Rumo às estrelas: SpaceX faz registro público para o IPO na Nasdaq, com código SPCX
Fundada em 2002, a empresa já realizou mais de 650 lançamentos espaciais, tem quase 10 mil satélites em órbita e um negócio de inteligência artificial

A SpaceX, empresa aeroespacial do bilionário Elon Musk, fez o registro oficial para sua oferta pública inicial (IPO, em inglês) com listagem na Nasdaq, de acordo com um documento S-1 divulgado ontem (20) na Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM dos EUA).
No relatório, a SpaceX informou que pretende listar suas ações sob o código "SPCX". O valor por ação, o capital que será levantado e o valuation da fabricante de foguetes ainda não foram incluídos no prospecto, mas o jornal The Wall Street Journal afirma que a empresa busca levantar US$ 80 bilhões e chegar à bolsa valendo US$ 1,5 trilhão.
Caso esses valores sejam alcançados, será o maior IPO da história. Até agora, o recorde histórico pertence à gigante petrolífera Saudi Aramco, que realizou sua oferta pública em 2019, tendo captado US$ 29,4 bilhões, que chegaram a US$ 31,4 bilhões com a oferta do lote suplementar.
Segundo o documento, Musk detém 85% do poder de voto na SpaceX, por meio de 849,5 milhões de ações Classe A e 5,57 bilhões de ações Classe B. O documento também informa que, além de Musk, nenhuma pessoa física ou entidade possui participação superior a 5% na empresa.
O documento não afirmou qual deve ser a fatia vendida pelo bilionário, nem o preço por ação estimado. O bilionário também deve manter o poder de decisão em relação a estratégias de negócios e eleição de diretores do conselho de administração.
O tamanho da SpaceX
Fundada em 2002, a empresa já realizou mais de 650 lançamentos espaciais, com 99% de sucesso em seus foguetes Falcon, e cerca de 85% deles foram com um ou mais propulsores reutilizados.
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A reutilização desses equipamentos é uma das maneiras para a redução do custo desses lançamentos, e uma estratégia para escalar a companhia espacial.
Os seus foguetes e satélites respondem por mais de 80% de toda a massa que é lançada ao espaço todos os anos. Já na sua divisão de conectividade, com internet por satélite pela Starlink, já são mais de 9.600 satélites, que atendem 10,3 milhões de clientes em 164 países.
A empresa também se tornou uma companhia de inteligência artificial no começo deste ano, com a fusão com a xAI, outra empresa de Musk fundada em 2023.
Segundo o prospecto, a missão da empresa é "construir sistemas e tecnologias necessárias para permitir vida interplanetária, entender a verdadeira natureza do universo e estender a luz da consciência às estrelas".
Raio-X financeiro
Nos três primeiros meses do ano, a empresa gerou, em base consolidada, receita de US$ 4,69 bilhões, prejuízo operacional de US$ 1,94 bilhão e Ebitda ajustado, medida usada para avaliar a capacidade de geração de caixa operacional, de US$ 1,13 bilhão.
Já no ano fechado de 2025, a receita foi de US$ 18,67 bilhões, prejuízo operacional de US$ 2,59 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 6,58 bilhões. A maior parte dos resultados veio dos segmentos espaciais e de conectividade.
O segmento de conectividade, impulsionado principalmente pela Starlink, gerou receita de US$ 11,39 bilhões, lucro operacional de US$ 4,42 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 7,19 bilhões em 2025.
A receita subiu 49,8%, o lucro aumentou 120,4%, e a rentabilidade aumentou 86,2%, em razão do aumento de assinantes e da maior adoção por empresas.
Planos para o futuro
Entre tantos negócios, a companhia diz que pode endereçar um mercado de até US$ 28,5 trilhões. Cerca de US$ 22,7 trilhões desse mercado potencial futuro estão concentrados no uso de IA e outros produtos e serviços da companhia por outras empresas.
A SpaceX quer ir além dos lançamentos espaciais, conectividade e inteligência artificial. A empresa está desenvolvendo o veículo Starship, que será um meio de transporte totalmente reutilizável para entregas de tripulação, cargas, satélites e data centers na órbita da Terra, da Lua e de Marte. É a peça central para o crescimento a longo prazo, com objetivo de reduzir o custo de acesso ao espaço em 99%.
A empresa planeja começar a lançar os satélites Starlink V3, com capacidade de processamento de IA, via Starship a partir do segundo semestre de 2026.
Também prevê implantar centros de dados em órbita a partir de 2028, aproveitando a energia solar ininterrupta do espaço para lidar com cargas de trabalho intensivas de IA. A meta a longo prazo é lançar 100 gigawatts de capacidade de computação para o espaço anualmente.
Outro projeto é estabelecer uma base permanente na Lua, como um degrau antes do estabelecimento de uma civilização em Marte.
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