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RENDA FIXA

O dragão está à espreita? Confira três investimentos para se proteger da aceleração da inflação

Guerra no Irã fez a inflação disparar mundo afora, tornando os títulos de renda fixa indexados ao IPCA a preferência de analista

Nota de 100 reais ao fundo, com faixa rasgada no centro destacando a palavra “INFLAÇÃO” em amarelo.
Repique de inflação ao redor do mundo requer mais cautela nos investimentos. Imagem: ChatGPT via Copilot

A inflação voltou ao centro do debate. Não apenas no Brasil, mas no mundo. O conflito no Irã mexeu com os preços do petróleo e seus derivados a tal ponto que, mesmo com um acordo de paz, a normalização da cadeia não seria tão rápida.

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Índices de preços de diferentes países têm registrado o repique da inflação globalmente.

Nos Estados Unidos, o índice de preços PCE, a métrica preferida do Federal Reserve para a inflação, subiu para 3,8% nos 12 meses até abril — o maior valor mensal desde maio de 2023. O indicador atingiu 3,5% em março, mas, antes disso, se manteve abaixo de 3% por dois anos.

A meta de inflação norte-americana é de 2% ao ano. O banco central dos EUA fez três cortes de juros no ano passado, diante de uma tendência de estabilização do PCE abaixo de 3%.

No começo do ano havia a expectativa de mais afrouxamento em 2026. No entanto, agora, agentes de mercado já esperam pelo menos um aumento, de 25 pontos-base, até dezembro. Isso colocaria a taxa de juros por lá de volta ao nível de 3,75% a 4%.

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Europa está um passo à frente

Na Europa, o assunto está ainda mais quente. Os países da região são dependentes de gás para energia elétrica. O conflito no Irã limitou as entregas e fez disparar o preço da commodity.

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Por lá, o índice de preços CPI disparou de 1,9% para 2,6% em março — a maior taxa desde agosto de 2024. E desde então, só aumentou. O CPI de abril subiu para 3% e o dado preliminar de maio mostrou mais um avanço, para 3,2%.

A expectativa dos agentes financeiros é que o Banco Central Europeu (BCE) volte a subir os juros, em 25 pontos-base. Se não neste mês, pelo menos no próximo. Se acontecer, será o primeiro aumento em quase três anos.

Desde setembro de 2023, quando o BCE elevou os juros para 4,5%, as intervenções da autoridade monetária europeia têm sido para manter ou diminuir as taxas na zona do euro

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Os juros estão em 2% desde junho de 2025. O mercado precifica uma elevação para 2,5% até outubro — com dois aumentos de 25 pontos-base.

Inflação no Brasil

Por aqui, o cenário é parecido com o do exterior, mas com características específicas.

Enquanto nos Estados Unidos e na Europa a inflação dos meses anteriores à guerra estava mais estabilizada, no Brasil, o índice de preços IPCA vinha em uma tendência de desaceleração — ou seja, ainda não tinha atingido o platô de baixa.

Ao longo de 2025, o IPCA de 12 meses oscilou na faixa dos 5%, e só caiu para o nível de 4% depois de outubro.

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Em fevereiro deste ano, fechou em 3,8%, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

No entanto, em março — assim como nos EUA e na Europa —, o repique veio. O IPCA subiu para 4,14%, depois para 4,39% em abril, e, em maio, a prévia aponta para uma aceleração a 4,64%.

Economistas já esperam que o índice de preços feche o ano acima de 5%, segundo o relatório Focus do Banco Central. Algumas corretoras de investimento são mais pessimistas, e já estimam o IPCA acima de 5,5% no ano.

O remédio dos juros

Lá fora, a arma dos bancos centrais contra esse repique de inflação é aumentar os juros. Porém, o BC do Brasil está um pouco mais limitado nesse sentido.

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Tanto o Fed quanto o BCE pararam de subir as taxas em 2023. Durante meses eles deixaram os juros estáveis, até que começaram a cortar em meados de 2024 e 2025.

No Brasil, o caminho foi muito diferente. O BC estava subindo a Selic até junho do ano passado. E começou a cortar somente em março deste ano. O que os agentes financeiros locais debatem é a continuidade dos cortes ou uma pausa por tempo indeterminado.

Para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês, a expectativa é de mais um corte, de 25 pontos-base, que levará a Selic a 14,25% ao ano. No entanto, também se espera uma sinalização de pausa para os meses seguintes.

Por que a inflação ao redor do mundo importa?

É importante entender que o repique de inflação não está concentrado no Brasil por dois motivos.

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Primeiro, por causa da importação de inflação. Quando o aumento dos preços é um fenômeno global, fica mais difícil de controlar porque os países repassam de um para o outro por meio das importações.

Por exemplo, o frete para trazer produtos da China encareceu, e os empresários chineses colocaram isso nos preços. Ao importar esses produtos, o Brasil também está importando inflação, que a população local irá sentir na hora de comprar esses bens.

Normalizar esse ciclo leva tempo, e depende de os outros países também conseguirem controlar.

O segundo ponto é o aumento dos juros. Se os Estados Unidos e a Europa subirem suas taxas básicas, o Banco Central do Brasil ficará mais limitado em relação ao nível de corte que poderá fazer na Selic.

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Como emergente, faz parte da estratégia de política monetária do Brasil manter um juro competitivo frente aos países desenvolvidos para atrair investidores estrangeiros.

E como ficam os investimentos?

Enquanto os bancos centrais ao redor do mundo trabalham para conter a inflação e fazem cálculos sobre os juros, resta aos investidores saberem onde alocar seus recursos para não sair no prejuízo.

A analista de renda fixa da Empiricus, Laís Costa, afirma em relatório que os títulos indexados à inflação são a melhor escolha neste momento.

Além de proteger contra a deterioração do poder de compra, porque corrige a inflação do período investido, esses títulos também estão pagando um juro (prêmio extra) real bastante alto.

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Um Tesouro IPCA + 2032 oferecendo IPCA + 7,94% de juro implica em um retorno da correção da inflação até 2032, mais um adicional de quase 8% de juro ao ano. Se a inflação média do período for 5%, trata-se de um retorno de quase 13% ao ano por seis anos (78% no total).

Para um investimento em renda fixa, isso não é um retorno trivial.

No entanto, a recomendação da analista não é de títulos públicos, mas de emissões bancárias privadas:

1. CDB IPCA+ do Agibank

O título oferece uma taxa de IPCA + 8,4% ao ano, com vencimento em junho de 2028.

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O retorno é maior do que o do título público porque é a emissão de uma instituição financeiro, com mais risco do que o governo federal. O Agibank tem um rating AA- pela Fitch — não é uma avaliação ruim, mas implica algum risco.

A aplicação mínima é de R$ 1 mil, para o público em geral, com resgate no vencimento.

Por se tratar de um CDB, tem a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para alocações até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira.

Além disso, o título tem incidência de imposto de renda, segundo a tabela regressiva. Aplicações até seis meses pagam 22,5% de imposto de renda (IR), e diminuem regressivamente para 15% se chegar a dois anos.

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2. LCA IPCA+ do Banco ABC

O retorno da LCA do Banco ABC é de IPCA + 6,68% ao ano. À primeira vista pode parecer um retorno pequeno perto do título público e do CDB do Agibank, entretanto, LCAs têm o rendimento isento de imposto de renda.

Fazendo o ajuste para uma taxa tributada (gross-up), o retorno equivalente seria na faixa de IPCA + 8,18%.

O Banco ABC tem um rating AAA pelo Moody’s Local, a maior avaliação possível.

A aplicação mínima na LCA é de R$ 1 mil, aberta para o público em geral, e com resgate no vencimento do título. O título também é coberto pelo FGC, nos mesmos termos e condições do CDB.

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3. ETF PACG11 – BTG Teva IMA-B

Por fim, a última recomendação de Costa é um fundo de índice (ETF) do BTG Pactual que aplica em títulos públicos indexados à inflação (Tesouro IPCA+) com diferentes vencimentos.

Nos últimos 12 meses, o retorno do ETF foi de IPCA + 7%, com a tributação de 15% de IR fixa — diferentemente dos títulos de renda fixa, os ETFs, em sua maioria, tem a alíquota única de 15% de imposto.

O PACG11 tem uma taxa de administra de 0,19%, mas não tem incidência de come cotas (tributação anual antecipada, comum aos fundos de renda fixa).

A alocação mínima é de R$ 115, preço de uma cota. O resgate pode ser feito a qualquer momento, porque o fundo negocia em bolsa.

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O retorno depende da valorização da cota negociada e dos pagamentos de cupons de valorização de preços dos títulos IPCA+ comprados pelo fundo. É uma dinâmica um pouco diferente do título de renda fixa, você pode entender melhor aqui.

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