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Veja quais as semelhanças e diferenças dos CDBs, incluindo aqueles que permitem resgate 24 horas, para o novo título público do Tesouro Direto

Recentemente, o Tesouro Direto lançou o Tesouro Reserva, um novo título público voltado especificamente para a reserva de emergência. Parecido com o Tesouro Selic, o papel traz uma novidade importante para o mundo financeiro: a premissa de funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana.
Até então, os títulos públicos — incluindo o Tesouro Selic — estavam restritos a horários de funcionamento bastante rigorosos, limitados aos dias úteis do turno comercial.
Acontece que uma reserva de emergência que só pode ser resgatada de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h (horário de Brasília), pode não ser acessível para o que se propõe: ser a cobertura financeira para imprevistos.
Embora o Tesouro Nacional esteja inovando com o seu Tesouro Reserva, os primeiros investimentos que surgiram com a promessa de serem “24/7” vieram de instituições privadas — mais especificamente, dos bancos digitais.
Hoje em dia é possível encontrar Cofrinhos, Caixinhas e CDBs (Certificados de Depósito Bancário) de diferentes instituições financeiras que atendem essa função.
Mas quais as semelhanças e diferenças entre esses produtos e o Tesouro Reserva? E o novo título público tem o potencial de substituir os produtos privados?
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O Tesouro Reserva conta com três características fundamentais para uma reserva de emergência hoje: rentabilidade superior à da caderneta de poupança (mesmo com a cobrança de imposto de renda); liquidez diária (de verdade, por 24h); e segurança.
Como todo título público, o Tesouro Reserva tem garantia do governo federal, a melhor que pode ser oferecida em qualquer investimento. Assim, seu risco de crédito é baixíssimo, tratando-se do investimento mais seguro da economia brasileira.
Além disso, ele remunera 100% da taxa Selic e, diferentemente do seu primo, Tesouro Selic, não tem marcação a mercado.
Isso significa que não há qualquer volatilidade entre o momento da aplicação e o do vencimento ou resgate. Independentemente do prazo de aplicação, o investidor recebe 100% da taxa básica de juros.
Os custos envolvem a taxa de custódia do Tesouro Direto, hoje em 0,20% ao ano, mas aplicações até R$ 10 mil ficam isentas dessa cobrança, como já ocorre com o Tesouro Selic.
Resgates anteriores a 30 dias ficam sujeitos à cobrança de IOF, e os rendimentos são tributados conforme a tabela regressiva do imposto de renda, cujas alíquotas variam de 22,5%, para prazos inferiores a 180 dias, a 15%, para prazos superiores a dois anos.
Um ponto que pesa negativamente sobre o Tesouro Reserva neste momento é a sua distribuição exclusivamente pelo Banco do Brasil.
Ou seja, apenas quem operar no Tesouro Direto pela plataforma do BB conseguirá comprar o novo título. No entanto, o Tesouro Nacional pretende liberar a opção para outros bancos no futuro.
No momento que o título público estiver disponível em mais instituições financeiras, a expectativa de muitos agentes financeiros é que a condição “24/7” deixe de ser exceção e se torne a regra para mais investimentos, não apenas o Tesouro Reserva e alguns CDBs, Caixinhas e Cofrinhos.
Já os CDBs, embora também sejam títulos de renda fixa, são títulos privados, emitidos por instituições financeiras.
Enquanto no Tesouro Reserva o investidor empresta dinheiro para o governo, no CDB ele empresta dinheiro para o banco, em troca de juros.
Ou seja, o investidor fica exposto ao risco do próprio banco emissor. No entanto, os CDBs contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no valor de até R$ 250 mil por CPF/CNPJ, por instituição financeira.
Nesse sentido, principalmente no caso de emissores de porte médio, é fundamental que a reserva de emergência alocada em CDBs não ultrapasse esse teto.
Só no caso de bancos grandes e tradicionais é que o investidor não tem tanto com que se preocupar nesse sentido.
Os CDBs que costumam ser usados para reserva de emergência — sejam eles 24 horas ou não — são aqueles atrelados ao CDI, taxa de juros que se aproxima da Selic, mas costuma ficar um pouco abaixo da taxa básica.
O ideal, hoje em dia, é que esses títulos paguem ao menos 100% do CDI para serem vantajosos para a reserva de emergência e superarem o rendimento da poupança, que é o que normalmente ocorre com os CDBs 24 horas e aqueles que não são 24 horas, mas têm liquidez diária.
CDBs não têm taxa de administração nem custódia, mas também sofrem a cobrança de IOF para resgates com menos de 30 dias, além do imposto de renda regressivo, com alíquotas entre 22,5% e 15%.
Como você pôde ver, em termos de custos, o Tesouro Reserva e os CDBs se assemelham bastante.
Para aplicações até R$ 10 mil, nenhum dos dois tem taxa de custódia, e a tributação é rigorosamente a mesma. Apenas para valores maiores que R$ 10 mil é que o custo do Tesouro Reserva começa a pesar mais.
Em matéria de liquidez, o novo produto do Tesouro se aproxima dos CDBs de bancos que também permitem aplicações e resgates 24/7.
É preciso lembrar, porém, que a rentabilidade só incide nos dias úteis. Finais de semana e feriados não têm rendimento, assim como ocorre com outros ativos de renda fixa indexados à Selic e ao CDI.
Assim, se o investidor solicitar um resgate no domingo, por exemplo, a rentabilidade será calculada somente até a sexta-feira anterior. Isso é importante pela renda acumulada que a pessoa irá receber e para o cálculo do IR.
Finalmente, outra característica em comum desses dois tipos de ativos é o aporte inicial baixíssimo, de apenas R$ 1.
Mesmo um título público acessível como o Tesouro Selic tem hoje uma aplicação mínima de 1% do valor do papel, o que corresponde atualmente a cerca de R$ 180.
Em termos de risco de calote, o Tesouro Reserva é mais vantajoso que os CDBs 24 horas, uma vez que a garantia é do governo, e não do FGC, que é limitada.
Outra vantagem do Tesouro Reserva em relação aos CDBs 24h é o fato de que ele rende 100% da Selic, o que em geral representa um retorno maior que 100% do CDI.
A diferença é pequena, coisa de 0,10 ponto percentual — atualmente a Selic é de 14,50% ao ano, enquanto o CDI é de 14,40% —, mas pode fazer diferença no longo prazo.
No entanto, como veremos adiante, alguns CDBs 24h oferecem retornos superiores a 100% do CDI, mesmo que o valor aplicado seja baixo ou o prazo de investimento seja curto, minimizando essa diferença.
O que realmente pesa sobre o Tesouro Reserva neste momento é a sua distribuição exclusivamente pelo Banco do Brasil.
Já os CDBs 24h estão disponíveis em algumas instituições financeiras, como Nubank, Itaú Unibanco, PicPay e Mercado Pago.
Também existem aqueles CDBs que não são 24h, mas oferecem opções de aplicação e resgate todos os dias em horário estendido, inclusive nos fins de semana e feriados, como os do Inter e do PagBank.
Segundo levantamento do Seu Dinheiro feito em maio de 2026, algumas instituições financeiras que oferecem CDBs 24 horas ou caixinhas/cofrinhos com características semelhantes podem separá-los por categorias e remunerar mais para quem mantiver o dinheiro investido por determinados prazos.
O Itaú é o único que não faz isso, oferecendo 100% do CDI para qualquer cliente, prazo ou valor de aplicação.
Esmiuçamos a seguir algumas dessas especificidades, mas é preciso manter em mente que as instituições financeiras têm mudado as regras com certa frequência, então é importante ler as condições e confirmar antes de decidir onde investir.
O Nubank, por exemplo, oferece a reserva de emergência 24h no formato de Caixinhas, que vêm na opção “simples” e na “turbo”. Ambas permitem aplicações e resgates a qualquer momento e aplicam o dinheiro em Recibos de Depósito Bancário (RDB), títulos de renda fixa muito similares aos CDBs.
A Caixinha simples rende 100% do CDI, enquanto a turbo pode chegar a 104% do CDI se o valor aplicado ficar bloqueado por um período determinado pelo próprio cliente. Hoje, elas podem ser trancadas por prazos de seis meses a dois anos.
Para quem é cliente Ultravioleta (segmento de alta renda), há ainda as Caixinhas Turbo Ultravioleta, onde a rentabilidade pode chegar a 120% do CDI. Entretanto, para esse retorno maior, há um limite máximo de aplicação de R$ 10 mil. Os valores excedentes são convertidos a uma aplicação de 100% do CDI.
Já os CDBs 24h do Mercado Pago e do PicPay oferecem retornos maiores. No Mercado Pago, a rentabilidade é de 101% do CDI para o público geral e 102% do CDI para os clientes Meli+ ou os que movimentam a partir de R$ 1.000 mensais na conta digital.
No PicPay, o CDB 24h rende 102% do CDI para o público geral e 115% do CDI quando o dinheiro ficar aplicado por mais de três meses, mas neste caso, apenas para os clientes que já têm outras aplicações financeiras na plataforma. Em ambos os casos, porém, a aplicação mínima é de R$ 100.
Existe ainda a opção do Cofrinho, que também é 24h e aplica o dinheiro em CDBs, mas que aceita aplicações a partir de R$ 1. Nesse caso, o retorno é de 102% do CDI para o público geral, mas aumenta quanto maior for o relacionamento do cliente com o banco:
Há também o Cofrinho Turbinado para clientes premium, que rende 121% do CDI com limite de até R$ 10 mil investidos.
Os CDBs do Inter e do PagBank batem na trave no quesito do resgate 24h, pois oferecem horário estendido de negociação e possibilitam aplicações e resgates mesmo em fins de semana e feriados.
No CDB de liquidez diária do Inter, o dinheiro só cai na conta no mesmo dia caso o pedido de resgate seja feito entre 3h e 21h55. Solicitações fora desse horário são atendidas apenas no dia seguinte.
O retorno padrão é de 100% do CDI, mas pode chegar a 102% do CDI para aplicações acima de R$ 1 milhão (o que, no entanto, desenquadra o investimento da proteção do FGC).
O Inter também oferece um produto chamado Porquinho Dia a Dia, mas sua rentabilidade é bem menor que o padrão dos ativos citados nesta matéria, de apenas 80% do CDI.
No PagBank, por sua vez, o resgate é imediato apenas se solicitado entre 6h e 21 horas. Resgates solicitados das 21h às 6h são agendados para o próximo dia útil, a partir das 6 horas. O rendimento é de 100% do CDI.
Vale frisar, porém, que a possibilidade de resgatar um investimento em qualquer dia e horário, incluindo fins de semana, feriados e madrugadas, pode aumentar o risco de golpes ou fraudes, uma vez que, fora do horário comercial, é mais difícil obter ajuda contra esses crimes.
No entanto, algumas instituições financeiras já dispõem de mecanismos de proteção para esses casos, como a possibilidade de desabilitar resgates pelo app no celular ou limitar os valores desses saques. Vale a pena se informar sobre isso antes de colocar a reserva de emergência num produto 24 horas.
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