Menu
2019-09-20T17:06:13-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Vídeo

Você já ouviu falar em Novo Mercado? Conheça os níveis de governança da bolsa

Neste vídeo, eu te conto o que uma empresa aberta precisa fazer para fazer parte do mais alto nível de governança da B3 – e o que isso representa para o investidor

28 de junho de 2019
5:30 - atualizado às 17:06

Todas as empresas com ações negociadas na bolsa de valores são obrigadas a seguir regras mínimas de transparência. Mas aquela que quiser se tornar mais atrativa para os investidores pode optar por seguir códigos de conduta ainda mais rígidos, os chamados segmentos de governança corporativa. São cinco níveis, sendo o Novo Mercado o mais alto deles.

Quanto mais alto o nível de governança, mais regras a companhia deve seguir e, consequentemente, mais interessante para o acionista minoritário ela se torna. Afinal, as regras de governança visam a minimizar os conflitos de interesse na companhia e a equiparar, tanto quanto possível, os minoritários aos controladores. No vídeo a seguir, eu explico as regras de cada segmento de governança da B3 e listo tudo que uma empresa precisa fazer para integrar o Novo Mercado:

Fazer parte do Novo Mercado não é garantia de que a companhia nunca vai pisar na bola no quesito governança, mas é uma espécie de selo que atesta que a empresa se compromete a seguir as regras do segmento, o que já é alguma coisa.

Lembrando que algumas companhias fazem parte do Nível II não por problemas de governança, mas por conta de algum tipo de dispositivo legal que as impede de negociarem apenas ações ordinárias na bolsa.

Confira a transcrição do vídeo sobre o Novo Mercado e os níveis de governança corporativa da B3

As empresas que negociam ações na bolsa de valores têm a opção de se adequar a certas regras para atraírem mais investidores. Estou falando dos diferentes níveis de governança corporativa da B3, que garantem, aos acionistas, um conjunto mínimo de direitos, tornando mais transparente e confiável o investimento nas empresas que aderem. Você talvez já tenha ouvido falar do nível mais alto de governança, o Novo Mercado. Nesse vídeo, eu vou falar sobre o que uma companhia precisa garantir aos acionistas pra fazer parte dessa elite da bolsa.

A governança corporativa diz respeito às práticas de administração de uma empresa. Uma boa governança pressupõe, por exemplo, regras claras e transparentes para tomada de decisões, equidade no tratamento de todos os interessados no negócio, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

O segmento mais básico da B3 não conta com regras diferenciadas de governança corporativa além do que a Lei já estabelece. Isso significa que as empresas que não aderem a nenhum dos segmentos de governança da bolsa podem negociar tanto ações ordinárias quanto preferenciais e só precisam ter um conselho de administração composto por um mínimo de três membros e fazer as demonstrações financeiras segundo a legislação.

Além disso, elas devem garantir um mínimo de 80% de tag along para as suas ações ordinárias. Ou seja, caso a empresa receba uma oferta de aquisição, o comprador fica obrigado a estender a oferta a todos os minoritários detentores de ações ordinárias, garantindo um preço mínimo por ação equivalente a 80% do valor por ação pago ao controlador. Eu falo mais sobre o tag along e a diferença entre ações ordinárias e preferenciais neste outro vídeo.

Os níveis de governança da B3 podem implicar critérios mais rígidos para essas regras e incluir novas exigências. O Nível I, por exemplo, exige apenas a divulgação de algumas informações a mais além daquelas exigidas em Lei, e a manutenção de pelo menos 25% das ações da companhia em circulação no mercado, o chamado free float.

Já o Nível II se parece bastante com o Novo Mercado. A principal diferença é que as empresas, nesse nível, ainda podem manter ações preferenciais, além das ações ordinárias. Só que as ações preferenciais, nesse caso, têm direito a voto em situações consideradas críticas.

Para aderirem ao Novo Mercado, as companhias só podem negociar ações ordinárias e precisam conceder 100% de tag along aos minoritários. Elas são, ainda, obrigadas a manter no mínimo 25% de free float, ou 15%, caso o seu volume de negociação diário seja superior a R$ 25 milhões.

A companhia também precisa instituir áreas de auditoria e controles internos; estruturar e divulgar o processo de avaliação do conselho de administração, dos seus comitês e da diretoria; e manter um conselho de administração com, no mínimo, dois conselheiros independentes - ou 20%, o que for maior. O mandato dos conselheiros não pode ultrapassar os dois anos. Os cargos de presidente do conselho e principal executivo também não podem ser exercidos pela mesma pessoa.

Finalmente, empresas do Novo Mercado precisam divulgar as suas políticas de remuneração, de indicação de certos cargos, de gerenciamento de riscos, de transação com partes relacionadas e de negociação de valores mobiliários de emissão da própria empresa por parte dos acionistas controladores, além de divulgar os seus fatos relevantes, informações sobre proventos e resultados tanto em português como em inglês.

Caso uma companhia do Novo Mercado queira sair do segmento, pelo menos um terço dos acionistas detentores das ações em circulação precisam concordar com a saída. Senão, a empresa fica obrigada a fazer uma OPA - uma oferta pública de aquisição de ações - que deve ser aceita por no mínimo um terço dos detentores das ações em circulação.

Obs.: Após a publicação desta matéria, a B3 acrescentou que a saída do Novo Mercado também pode ocorrer, alternativamente, pela concordância expressa dos acionistas, desde que aprovada em assembleia geral (pela maioria dos votos dos acionistas titulares de ações em circulação presentes). Nesse caso, não há necessidade de OPA.

A bolsa conta com mais dois níveis de governança corporativa, voltados para pequenas e médias empresas. Segundo a B3, eles se destinam àquelas companhias de menor porte que desejam acessar o mercado de capitais de forma gradual, mas já com elevados níveis de governança. Estou falando do Bovespa Mais, que se assemelha ao Novo Mercado, e do Bovespa Mais Nível II, parecido com o Nível II de governança.

Gostou do vídeo? Então não se esquece de se inscrever no canal do Seu Dinheiro no YouTube e clicar no sininho para receber as notificações. E pode deixar as suas dúvidas e sugestões para outros vídeos no campo dos comentários.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

A terceira onda. Um novo milagre econômico vem por aí?

Tudo indica que um novo bull market das commodities esteja começando. E, como das outras vezes, isso será extremamente benéfico para o Brasil

Oxford Economics eleva previsão de crescimento do PIB do Brasil em 2020 para 2%

Casa avalia que as recentes tarifas sobre o aço e alumínio brasileiro não devem atrapalhar a recuperação da atividade, que vem ganhando fôlego

Marfrig confirma oferta subsequente de ações que pode somar R$ 3,3 bi

A oferta será primária e inclui um lote secundário, para a venda de ações detidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES)

BLACK WEEK

MAIS LIDAS: Quem bombou na Black Friday?

Meus vizinhos se empolgaram na Black Friday. E não foram só eles: os números do varejo mostram um crescimento considerável na edição deste ano

Ex-presidente da Bayer no Brasil cria startup de cannabis

Em voo solo, há quase um ano e meio, empresário prepara-se para voltar ao setor, desta vez em um segmento em franco crescimento

Calças curtas

Por que o bilionário Elon Musk tem “pouco” dinheiro

A maior parte do patrimônio do bilionário sul-africano está colocada nos mesmos cavalos. Entenda

E o ano nem acabou!

Fundos imobiliários e ações já têm captação recorde em 2019

Volumes captados por fundos imobiliários e ofertas de ações até novembro deste ano já são os maiores das suas séries históricas, segundo dados da Anbima

DE OLHO NA CARNE

Ministério da Agricultura diz que preço da carne caiu 9% desde início do mês

A ministra Tereza Cristina ressaltou que o preço da proteína está se ajustando e que deve se estabilizar

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

A segunda vida da bolsa

Entre as muitas histórias geniais de Machado de Assis, uma das minhas favoritas é um conto chamado “A Segunda Vida”, sobre um homem que diz ter morrido e voltado para uma nova existência aqui na Terra. O escritor se vale de uma premissa que parece sobrenatural para tratar de um tema bem próximo de todos […]

MARCO DO SANEAMENTO

Para BNDES, não faltam recursos para o Brasil investir no setor de saneamento

Montezano afirmou que o novo marco regulatório do saneamento, que está tramitando no Congresso, vai abrir uma nova fase no banco

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements