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2019-10-16T11:52:18+00:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Guia de ações

Como investir em ações: um guia completo para você dar os primeiros passos na bolsa de valores

Tudo que você precisa saber para começar a investir na bolsa, do mais básico até alguns conteúdos mais avançados

16 de outubro de 2019
5:30 - atualizado às 11:52
bolsa com cotações de ações
Ao comprar ações de uma empresa, você se torna sócio dela e ganha o direito de receber uma parcela dos lucros. Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Depois da caderneta de poupança, as ações são os investimentos mais conhecidos pelos brasileiros que sabem o mínimo sobre o assunto. Mesmo assim, são os ativos nos quais as pessoas físicas menos investem, junto com as moedas estrangeiras.

Os dados são da edição de 2019 do “Raio-X do Investidor Brasileiro”, levantamento divulgado anualmente pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

A poupança é a vencedora disparado, seguida de longe por previdência privada, renda fixa e fundos. É claro que o investimento em ações é percebido como arriscado, e de fato tem um nível de risco maior que as aplicações mais populares e tradicionais de renda fixa.

Mas há também muito desconhecimento acerca desse tipo de investimento, entendido pela maioria das pessoas como algo inatingível, restrito a quem tem muito dinheiro e do qual apenas os grandes “tubarões” - investidores de grande porte - podem se beneficiar.

Pelo tipo de pergunta que já recebemos de leitores aqui no Seu Dinheiro ou já ouvimos de parentes e amigos, apesar de já terem ouvido falar de ações, muita gente não sabe sequer o que são ações e outros conceitos básicos relacionados a esse tipo de ativo.

Pensando nisso, nós preparamos uma série de reportagens com todo o beabá (e alguns conteúdos nem tão beabá) sobre como investir em ações, que eu resumo a seguir, com todos os links para os textos completos.

Se você quiser ter este guia sobre como investir em ações, com ainda mais informações e em formato pdf, baixe agora o nosso e-book "O GPS da bolsa"! Você poderá ler com calma e consultar sempre que precisar.

Tópicos que serão abordados a seguir:

  • O que são ações
  • Mercado de bolsa vs. mercado de balcão
  • Ações ordinárias e ações preferenciais
  • Vantagens do investimento em ações
  • Principais riscos do investimento em ações
  • A bolsa de valores
  • O Índice Bovespa (Ibovespa)
  • Outros índices da B3
  • Como investir em ações: 3 formatos
  • O investimento em ações é só para quem tem muito dinheiro?
  • Primeiros passos: por onde começar
  • Os riscos de investir em corretoras de valores independentes
  • Quanto custa investir em ações
  • O que leva uma empresa a abrir o capital na bolsa e ofertar ações
  • Os níveis de governança corporativa das empresas de capital aberto
  • Como ocorre o processo de negociação de uma ação
  • As estratégias para investir na bolsa
  • Análise técnica e análise fundamentalista
  • Imposto de Renda: acertando as contas com o Leão

O que são ações

Uma ação é a menor parcela do capital social das companhias ou sociedades anônimas. Em outras palavras, ações são títulos que representam pedacinhos da empresa que os emitiu.

Seus detentores são chamados de acionistas. Eles são sócios da empresa emissora e, como tais, têm todos os direitos e deveres de qualquer outro sócio, conforme a quantidade de ações que cada um possui.

Todas as companhias ou sociedades anônimas têm seu capital dividido em ações. Mas apenas aquelas que buscam um registro de companhia aberta junto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e atendem a certos critérios podem ter ações negociadas em bolsa de valores ou mercado de balcão.

A CVM é uma autarquia ligada ao Ministério da Economia que tem o objetivo de fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil. É uma espécie de “xerife” do mercado de capitais.

Quando falamos de investimento em ações, estamos nos referindo, portanto, à compra de ações de companhias abertas em bolsa ou mercado de balcão. Nesse caso, qualquer pessoa, física ou jurídica, tem acesso ao investimento.

A compra de ações de companhias fechadas também é possível, mas exige uma negociação direta com os sócios da empresa, num processo pouco acessível a pessoas físicas.

Para uma pessoa física comprar ações em companhias abertas, porém, basta ter CPF e abrir conta numa corretora de valores, que é um tipo de instituição financeira com permissão para intermediar esse tipo de operação.

Ao fazer isso, qualquer investidor pode se tornar sócio de algumas das grandes companhias abertas brasileiras, como Petrobras, Vale, Ambev e Itaú.

Mercado de bolsa vs. mercado de balcão

Ações de companhias abertas podem ser negociadas em bolsa de valores ou em mercado de balcão organizado.

Ambos os mercados exigem que a companhia tenha registro na CVM, pague certas taxas e atenda a regras de transparência.

A diferença é que o mercado de balcão é mais flexível, tem menos exigências e custos para a empresa, mas é um pouco mais arriscado para o investidor que o segmento de bolsa.

As ações negociadas no mercado de balcão geralmente são de empresas de menor porte e menos liquidez que as ações negociadas em bolsa.

Mas ambos os ambientes são organizados e contam com sistemas eletrônicos de negociação e registro de ordens de compra e venda, bem como mecanismos de autorregulamentação.

No Brasil, há apenas uma empresa que realiza atividades de negociação de ações em mercado de balcão e bolsa de valores, a B3, antiga BM&FBovespa.

Ações ordinárias e ações preferenciais

As ações podem ser ordinárias (ON) ou preferenciais (PN). Algumas companhias negociam apenas um tipo de ação, enquanto outras negociam os dois.

As ações ON têm seu código marcado pelo número três. É o caso dos papéis da Ambev, cujo ticker de negociação é ABEV3. Já as ações PN são marcadas pelo número 4, como acontece com os papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4).

As ações ordinárias são aquelas que, por Lei, conferem direito a voto nas assembleias de acionistas ao seu detentor. Além disso, elas dão direito ao chamado tag along, um mecanismo de proteção aos minoritários no caso de mudança no controle da companhia.

Caso o controlador da empresa receba uma oferta para vender as suas ações ordinárias, o comprador interessado fica obrigado a estender a oferta a todos os minoritários detentores de ações ON, garantindo um preço mínimo por ação equivalente a 80% do valor por ação pago ao controlador.

Já as ações preferenciais não têm direito a voto ou sofrem algum tipo de restrição em relação a esse direito.

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Como compensação, os detentores de ações PN podem ter prioridade no recebimento de dividendos, no reembolso de capital investido em caso de quebra da companhia ou as duas coisas.

A prioridade no recebimento de dividendos pode consistir, por exemplo, no direito de receber um dividendo um pouco maior que os detentores de ações ordinárias. Além disso, é possível que a companhia estenda às ações preferenciais o direito ao tag along.

Ações preferenciais podem, ainda, ser separadas em classes, designadas como PNA e PNB, que podem conferir direitos diferentes aos seus detentores. Um exemplo são as ações da Braskem (BRKM5) e da Eletrobrás (ELET6) que fazem parte do índice Bovespa (Ibovespa).

Há ainda empresas que negociam units, que são definidas como “pacotes de valores mobiliários negociados como uma única ação”. Em geral, as units combinam ações ordinárias e preferenciais. Por exemplo, uma ação ON e duas PN em cada unit.

Santander e Taesa são exemplos de empresas que negociam units, cujos códigos de negociação são SANB11 e TAEE11.

Vídeo: Quais as diferenças entre ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN)?

Vantagens do investimento em ações

Quem investe em ações pode ganhar dinheiro basicamente de duas formas: pelo recebimento de dividendos e outros proventos, que são os rendimentos distribuídos pelas empresas aos seus acionistas; ou pela valorização do papel no mercado.

O investimento em ações é uma aposta em um negócio real, e visa a capturar o crescimento e o desempenho das empresas ao longo do tempo.

É uma maneira de o investidor se expor a determinados mercados, lucrar com o bom desempenho de um ou outro setor e surfar a onda de ciclos econômicos.

O potencial de ganho no mercado de ações é muito grande. Não é como nas aplicações de renda fixa que a rentabilidade é restringida pelo nível da taxa básica de juros.

Contudo, há também o risco de perdas nominais no capital investido. Afinal, o mundo dos negócios está repleto de riscos, e as empresas podem passar por altos e baixos.

Da mesma forma que um negócio pode se sair muito bem, gerando fortes ganhos ao acionista, ele também pode se sair muito mal, causando grandes perdas aos sócios.

Principais riscos do investimento em ações

Ações são investimentos de renda variável, pois o pagamento de rendimentos (dividendos e outros proventos) está condicionado ao desempenho do emissor do papel - no caso, a empresa.

Em outras palavras, o pagamento de dividendos e o volume distribuído depende dos lucros e da saúde financeira da companhia.

De cara, pode-se dizer que um dos riscos do investimento em ações é essa incerteza quanto ao recebimento de rendimentos. Mas lembre-se: risco é a probabilidade de algo sair diferente do esperado - para o mal, mas também para o bem!

Como as ações têm um mercado secundário intenso - a negociação que ocorre entre investidores na bolsa de valores e no mercado de balcão - seus preços estão sujeitos a flutuações diárias de acordo com a oferta e a demanda.

Dizemos, portanto, que ações são investimentos de alta volatilidade, isto é, com fortes oscilações de preços. Mas é claro que umas são mais voláteis que outras.

Neste vídeo, eu explico o conceito de volatilidade.

Esse risco de valorização e desvalorização das ações de acordo com oferta e demanda é chamado de risco de mercado, talvez o principal risco do investimento em ações.

Ações também têm risco de liquidez. As mais negociadas são mais fáceis de vender, mas para algumas pode ser difícil encontrar comprador.

Nesta matéria sobre o que são ações e outros conceitos relacionados a este mercado, eu explico com mais detalhes os riscos desse investimento.

A bolsa de valores

A bolsa de valores é o ambiente de negociação das ações, uma espécie de ponto de encontro dos investidores. De forma geral, é o local que organiza e dá segurança a todo o mercado de ações.

É à bolsa que as empresas recorrem para encontrar novos acionistas e levantar capital para suas atividades, vendendo participações no seu negócio aos investidores.

Além de ações, a bolsa também realiza negociações de ativos como títulos de renda fixa, opções, cotas de fundos de investimentos e contratos futuros, como os de moeda estrangeira.

Hoje, o Brasil só dispõe de uma única bolsa de valores para negociação de ações, que fica na cidade de São Paulo. Ela é administrada pela B3, uma companhia privada de capital aberto, com ações negociadas na própria bolsa.

A B3 nasceu da fusão das antigas BM&FBovespa e Cetip. A BM&FBovespa, por sua vez, resultou da união entre a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Nesta matéria, meu colega Fernando Pivetti conta um pouco da história da B3 e das outras bolsas de valores que existiram no Brasil, e também explica como funciona o pregão.

O Índice Bovespa (Ibovespa)

O índice Bovespa (Ibovespa) é o principal indicador do desempenho das ações negociadas na bolsa de valores de São Paulo, a B3.

Ele é o termômetro do mercado acionário brasileiro, e o seu sobe e desce indica se as ações, no geral, estão em alta ou em baixa, o que acaba sendo um indicador das perspectivas para as empresas de capital aberto.

O índice nasceu em 1968 com o objetivo de unificar as cotações do mercado e modernizar a estrutura financeira da então Bovespa. Mas muito do Ibovespa foi inspirado no antigo Índice Bolsa de Valores (IBV), que reunia as ações mais negociadas na Bolsa do Rio.

O Ibovespa é composto por uma carteira teórica das ações e units de ações mais negociadas e mais representativas do mercado brasileiro. Isso quer dizer que o desempenho do índice na verdade reflete o desempenho desse conjunto de ativos.

A carteira teórica do Ibovespa não abarca todas as ações negociadas na bolsa, mas apenas aquelas que atendem aos critérios de metodologia da B3. Hoje, são pouco mais de 60 ações.

O índice é reavaliado a cada quatro meses, podendo ou não mudar a sua composição nessas datas. Isso significa que cada carteira do Ibovespa permanece vigente de janeiro a abril, de maio a agosto ou de setembro a dezembro.

Durante o mês anterior ao da revisão do Ibovespa, a B3 divulga três prévias da nova carteira teórica, sendo que a última delas é a que passa a valer de fato.

Os critérios para uma ação fazer parte do Ibovespa levam em conta a sua liquidez nos 12 meses anteriores ao da revisão do índice, de forma a manter o Ibovespa sempre atualizado e representativo do mercado de ações brasileiro naquele determinado momento.

Afinal, o mundo das empresas abertas é dinâmico - novas empresas abrem o capital, outras fecham, ocorrem fusões e aquisições, empresas que antes eram muito negociadas deixam de ser e vice-versa. O Ibovespa precisa acompanhar essas mudanças no cenário de negócios.

Assim como uma empresa que está fora do índice pode se tornar elegível e entrar na carteira teórica, uma empresa que já integra o Ibovespa pode deixar de atender aos critérios da B3 e pular fora.

Aqui, o Fernando Pivetti explica, em detalhes, quais são os critérios para uma ação passar a integrar o Ibovespa.

Outros índices da B3

Além do Ibovespa, a bolsa brasileira conta com mais de 20 outros índices de mercado. Todos eles representam carteiras de ativos que atendem a certos critérios técnicos estabelecidos pela B3 e servem de indicadores de desempenho para determinados segmentos de mercado.

Existem outros índices amplos parecidos com o Ibovespa, índices setoriais, um índice de ações boas pagadoras de dividendos, um índice de small caps (ações de empresas de baixo valor de mercado), além de índices compostos por empresas que atendem a critérios de governança e sustentabilidade.

Neste vídeo, eu falo mais sobre esses indicadores.

Como investir em ações: 3 formatos

Para muita gente, investir em ações pode parecer um bicho de sete cabeças. A maioria das pessoas não se sente à vontade para montar uma carteira própria de ações, pois teme não saber escolher os melhores papéis de acordo com os seus objetivos.

Você não precisa ser um especialista para investir em ações, mas a compra direta dos papéis na bolsa não é a única maneira de expor parte da sua carteira à renda variável.

Investimento ativo vs. investimento passivo

A primeira coisa que você deve saber em relação a esse assunto é que você pode investir em ações de forma ativa ou passiva.

O investimento ativo consiste em escolher ações para tentar superar o desempenho médio do mercado.

No caso do mercado de ações, esse indicador de referência - o chamado benchmark -, é normalmente é um índice amplo, como o Ibovespa ou o IBr-X 100.

Já o investimento passivo consiste em simplesmente tentar seguir o benchmark, obtendo um retorno similar à média do mercado.

Com isso em mente, podemos listar três formas de investir em ações:

1. Investimento direto

Compra direta das ações pelo próprio investidor pessoa física. Em geral, trata-se de um investimento ativo. O investidor precisa abrir conta numa corretora de valores, por meio da qual vai adquirir ações pela internet, via home broker, ou por telefone, via mesa de operações.

2. Fundos de investimento em ações

Investimento em formato de condomínio. Os investidores unem seus recursos para adquirir cotas de um fundo, que serão investidos numa carteira de ações montada por um gestor profissional. Podem ter gestão ativa ou passiva. Podem, ainda, lançar mão de diversos tipos de estratégias diferentes, focando em diferentes tipos de ações ou mercados.

3. ETF (Exchange Traded Funds)

Fundos de investimento estritamente passivos, chamados também de fundos de índice. Procuram seguir um índice de mercado da forma mais aderente possível. Têm cotas negociadas em bolsa como se fossem ações e custo geralmente mais baixo que os fundos de ações normais, mesmo os passivos.

Nesta matéria, eu falo com mais detalhe de cada uma dessas três formas de investimento em ações, para você escolher aquela que tem mais a ver com você.

Meu colega Victor Aguiar também preparou uma reportagem explicando tudinho sobre os ETFs e como investir nesses fundos.

O investimento em ações é só para quem tem muito dinheiro?

O investimento em ações é bastante acessível ao pequeno investidor do ponto de vista do valor inicial de aporte.

O valor inicial do investimento direto em ações e ETF depende do preço de negociação da ação ou da cota na bolsa no momento em que o investidor decidir comprar.

Na B3, as ações no mercado à vista geralmente são negociadas em lotes-padrão de 100 ações. Já os ETF de renda variável são negociados em lotes-padrão de dez cotas. Isso significa que o investidor deve adquirir pelo menos 100 ações, dez cotas de ETF ou múltiplos de 100 e dez, respectivamente.

Assim, para uma empresa cuja ação esteja hoje cotada a R$ 30, o investimento mínimo seria de R$ 3 mil.

Mas o pequeno investidor não é obrigado a comprar o lote-padrão. Ele pode operar no mercado fracionário e comprar quantas ações e cotas quiser de cada ativo.

Só que os custos de transação de operar no mercado fracionário em geral são diferentes dos custos de comprar um lote-padrão.

Quanto aos fundos de ações, a popularização das plataformas de investimento on-line tornou acessíveis mesmo aqueles fundos mais sofisticados de gestoras renomadas.

Hoje, já é possível investir em diversos deles por aplicações iniciais de poucas centenas a poucos milhares de reais.

Primeiros passos: por onde começar

Se você nunca comprou uma ação, pode ser que esteja se perguntando: tudo bem, mas… como começar a investir em ações, afinal?

Antes de mais nada, você precisa ter clareza sobre o seu perfil de investidor. Será que investir em ações é para você?

Em primeiro lugar, você precisa estar consciente da volatilidade do investimento e à vontade com a possibilidade de ver eventuais retornos negativos de curto prazo na sua carteira.

Em segundo lugar, o investimento em ações é mais indicado para objetivos de longo prazo, como a aposentadoria, ou que não estejam condicionados a uma data específica.

Assim, recomenda-se que, antes de começar a investir em ações, o investidor já tenha um bom colchão de segurança destinado a cobrir suas emergências e objetivos de curto e médio prazo, com data certa para acontecer.

A reserva de emergência deve ficar investida em aplicações de renda fixa conservadora que possam ser resgatadas a qualquer momento.

Isso evita que o investidor precise mexer nos seus investimentos de ações em um momento inoportuno e acabe amargando perdas que poderiam ter sido evitadas caso ele tivesse uma reserva de emergência.

Abra uma conta numa corretora de valores

A primeira coisa que você precisa fazer para começar a investir em ações é abrir uma conta numa corretora de valores devidamente credenciada junto à CVM e que ofereça a modalidade de investimento direto em ações.

As corretoras são instituições financeiras que atuam como intermediárias na compra e venda de ativos na bolsa de valores.

As ações que você compra, contudo, ficam custodiadas na própria bolsa, no seu nome. Ou seja, elas não ficam na corretora.

Assim, se a corretora de valores quebrar, por exemplo, o seu investimento está a salvo. Basta transferir a custódia das ações para outra corretora para continuar operando.

O processo de abertura de conta em corretora hoje em dia geralmente é bastante simples. Você consegue fazer tudo pela internet. Basta preencher um cadastro, fazer o seu teste de perfil de investidor, responder a algumas perguntas sobre renda e patrimônio e enviar alguns documentos digitalizados, como RG e comprovante de residência.

Você também precisará definir uma senha e, em muitos casos, também uma assinatura eletrônica para completar as transações. A aprovação do cadastro pode levar de algumas horas a alguns dias.

Como escolher uma corretora para investir em ações

O mercado financeiro brasileiro conta com a participação de dezenas de corretoras de valores independentes ou ligadas a bancos. A escolha não é fácil, mas no caso de quem pretende negociar ações, convém observar os seguintes critérios:

  1. Cheque se a corretora tem registro na CVM
  2. Verifique os custos de transação para a negociação de ações
  3. Verifique a reputação da corretora
  4. Teste usabilidade, ferramentas e tecnologia em mais de uma corretora
  5. Dê uma olhada nas análises e nos demais produtos oferecidos pela corretora

Manter todos os investimentos no seu banco principal ou em uma única corretora independente é tentador, mas lembre-se de que nem sempre esse é o melhor negócio. Se for preciso ter conta em mais de uma instituição financeira, faça isso.

Apenas fique atento aos custos de transação, como DOCs e TEDs. Praticamente nenhuma corretora cobra transferências para outras instituições financeiras, mas é possível que o seu banco cobre quando você for transferir para a corretora.

Hoje em dia, com tantas opções de contas digitais sem tarifas, ficou mais fácil driblar esse tipo de cobrança. Então lembre-se de planejar essa parte.

Nesta matéria, eu detalho melhor o passo a passo para começar a investir e o que você deve levar em conta na hora de escolher uma corretora.

E nesta outra matéria, a minha colega Bruna Furlani fala sobre outros fatores que também convém levar em conta quando vamos escolher uma instituição financeira para negociar ações.

Os riscos de investir em corretoras de valores independentes

Todos os grandes bancos têm corretoras de valores dentro do seu conglomerado, mas não necessariamente a corretora do seu bancão será a melhor para você.

A concorrência nesse segmento do mercado é grande, e hoje em dia você pode também escolher entre corretoras ligadas a bancos de médio porte ou corretoras independentes.

A grande questão é que essas instituições que não estão dentro de um grande conglomerado financeiro despertam muita insegurança no investidor pessoa física, notadamente nos mais iniciantes.

O temor é de a corretora quebrar e deixar o investidor a ver navios. Só que, partindo do princípio de que o investidor vai escolher uma corretora idônea e com registro junto à CVM, esse temor não tem tanto fundamento assim.

Desde que seus recursos estejam investidos em algum produto financeiro, eles não são afetados caso a corretora venha a quebrar. Basta transferir a custódia deles para outra corretora. A instituição financeira é só uma intermediária.

O maior risco é para o dinheiro parado na conta da corretora, mas mesmo neste caso, há mecanismos que protegem o investidor em algumas situações.

Nesta reportagem, eu falo sobre quais são os riscos de se investir por corretoras não ligadas a grandes bancos e o que fazer para se proteger.

Quanto custa investir em ações

Quando você compra ou vende ações, há basicamente três tipos de taxas que você precisa pagar: a taxa de corretagem, a taxa de custódia e os emolumentos pagos à bolsa (taxas de negociação e liquidação).

Além disso, há incidência de impostos sobre a corretagem (ISS/PIS/Cofins) e de imposto de renda sobre os ganhos auferidos com a venda de ações em alguns casos.

Os ganhos obtidos com a negociação de ações estão sujeitos à cobrança de imposto de renda, à alíquota de 15%, no caso de operações comuns, e 20%, no caso de daytrade (compra e venda de uma ação no mesmo dia).

Ganhos líquidos com a venda de ações em operações comuns no mercado à vista, porém, ficam isentos de IR para a pessoa física quando o valor vendido em ações no mercado à vista no mês for inferior a R$ 20 mil.

Seja como for, o simples fato de ter feito operações na bolsa, tributadas ou não, já obriga o investidor a entregar a declaração de imposto de renda no ano seguinte.

Nesta matéria sobre quanto custa investir em ações, o Kaype Abreu fala mais sobre esses custos e explica como as cobranças funcionam.

O que leva uma empresa a abrir o capital na bolsa e ofertar ações

A abertura de capital permite às empresas obter recursos para financiar suas atividades a um custo mais baixo, além de facilitar a saída de sócios com grande participação no negócio.

Companhias abertas têm mais visibilidade e estão obrigadas a seguir uma série de regras de transparência, além de pagar algumas taxas. Tudo isso contribui para reduzir o seu custo de capital, isto é, baratear seu acesso a financiamento.

É importante deixar claro que nem toda abertura de capital implica oferta de ações. O processo também é exigido para a emissão de outros tipos de valores mobiliários, como as debêntures, que são os títulos de dívida das empresas.

Assim, uma empresa aberta pode emitir ações e dívida ou apenas um tipo de ativo.

Ao emitir dívida, a empresa aberta está aumentando sua participação de capital de terceiros, isto é, está obtendo empréstimos junto a pessoas físicas e jurídicas sem ter, necessariamente, que recorrer a uma instituição financeira.

Ao emitir ações, no entanto, a companhia está aumentando a sua participação de capital próprio, isto é, abrindo o seu quadro acionário para o grande público de forma a permitir que outras pessoas físicas e jurídicas passem a fazer parte do seu quadro de sócios.

Ao fazer abertura de capital com oferta de ações na bolsa, portanto, a companhia está, na verdade, buscando novos sócios: gente que acredita no seu negócio e vai topar fazer aportes na companhia em troca de participação nos seus lucros. Os recursos captados serão usados pela empresa no seu próprio negócio.

Tipos de ofertas de ações

Existem dois tipos de ofertas de ações: as primárias e as secundárias.

Nas ofertas primárias, a própria empresa oferece as ações ao mercado e os recursos obtidos junto aos investidores vão para o caixa da companhia. É uma maneira de a empresa se financiar.

Já nas ofertas secundárias, grandes sócios vendem parte ou a totalidade da sua participação na bolsa. Os recursos vão, então, para o bolso dos sócios que realizaram a venda, e não para o caixa da companhia.

IPO vs. follow-on

O IPO - sigla em inglês para Initial Public Offering - nada mais é que a Oferta Pública Inicial de ações, isto é, a primeira oferta de ações de uma companhia estreante na bolsa.

Já o follow-on, também chamado de oferta subsequente, é uma nova oferta de ações feita por uma empresa que já tem ações negociadas em bolsa.

Repare que tanto IPOs como follow-ons podem incluir ofertas primárias ou secundárias. O fato de ser uma oferta primária ou não nada tem a ver com ser um IPO ou um follow-on.

Lembrando que é apenas no caso das ofertas primárias, sejam elas iniciais ou subsequentes, que a companhia de fato capta recursos para se financiar. Quaisquer negociações entre sócios, majoritários ou minoritários, não afetam o caixa da empresa.

Uma companhia também pode recomprar os seus próprios papéis, num processo chamado de Oferta Pública de Aquisição (OPA), que pode ser parcial ou total. Caso decida fechar seu capital, a empresa deve recomprar todas as suas ações.

Nesta matéria, eu dou alguns exemplos de cada tipo de oferta de ações.

Os níveis de governança corporativa das empresas de capital aberto

As empresas que negociam ações na bolsa de valores têm a opção de se adequar a certas regras para atraírem mais investidores.

Trata-se dos diferentes níveis de governança corporativa da B3, que garantem, aos acionistas, um conjunto mínimo de direitos, tornando mais transparente e confiável o investimento nas empresas que aderem a eles.

A governança corporativa diz respeito às práticas de administração de uma empresa. Uma boa governança pressupõe, por exemplo, regras claras e transparentes para tomada de decisões, equidade no tratamento de todos os interessados no negócio, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

O segmento mais básico da B3 não conta com regras diferenciadas de governança corporativa além do que a Lei já estabelece.

Isso significa que as empresas que não aderem a nenhum dos segmentos de governança da bolsa podem negociar tanto ações ordinárias quanto preferenciais e só precisam ter um conselho de administração composto por um mínimo de três membros, além de fazer as demonstrações financeiras segundo a legislação.

Adicionalmente, elas devem garantir um mínimo de 80% de tag along para as suas ações ordinárias. Ou seja, caso a empresa receba uma oferta de aquisição, o comprador fica obrigado a estender a oferta a todos os minoritários detentores de ações ordinárias, garantindo um preço mínimo por ação equivalente a 80% do valor por ação pago ao controlador.

Os níveis de governança da B3 podem implicar critérios mais rígidos para essas regras e incluir novas exigências. São eles: o Nível I, o Nível II e o Novo Mercado, mais alto nível de governança da B3.

Para companhias menores, que desejam acessar o mercado de capitais de forma gradual, mas já com bons níveis de governança, há o Bovespa Mais, que se assemelha ao Novo Mercado; e o Bovespa Mais Nível II, que se assemelha ao Nível II de governança.

O Kaype Abreu fala sobre as regras de cada nível de governança nesta reportagem. E, neste vídeo, eu falo um pouco mais sobre o Novo Mercado.

Como ocorre o processo de negociação de uma ação

Para quem está dando os primeiros passos no investimento em renda variável, a dinâmica do mercado de ações pode parecer um tanto esotérica. Mas o funcionamento básico é bem simples de entender.

A corretora de valores atua como representante dos investidores e intermediária entre eles e a bolsa. É a corretora a responsável por executar os negócios de compra e venda de ações.

Depois de abrir conta numa corretora e ter seu cadastro aprovado, você deverá fazer login no ambiente virtual da instituição financeira e abrir o home broker. Pode ser necessário solicitar o primeiro acesso.

À primeira vista, o home broker pode ser um pouco intimidador. Várias janelas, números, setinhas subindo e descendo, talvez algum gráfico e diversos menus. Você talvez precise explorar um pouco a ferramenta antes de se sentir totalmente à vontade para operar.

Mas como se compram e vendem ações? Como os negócios são fechados? Em quanto tempo as operações são completadas? Em que momentos eu posso operar no mercado de ações? Como são determinados os preços? São essas perguntas que eu vou responder a seguir.

Horário de funcionamento da bolsa

No Brasil, o pregão regular da bolsa de valores ocorre em horário comercial, geralmente das 10h às 17h, podendo variar um pouco ao longo do ano por causa do horário de verão nos Estados Unidos. No site da B3, você encontra os horários de negociação sempre atualizados.

As negociações geralmente são feitas durante o pregão, mas é possível dar ordens de compra e venda mesmo fora do horário de funcionamento da bolsa. Elas são concluídas tão logo o mercado de ações abra novamente.

Um dia de negociação é formado pelas seguintes etapas: antes do início do pregão regular, temos a fase de cancelamento de ordens e o leilão de pré-abertura; depois começa o pregão regular, que termina com o call de fechamento; finalmente, após o pregão regular, temos o chamado after market, que é uma espécie de prorrogação das negociações.

Neste vídeo, eu falo sobre cada uma das etapas de negociação e suas respectivas regras.

Formação dos preços no mercado de ações

Os preços das ações são determinados pela interação entre os compradores e vendedores, de acordo com a boa e velha lei de oferta e demanda.

Durante o pregão, os vendedores fazem ofertas de venda e os compradores fazem ofertas de compra. Cada um coloca o preço e a quantidade de ações que deseja comprar ou vender.

Assim, as ofertas de venda nada mais são do que os preços anunciados pelos vendedores, enquanto que as ofertas de compra são os preços que os compradores estão dispostos a pagar.

Os negócios no mercado de ações só são fechados quando as ofertas de compra casam, em preço e quantidade, com as ofertas de venda.

O preço de uma ação em um dado momento é justamente o preço do último negócio fechado. Dessa forma, a cotação de abertura de uma ação é o preço em que o primeiro negócio do dia foi fechado; já a cotação de fechamento consiste no último preço de negociação daquele papel no pregão.

A valorização ou desvalorização de uma ação num dia, portanto, corresponde à variação percentual entre a cotação de fechamento daquele papel no pregão anterior e a cotação de fechamento no pregão atual.

O preço atual de uma ação serve apenas como referência para os investidores. Para saber a qual preço você pode conseguir comprar ou vender a ação desejada, você terá que recorrer ao livro de ofertas daquele papel, que pode ser acessado pelo home broker.

Quando você decide comprar ou vender uma determinada ação, o preço em que vai conseguir fechar o negócio vai depender, respectivamente, das ordens de venda e de compra disponíveis naquele momento.

As corretoras de valores recebem todas as ordens de compra e venda dos clientes e as registram junto à bolsa, que as ordena e fecha os negócios que casarem. Todas as ofertas de compra e venda ficam registradas eletronicamente no livro de ofertas, podendo ser acompanhadas por todos os investidores.

O que acontece depois que você compra ou vende uma ação

O processo de compra e venda de uma ação não termina quando uma negociação é fechada. Em dois dias úteis devem ocorrer os processos de liquidação física (a transferência da titularidade dos títulos) e financeira (a transferência dos recursos).

Isso significa que o dinheiro só sai da conta do comprador e cai na conta do vendedor dois dias úteis depois de fechada a negociação. Sempre pelo preço que foi acordado, claro.

Nesta matéria, eu falo mais sobre o livro de ofertas e dou mais detalhes sobre o processo de negociação de uma ação.

As estratégias para investir na bolsa

Depois de aprender todo o básico, decidir que o investimento em ações é para você e separar os recursos para investir, é hora de montar uma estratégia.

Não há apenas uma forma de se investir em ações. Existem várias estratégias, e optar por ao menos uma delas é fundamental.

1. Carteiras recomendadas das corretoras

A estratégia que os iniciantes geralmente escolhem é a de seguir as recomendações de um especialista - um analista de ações.

Esses profissionais dedicam a carreira a estudar empresas e setores e montar carteiras recomendadas com aqueles papéis que eles acham que têm maior potencial de valorização ou pagamento de dividendos.

Muitas corretoras oferecem esse serviço, por meio dos seus próprios analistas, mas existem também as casas de análise independentes, especializadas apenas em produzir esse tipo de conteúdo e vender seus relatórios.

2. Investimento com foco em dividendos

Os dividendos são uma parcela do lucro obtido pelas empresas, que é distribuída a seus acionistas na proporção das suas ações. É a tal da renda variável que as ações geram.

A estratégia de investir em ações com foco em dividendos consiste em optar por aqueles papéis que paguem um valor alto em dividendos em relação preço do papel, um indicador que chamamos de dividend yield.

Em geral, empresas boas pagadoras de dividendos são aquelas que já estão bem estabelecidas nos seus setores, que demandam pouco investimento, têm geração de caixa previsível e geram lucros crescentes e consistentes.

Elas também são consideradas investimentos defensivos, pois seus lucros e sua geração de caixa não costumam oscilar muito, apanhando menos em tempos de mercado em baixa.

Assim, esta pode ser considerada a estratégia mais conservadora de investimento em ações, além de ser interessante para quem deseja uma geração de renda isenta de imposto de renda.

A Bruna Furlani explica melhor como investir com foco em dividendos nesta reportagem.

3. Investimento com foco na valorização das ações

Uma forma mais arrojada de investir em ações é estudar as empresas por conta própria para encontrar aquelas que tenham bom potencial de crescimento e consequente valorização das ações.

Por meio da análise das demonstrações financeiras, da estratégia e da governança da companhia, bem como das perspectivas econômicas e do potencial do seu setor, é possível selecionar as empresas e até mesmo verificar quais aquelas cujos preços das ações estão abaixo do que seria adequado, dadas as perspectivas para o negócio.

A maneira mais arrojada de investir com foco na valorização das ações é por meio do investimento em empresas de médio e pequeno porte, as chamadas small caps. Elas possuem, em tese, um maior potencial de crescimento que as companhias gigantes.

O investimento em small caps, porém, só é indicado para o longo prazo, pois tem mais risco de mercado e também pode ter menos liquidez. É, literalmente, uma aposta no futuro da empresa.

Aqui no Seu Dinheiro, temos duas excelentes reportagens sobre o investimento nesse tipo de empresa, se você quiser saber mais.

Nesta matéria, a Bruna Furlani fala sobre os cuidados que devemos ter ao investir em small caps.

Nesta outra, é a vez de o Victor Aguiar falar sobre as perspectivas para as pequenas gigantes da bolsa com a expectativa de retomada da economia, além de dar alguns insights sobre esse tipo de estratégia.

4. Daytrade

O chamado daytrade consiste na estratégia de comprar e vender ações no mesmo dia para ter ganhos de curtíssimo prazo. Trata-se de uma estratégia bem mais agressiva e que usa mecanismos mais sofisticados, especialmente de análise técnica.

Para fazer daytrade, o investidor precisa ter maior conhecimento do mercado de ações. Ganhos e perdas podem ser expressivos e relativamente rápidos, e é bem difícil manter um bom resultado de maneira consistente por muito tempo.

Se quiser saber mais sobre essas quatro maneiras de investir em ações, o Victor Aguiar fala mais de cada uma delas nesta matéria.

Análise técnica e análise fundamentalista

Se você deseja partir para a estratégia 2, 3 ou 4, ou mesmo para compreender os relatórios dos analistas, caso opte pela estratégia de número 1, você precisará entender pelo menos o básico dos dois tipos de análises de ações mais utilizados pelos investidores: a análise fundamentalista e a análise técnica - também chamada de análise gráfica.

A análise fundamentalista é mais utilizada nas estratégias 1, 2 e 3, enquanto que a análise gráfica é mais usada na estratégia 4. Mas não é raro encontrarmos os dois tipos de análise combinados em todas as estratégias descritas no item anterior.

Vamos entender um pouquinho sobre cada uma delas:

Análise fundamentalista

A análise fundamentalista tem como ponto de partida a análise da saúde financeira de uma empresa. Assim, o estudo dos balanços, contas patrimoniais, demonstrações de resultado e fluxos de caixa são a matéria-prima para quem é adepto dessa escola.

Ou seja, antes de começar a olhar para a cotação das ações, é preciso fazer um estudo aprofundado sobre a companhia e sua atividade, estrutura de custos, métricas de endividamento, desempenho operacional... enfim: é preciso fazer um raio-x completo da empresa.

Feita essa primeira etapa, é hora de passar para o segundo passo: a análise da empresa dentro do seu setor de atuação. Ela tem uma boa participação de mercado? Tem muitos rivais? O segmento dessa companhia possui boas perspectivas?

Com esse dado em mãos, é possível projetar quais serão os resultados e a situação financeira dessa empresa ao longo de um determinado período de tempo.

E, com essa estimativa do valor futuro da companhia, é possível estabelecer qual deve ser o preço justo para as suas ações - e consequentemente, se há potencial de alta ou queda frente ao preço atual.

Análise técnica

A análise técnica também parte do estudo do que aconteceu no passado. No entanto, o objeto de pesquisa não é o livro de resultados financeiros de uma empresa, mas sim o gráfico com o comportamento dos preços das ações.

A análise gráfica parte do princípio de que os padrões de preço se repetem e que os preços já incorporam todas as circunstâncias que poderiam afetá-los. Ou seja, não haveria um preço justo para o qual convergir.

Assim, os analistas gráficos procuram descobrir as tendências para os preços dos ativos, bem como os bons momentos de compra e venda, tendo em vista esses movimentos.

Esse método utiliza uma série de ferramentas gráficas e indicadores, sendo capaz de identificar, nos gráficos, figuras que representam determinadas tendências de alta, queda ou indefinição nos preços.

Nesta matéria, o Victor Aguiar explica, com mais detalhes, as características das análises técnica e fundamentalista, além de avaliar qual é a melhor.

Imposto de Renda: acertando as contas com o Leão

A prestação de contas ao Leão costuma pegar muitos investidores em ações e ETF pelo pé. É que todo o trabalho de calcular os ganhos, perdas e imposto devido, bem como de recolher o IR e declarar as operações à Receita são de responsabilidade única e exclusiva do próprio investidor.

Não é a corretora quem faz isso para você - ela no máximo presta alguma assessoria ou fornece alguma ferramenta, como uma calculadora de IR.

Por sinal, não existe nem informe de rendimentos para operações feitas em bolsa. Então você precisa manter o seu próprio controle de compras, vendas e cálculo de preço médio dos ativos para não ficar perdido na hora de declarar.

Só que muita gente não sabe disso ou se esquece. O pagamento do IR, por exemplo, deve ser feito até o último dia útil do mês seguinte ao da operação que gerou o ganho tributado. Não é na hora de preencher a declaração de imposto de renda que você vai resolver isso.

E não adianta achar que você vai esconder suas operações e lucros da Receita. Sempre que você faz uma operação na bolsa sujeita à tributação, é descontado na fonte o chamado “dedo-duro”, uma pequena parcela do imposto de renda devido.

Ele serve para sinalizar a operação a Leão. Caso você deixe de pagar o IR e/ou de declarar, é bem provável que a Receita venha a te cobrar no futuro.

De quanto é o imposto?

Como eu já disse anteriormente, ganhos com a compra e venda de ações ou ETF são tributados em 15%, no caso de operações comuns, ou 20%, no caso de operações de daytrade.

Ganhos com a negociação de ações em operações comuns podem ficar isentos de imposto de renda caso o investidor tenha vendido menos de R$ 20 mil em ações no mês, seja em operações comuns ou daytrade. ETF não contam com o mesmo tipo de isenção.

Dividendos são isentos de imposto de renda, mas Juros sobre Capital Próprio (JCP), outro tipo de provento distribuído pelas empresas, são tributados na fonte em 15%.

O investidor deve manter o controle de preços e quantidade de compra e venda das suas ações e ETF, bem como saber calcular o preço médio quando comprar o mesmo ativo em diferentes datas e preços. Essas informações serão fundamentais para calcular o imposto devido quando houver algum lucro sujeito à tributação.

É fundamental também manter controle sobre eventuais prejuízos, isto é, quanto você perdeu ao vender uma ação ou ETF por um preço inferior ao de aquisição.

Isso porque você pode abater esses prejuízos de futuros ganhos antes de calcular o imposto de renda incidente sobre esses lucros. Dessa forma, você pagará menos imposto.

Lembre-se, ainda, de abater do imposto devido os “dedos-duros” já recolhidos na fonte. Afinal, o “dedo-duro” é um adiamento de imposto.

O que declarar

Na hora de preencher a sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, já tendo pago o IR sobre os ganhos auferidos na bolsa no ano anterior, você deverá informar, ao Leão, a sua posição em ações, os eventuais lucros e prejuízos, bem como o eventual imposto já pago - inclusive os “dedos-duros”.

Para aprender, tim tim por tim tim, como calcular o preço médio de ações e ETF, apurar o imposto devido e recolhê-lo, bem como a maneira correta de declarar as operações feitas com esses ativos no imposto de renda, eu recomendo fortemente que você dê uma olhada nas matérias que eu escrevi sobre como declarar ações e como declarar ETF no IR 2019.

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