Tesouro Direto: cupons do Tesouro IPCA+ caíram na conta; veja 4 ativos para reinvestir em busca de mais renda
O pagamento de juros dos títulos públicos são uma oportunidade de acumular mais capital e garantir crescimento do patrimônio financeiro

Na última sexta-feira (15), investidores do Tesouro Direto com títulos Tesouro IPCA+ que pagam juros semestrais ficaram com a conta mais gordinha. Afinal, 15 de maio é o dia de pagamento de cupom dos títulos públicos atrelados à inflação.
Cupons são pagamentos periódicos de juros feitos por títulos de renda fixa. É o caso dos papéis do Tesouro Direto com juros semestrais, como o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado.
Para muita gente, esse dinheiro vira lucro líquido e entra na conta como saldo livre para consumo. Mas essa não é a melhor decisão do ponto de vista de crescimento patrimonial, segundo analistas.
Em relatório, o time da Empiricus afirma que a renda dos cupons não deve ser vista como saldo livre, mas sim como “motor de crescimento do patrimônio”.
- LEIA TAMBÉM: O Tesouro Reserva chegou: como funciona o novo título do Tesouro Direto para reserva de emergência
O reinvestimento de juros e dividendos periódicos cria o famoso “efeito bola de neve” dos juros compostos. Na prática: os juros reinvestidos se somam ao montante aplicado, que aumenta e gera mais juros… que são reinvestidos e se somam ao montante total ad infinitum…
Em outras palavras, o reinvestimento aumenta gradualmente a participação do investidor nos ativos financeiros, gerando mais juros e dividendos no futuro.
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O que está em jogo no reinvestimento dos cupons
Os cupons do Tesouro IPCA+ funcionam como uma “antecipação” de pagamento dos juros do título. Em vez de receber tudo no vencimento, o investidor recebe uma parcela a cada seis meses.
Sem o reinvestimento, a carteira geral do investidor depende apenas dos novos aportes para aumentar.
Segundo a Empiricus, o reinvestimento não precisa ser necessariamente no mesmo ativo financeiro.
Ou seja, você não precisa reaplicar em novo título Tesouro IPCA+. O investidor pode optar por outro título de renda fixa — ou até mesmo outro ativo financeiro.
“Durante a etapa de acumulação patrimonial, reinvestir dividendos [e/ou cupons] tende a ser uma das decisões mais impactantes que o investidor pode tomar”, afirma o relatório.
4 opções para os cupons do Tesouro Direto
No relatório, a Empiricus sugere quatro alternativas de investimento para quem quer reaplicar os juros recebidos — cada uma com uma função diferente dentro da carteira.
- Renda fixa: debênture incentivada (EQPA18)
Trata-se de um título de renda fixa, mas de crédito privado. Isso significa que esse título é mais arriscado do que um título público, já que o seu risco depende da capacidade de pagamento da empresa emissora. No caso da indicação da Empiricus, a Equatorial Pará.
Como uma das principais empresas de distribuição de energia do país, a debênture da Equatorial é considerada de alta qualidade. O papel também tem como atrativo a isenção de imposto de renda para seus rendimentos.
No dia 15 de maio, a rentabilidade oferecida era de IPCA + 7,69%, com rating AAA.
- Fundo de infraestrutura: Kinea Infra (KDIF11)
Aqui a recomendação é semelhante à anterior, mas expandindo para uma cesta de debêntures por meio de um fundo de infraestrutura.
O FI-Infra da Kinea também tem isenção de IR, nos rendimentos e na venda de cotas, mas com a vantagem de investir em dezenas de debêntures (o que diminui o risco de exposição e calote) e pagar dividendos mensalmente.
A taxa de retorno anual estimada era de IPCA+ 8,5% ao ano em maio.
- Fundo imobiliário: Kinea Securities (KNSC11)
Nesta opção, o investidor também tem a possibilidade de receber dividendos mensais, mas com exposição a outro setor: o imobiliário. Este fundo imobiliário é de recebíveis, o que significa que os gestores investem em títulos de renda fixa do setor.
Segundo a Empiricus, o portfólio está concentrado em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), com uma boa diversificação em retornos atrelados ao CDI (juros) e ao IPCA (inflação).
Aqui, o investidor tem isenção de IR nos rendimentos, mas com cobrança de imposto de 20% no caso de lucro com a valorização da cota.
Em maio, o retorno anual estava estimado em IPCA + 8,1% ou CDI + 3,2%.
- Ação: Itaú Unibanco (ITUB4)
Esta é a opção mais diferenciada da seleção da Empiricus, por estar completamente fora do universo da renda fixa. Entretanto, a escolha da ação do Itaú está atrelada ao seu histórico consistente de pagamento de dividendos.
“Para uma carteira de renda, a ação ITUB4 adiciona recorrência de lucros e um histórico de distribuição de proventos”, afirmam os analistas em relatório.
Quando o Tesouro Direto pagará cupons de novo?
Os títulos públicos Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado têm opções com pagamentos de cupons a cada seis meses.
A data de pagamento varia de acordo com o título: os títulos do Tesouro Prefixado com juros semestrais sempre pagam juros em 1º de janeiro e 1º de julho.
Já os papéis Tesouro IPCA+ com juros semestrais dependem do ano de vencimento.
Títulos que vencem em anos pares pagam cupons em 15 de fevereiro e 15 de agosto, enquanto os que vencem em anos ímpares executam os pagamentos em 15 de maio e 15 de novembro.
Ou seja, na última sexta-feira, os títulos do Tesouro Direto que pagaram cupons aos investidores foram os Tesouro IPCA+ com juros semestrais de vencimento em 2035, 2045 e 2055.
- As próximas levas estão previstas para: Tesouro Prefixado em julho e Tesouro IPCA+ de vencimento par em agosto.
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