Com PCC e CV na mira dos EUA, guerra e PIB mexendo com apostas para Selic, Ibovespa chega a cair mais de 1% enquanto dólar sobe
O principal índice da bolsa brasileira vai na contramão de Wall Street e cai, com investidores digerindo um novo foco de tensão política e força da economia brasileira

O último pregão de maio promete fortes emoções. Nesta sexta-feira (29), o Ibovespa acompanha os desdobramentos da decisão do governo norte-americano de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Ao mesmo tempo, o mercado reage ao recuo do petróleo no mercado internacional, com a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã, movimento que está impulsionando as bolsas lá fora. Por volta das 11h, o Brent, referência internacional de negociação e usado como referência pela Petrobras (PETR4), caía 1,80%, com o barril negociado a US$ 92,02.
A desvalorização prejudica as petroleiras da bolsa, já que preços mais baixos tendem a reduzir a rentabilidade do setor.
Além disso, a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil traz mais um elemento ao cenário. A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, enquanto a expansão foi de 1,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado superou as expectativas do mercado, que projetava um avanço de 1% nos três primeiros meses do ano.
Assim, o Ibovespa recuava mais de 1% por volta das 11h, a 173.192,05 pontos. O dólar, por sua vez, tinha ganhos de 0,47% no mesmo horário, a R$ 5,0557.
Lá fora, as bolsas de Nova York negociavam todas em alta. O Nasdaq subia 0,53%, enquanto Dow Jones e S&P 500 tinham alta de 0,32% e 0,39%, respectivamente. Na Europa, os ganhos também se estendem.
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PCC e CV classificados como grupos terroristas
O anúncio feito pelo governo norte-americano indicando que irá enquadrar como organizações terroristas internacionais as duas maiores facções criminosas brasileiras, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), foi recebido com preocupação por especialistas.
Eles manifestam receio sobretudo em relação à insegurança jurídica e a possíveis impactos ao mercado financeiro, uma vez que operações recentes apontam, por exemplo, o elo do PCC com a economia formal.
Assim, o setor de bancos opera em queda em temor à classificação. O Índice Financeiro (IFNC) operava em queda de 0,88%, aos 17.829,58 pontos, por volta das 11h. Saiba mais detalhes nesta reportagem do Seu Dinheiro.
"Os efeitos imediatos sobre os mercados tendem a ser limitados, mas o tema pode ganhar relevância caso a medida sirva de base para futuras sanções, restrições operacionais ou atritos diplomáticos entre Brasília e Washington, com potenciais impactos sobre a percepção de risco do Brasil", afirma o analista da Empiricus, Matheus Spiess.
Pibão?
Segundo Spiess, os dados divulgados nesta semana reforçam a percepção de que a economia brasileira segue mais aquecida. A taxa de desemprego permanece próxima das mínimas históricas e a renda das famílias continua avançando em termos reais, ainda que em ritmo mais moderado. Mesmo com a desaceleração na criação líquida de vagas formais pelo Caged, o mercado de trabalho segue apertado, com salários crescendo acima da produtividade e sustentando o consumo doméstico.
Somado à elevada utilização da capacidade instalada da indústria e ao crescimento do PIB acima das expectativas no primeiro trimestre, o cenário fortalece a tese de que o BC poderá adotar um tom mais cauteloso na próxima reunião do Copom.
"A economia continua rodando em velocidade elevada, o que reduz o espaço para cortes de juros no curto prazo e reforça a possibilidade de manutenção da Selic por mais tempo", afirma Spiess.
Destaques da bolsa
Diante do cenário, poucas ações sobem no Ibovespa nesta manhã. Veja a lista de quem tinha ganhos po volta das 11h:
| Empresa (Ticker) | Var. (%) | Preço (R$) | Negócios |
|---|---|---|---|
| CSN (CSNA3) | +1,32% | 6,89 | 2.218 |
| Totvs (TOTS3) | +1,20% | 32,13 | 4.888 |
| Usiminas (USIM5) | +1,13% | 10,77 | 3.708 |
| Direcional (DIRR3) | +0,75% | 13,47 | 897 |
| B3 (B3SA3) | +0,61% | 16,60 | 4.364 |
| BB Seguridade (BBSE3) | +0,58% | 34,78 | 1.607 |
| Caixa Seguridade (CXSE3) | +0,57% | 17,54 | 2.068 |
| Santander Brasil (SANB11) | +0,55% | 27,37 | 834 |
Veja os destaques negativos do pregão no mesmo horário:
| Empresa (Ticker) | Var. (%) | Preço (R$) | Negócios |
|---|---|---|---|
| Braskem (BRKM5) | -3,95% | 10,69 | 1.251 |
| PetroReconcavo (RECV3) | -2,94% | 11,24 | 992 |
| Vivara (VIVA3) | -2,80% | 21,53 | 2.211 |
| Minerva (BEEF3) | -2,77% | 3,86 | 1.705 |
| Prio (PRIO3) | -2,41% | 61,45 | 3.299 |
| Axia Energia ON (AXIA3) | -2,26% | 51,51 | 4.557 |
| Axia Energia PN (AXIA6) | -2,14% | 56,66 | 2.012 |
| Cosan (CSAN3) | -2,03% | 3,86 | 4.640 |
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