recuperação extrajudicial.
Desse total, R$ 12,12 bilhões são créditos de debêntures e CRAs que, em sua maior parte, estão nas mãos de pessoas físicas.
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Este plano precisa da aprovação da maioria simples (acima de 50%) dos credores sujeitos aos créditos — bondholders (41,7%), bancos e assets (39,7%) e investidores de CRAs e debêntures (18,6%) — para ser executado.
A assembleia da Raízen para ratificação do plano está marcada para 8 junho de 2026. Entretanto, os investidores de CRAs e debêntures devem se atentar às agendas de assembleias dos representantes de cada classe de ativo antes da geral.
Nessas assembleias por classe os investidores decidem como os representantes devem se posicionar na assembleia geral. É uma decisão interna importante para direcionar a votação final na reunião da Raízen.
O texto divulgado pela Raízen é uma proposta para refinanciamento, não é o documento final. Para vigorar, o plano precisa da aprovação da maioria simples dos credores na reunião de 8 de junho.
Antes disso, porém, os representantes de investidores de CRAs e debêntures devem realizar suas próprias assembleias para decisões internas.
A Opea Securitizadora está representando os investidores dos CRAs da Raízen. A empresa fez uma convocação de assembleia online para 3 de junho. O objetivo é votar os aspectos gerais da proposta de reestruturação da Raízen.
Quem não votar não perde o direito aos pagamentos dos títulos de dívida.
No entanto, é importante destacar que as deliberações nas assembleias determinam a decisão para todos os titulares de CRAs e debêntures, inclusive os que não compareceram e os que votaram contra. Isso vale para todas as emissões.
Por isso, mesmo quem não puder participar das assembleias deve acompanhar o resultado e as etapas seguintes do processo.
No caso das debêntures, as assembleias online estão sendo convocadas pela distribuidora Pentágono e as datas estão mais dispersas.
| Ativo | Emissão | Data da assembleia | Volume de emissão |
|---|---|---|---|
| Debênture | RAIZ12 | 22/06/2026 | 16h | R$ 1,08 bilhão |
| Debênture | RAIZ13/23 | 22/06/2026 | 16h | R$ 1,65 bilhão |
| Debênture | RAIZ14 | 22/06/2026 | 16h | R$ 870 milhões |
| Debênture | RESA14 | 11/06/2026 | 15h | R$ 1,29 bilhão |
| Debênture | RESA15 | 11/06/2026 | 15h | R$ 240 milhões |
| Debênture | RESA17/27 | 12/06/2026 | 15h | R$ 1,50 bilhão |
| CRA | CRA022008NB/ND | 03/06/2026 | 16h | R$ 2,42 bilhões |
| CRA | CRA020001P7/8 | 03/06/2026 | 14h | R$ 1,54 bilhão |
| CRA | CRA02300JR5/6/7 | 03/06/2026 | 18h | R$ 1,09 bilhão |
| CRA | CRA019000GT | 03/06/2026 | 08h30 | R$ 910 milhões |
| CRA | CRA019003V2/3 | 03/06/2026 | 11h30 | R$ 1,39 bilhão |
O investidor deve procurar as representantes, Opea ou Pentágono, para entender como participar e votar, e receber o link da reunião.
Outro detalhe importante é que essas assembleias são para aprovar ou não o plano de reestruturação da Raízen. A escolha de pagamento entre os planos A, B ou C será em uma etapa posterior, após a homologação da proposta geral pelo juiz.
O que está em jogo é a forma de refinanciamento das dívidas da Raízen. Em outras palavras: como a companhia irá pagar os credores no futuro.
A Raízen propôs três opções diferentes para os investidores. A proposta base prevê que 45% do valor da dívida seja convertido em ações, e os 55% restantes serão transformados em novos títulos de dívida, com vencimentos mais longos.
Na prática, isso significa que o credor deixa de ser apenas financiador e passa a ser também acionista.
Os novos títulos de dívida serão emitidos pelas duas empresas que surgirão com a reestruturação, da seguinte forma:
A distribuição de ações prevê que o valor que o investidor tem a receber será convertido em units — uma combinação de ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) — da Raízen S/A, no valor de R$ 0,25 por ação. Outro detalhe é que as ações terão um período de 12 meses de trava para venda (lock up).
As dívidas de cada companhia (Raízen Combustíveis e Raízen Energia) serão independentes entre si, sem cláusulas de garantia cruzada ou fiança.
A Opea simulou alguns cenários sobre como ficariam esses valores para os investidores.
Considerando um valor de R$ 1.000 em CRAs:
No caso de detentores de debêntures incentivadas (RESA17/27, RESA14, RESA15 e RAIZ13/23), assim como os CRAs, os valores também devem ficar em Raízen Energia e serem convertidos em 17,6% do valor da dívida.
Já as emissões RAIZ12 e RAIZ14, de debêntures tradicionais, toda a parte da dívida deve se manter em debêntures tradicionais, mas com os percentuais cabíveis a cada empresa, entre Combustíveis e Energia.
Outro ponto importante é o alongamento no prazo de vencimento da dívida, com juros diferentes e mais flexibilidade para a Raízen cumprir seus compromissos.
Os detalhes de taxas e vencimentos dos novos títulos vão depender dos papéis atuais que os credores têm (veja na imagem abaixo).
Há ainda um ponto crucial: nos três primeiros anos, a empresa poderá optar por não pagar juros em caixa, capitalizando esse valor na própria dívida, com um acréscimo de 2 pontos percentuais na taxa. Para a Raízen, isso significa fôlego no fluxo de caixa. Para o credor, significa aceitar receber depois — e assumir mais risco.

Além da opção base, a empresa ofereceu dois caminhos alternativos.
A opção B é a mais agressiva. Nela, o credor aceita um desconto de 80% sobre o valor da dívida em troca de um único pagamento no futuro, em março de 2047 — ou seja, 20 anos de prazo.
Já a alternativa C tem como foco os pequenos credores. Pelos cálculos da Opea, é a opção ideal para investidores com crédito até R$ 13 mil.
Essa opção prevê pagamento imediato em dinheiro, limitado ao menor valor entre 75% do crédito ou R$ 9.750. A Raízen não estabeleceu uma data para o pagamento, mas seria após a homologação e início da reestruturação da empresa.
Considerando o desconto de 75% do valor da dívida, créditos de até R$ 13 mil saem na vantagem. Veja simulações:
| Valor do crédito | Saldo a receber | Desconto |
|---|---|---|
| R$ 1.000 | R$ 750 | 75% |
| R$ 5.000 | R$ 3.750 | 75% |
| R$ 10.000 | R$ 7.500 | 75% |
| R$ 13.000 | R$ 9.750 | 75% |
| R$ 15.000 | R$ 11.250 | fora da regra |
A opção vale para créditos dos CRAs e das debêntures. Os credores que aceitarem a opção C formalizarão a quitação total de débitos com a Raízen.
A companhia estabeleceu um teto global de R$ 150 milhões para esses pagamentos. Se a demanda exceder o capital reservado, a alocação é progressiva, começando pelos menores créditos.
Como mencionado, as primeiras assembleias serão para aceitar ou não o plano geral de recuperação extrajudicial da Raízen (leia mais detalhes do plano aqui).
A escolha dos planos de pagamento só acontecerá após a homologação da proposta geral pelo juiz — considerando a hipótese de o texto passar pela maioria simples dos credores.
Após a homologação, os investidores terão que se reunir em uma nova assembleia de suas respectivas emissões de CRA e debêntures para aprovar as opções de pagamento.
Os investidores que não participarem das assembleias terão de aceitar a decisão que sair da reunião, e receberão o pagamento de seus créditos na forma que for aprovada.
Caso aprovado pelos credores e homologado pelo juíz, a proposta de reestruturação apresentada pela Raízen será implementada em etapas. A emissão dos novos títulos e das ações está prevista, neste momento, para até 31 de março de 2027.
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