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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

CRÉDITO PRIVADO

Fundos de crédito de volta ao topo? Itaú BBA espera normalização das taxas e do retorno da renda fixa privada em abril

Com as debêntures novamente pagando pelo risco de crédito, analistas veem oportunidade de entrada nos fundos que investem nesse tipo de título

Monique Lima
Monique Lima
24 de abril de 2026
12:50 - atualizado às 12:15
Ilustração utilizada em matéria sobre alta dos fundos multimercado, mostra homem de negócios surfando num vetor para cima
Analistas esperam volta do retorno positivo nos fundos de crédito. Imagem: snegok13/ iStock

O pior momento dos fundos de crédito que investem em debêntures parece ter passado. Em abril, o retorno desses fundos voltou para o campo positivo, o que indica alguma normalização dos ativos, segundo o Itaú BBA.

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O principal termômetro das debêntures incentivadas (que têm isenção de imposto de renda), o índice IDA-Infraestrutura, acumulava desempenho positivo em abril de 0,58%.

Pode parecer um detalhe, já que é uma valorização pequena comparada a outros meses, mas não é.

Em um mercado fortemente sensível às mudanças nos preços e nas taxas das debêntures, o retorno é o gatilho que atrai — ou afasta — o investidor.

Retorno ruim gera resgate, que foi exatamente o que aconteceu em março. Já um retorno positivo ajuda a estancar a saída de recursos e muda o humor — que é o que os analistas do BBA esperam para abril.

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O que estava dando errado nos fundos de crédito

Para entender por que o desempenho de abril importa tanto, é preciso olhar para trás.

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O estresse nos fundos de crédito ganhou força em março, após uma combinação de fatores.

  1. Teve o aumento nas taxas dos títulos públicos, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, que faz as taxas dos títulos privados subirem também;
  2. Eventos de crédito em nomes específicos de empresas brasileiras, como Raízen e GPA; e
  3. Uma sequência de rebaixamentos de ratings na esteira dos eventos de crédito e revisão da avaliação de risco.

O resultado foi um mês negativo para os fundos, especialmente os de debêntures incentivadas. E esse desempenho ruim, depois de tantos meses de estabilidade e bons retornos, acionou um mecanismo conhecido no mercado financeiro: o loop de resgates.

Funciona assim: com retorno negativo, investidores pedem resgate. Para honrar esses pedidos, os gestores precisam vender títulos para outros investidores no mercado secundário. Como a quantidade de investidores dispostos a comprar é limitada, essas vendas acontecem com desconto no preço dos títulos, piorando o retorno dos fundos. Então o desempenho continua negativo e gera mais pedidos de resgate.

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O problema é que esse ciclo se retroalimenta.

O ponto-chave, segundo o relatório do BBA é que esse movimento foi de fluxo, não de fundamento.

O aumento de taxas com consequente queda de preços aconteceu de forma generalizada, sem grande distinção entre emissores, setores ou ratings — um sinal clássico de venda forçada pelo mau humor dos investidores e pedidos de resgates.

A volta ao topo

Essa dinâmica começou a melhorar em abril, segundo o BBA, por dois motivos principais.

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O primeiro é matemático: com o ajuste nos preços e taxas das debêntures e um ambiente externo menos tenso, os retornos mensais dos fundos melhoraram.

O IDA-Geral, índice que acompanha um conjunto de debêntures, entre incentivadas e tradicionais, acumulava retorno positivo de 0,59% em abril até o dia 20.

Já o IDA-IPCA Infraestrutura, que acompanha apenas as debêntures incentivadas, acumula alta de 0,58% no mesmo período.

Com isso, o incentivo para novos pedidos de resgate diminui.

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Os analistas do BBA destacam que há pedidos já protocolados que podem virar pressão vendedora nas próximas semanas, por conta dos prazos de resgate dos fundos, que costumam ser mais longos. Mas essa oferta é finita.

Uma vez digeridos esses resgates, a tendência é o loop perder força.

Apetite dos institucionais

O segundo fator — e talvez o mais relevante para a tese construtiva dos fundos — vem do lado da demanda.

Fundos de debêntures incentivadas operam sob regras rígidas de enquadramento. Pela regulação, precisam manter pelo menos 67% do patrimônio em ativos elegíveis, percentual que sobe para 85% ao longo do tempo.

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De acordo com o BBA, uma parcela relevante desses fundos de infraestrutura ainda está defasada em suas alocações.

Isso significa que, independentemente do ruído de curto prazo, esses fundos precisam comprar títulos para cumprir as regras. Ou seja, parte da demanda não é tática nem oportunista — é regulatória, e deve ser cumprida.

Com as taxas das debêntures mais altas depois da abertura de março, esse apetite dos fundos e dos gestores tende a se manifestar com mais força assim que a pressão vendedora ceder.

O relatório do BBA chama a atenção para esse ponto ao mostrar que os fundos menos alocados em debêntures de infraestrutura têm espaço relevante para absorver oferta, ajudar a estabilizar os preços e os retornos.

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O que esperar dos fundos de crédito daqui para a frente

A leitura do Itaú BBA é que o mercado de crédito local entrou em abril em um ponto de inflexão: o estresse de março foi intenso, mas concentrado, e as condições que o alimentaram tendem a se dissipar.

Isso não elimina os riscos, claro. Os analistas destacam três pontos que seguem no radar:

  • A velocidade dos resgates já solicitados, que ainda podem gerar ruído no curto prazo;
  • Os ajustes nos ratings, para avaliar se a onda de rebaixamentos foi pontual ou estrutural; e
  • O comportamento das taxas dos títulos públicos, que são o parâmetro para as debêntures e extremamente sensíveis ao noticiário externo.

Ainda assim, com o retorno voltando ao azul e as taxas de volta a patamares que não se viam desde 2024 e 2025, o BBA vê o crédito privado de volta ao campo das oportunidades.

Não por ausência de risco, mas porque o preço dos títulos voltou a pagar por esse risco.

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