A farra da IA ficou séria: lucro dá as caras e S&P 500 vive um dos melhores momentos da história
Investimentos bilionários em IA começam a aparecer nos balanços corporativos, impulsionando o S&P 500 mesmo em meio a tensões geopolíticas e juros elevados

Segundo um relatório do BTG Pactual, as empresas do S&P 500 entregaram lucro líquido 16,3% acima das expectativas do consenso para os três primeiros meses do ano, muito acima da média histórica de 6,5%. O crescimento agregado do lucro líquido chegou a 27,5% na comparação anual.
“Em relação à receita líquida, os números vieram apenas 2% das projeções, indicando que a maior parte do crescimento segue sendo impulsionada pela alavancagem operacional e maior participação das empresas de tecnologia e comunicação no lucro líquido consolidado do S&P 500”, escreveu o time de análise.
O otimismo também apareceu na bolsa americana. O S&P 500 já se valorizou 8,7% em 2026, após registrar em abril o quarto melhor desempenho para o mês desde 1928. O movimento continua sendo sustentado principalmente pelas revisões positivas de lucro nos setores de tecnologia e energia, mesmo em meio a um cenário macroeconômico mais turbulento, com a guerra no Oriente Médio.
Mas, para o banco, o ponto mais importante desta temporada não foi o desempenho isolado de uma ou outra companhia, e sim a consistência com que os investimentos em inteligência artificial começaram a se traduzir em resultados financeiros ao longo de praticamente toda a cadeia produtiva.
IA começa a sair do “power point” e entrar no balanço
Empresas como TSMC, maior fabricante de semicondutores do mundo, e ASML, líder global em máquinas de litografia para produção de chips, superaram as expectativas no segmento de equipamentos e fabricação voltados à IA, enquanto a Lam Research, especializada em equipamentos para a indústria de semicondutores e memória, se destacou em soluções de memória.
Já ServiceNow, focada em softwares corporativos e automação empresarial, e SAP, gigante alemã de softwares de gestão corporativa, entregaram resultados acima do esperado em plataformas alimentadas por inteligência artificial.
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A onda também chegou à infraestrutura. A GE Vernova, companhia voltada para geração de energia e equipamentos elétricos, e a Baker Hughes, fornecedora de equipamentos e serviços para os setores de energia e indústria, surpreenderam positivamente em segmentos ligados à expansão de data centers e infraestrutura elétrica.
Enquanto isso, a Digital Realty, uma das maiores operadoras globais de data centers, revisou seu guidance para cima diante da demanda recorde por contratos de colocação.
E as gigantes?
As próprias “7 Magníficas” deram o tom dessa temporada de resultados. A Alphabet apresentou um dos balanços mais fortes do trimestre, impulsionada pelo crescimento de 63% do Google Cloud na comparação anual, além de um backlog robusto de US$ 460 bilhões.
A Amazon também reforçou a tese estrutural da computação em nuvem. A AWS cresceu 28% no período, marcando a maior expansão em 15 trimestres, enquanto a companhia segue acelerando investimentos em infraestrutura ligada à inteligência artificial.
Já a Microsoft mostrou que a demanda por IA continua aquecida. O Azure avançou aproximadamente 40% na comparação anual, embora o aumento do capex tenha pressionado a percepção do mercado sobre margens futuras.
Mas a principal vitrine da corrida da IA continua sendo a Nvidia. A fabricante de chips reportou receita de US$ 81,6 bilhões no trimestre, um salto de 85% na comparação anual. O segmento de data center sozinho gerou US$ 75,2 bilhões, crescendo 92% em relação ao ano passado.
Além disso, a companhia manteve margem bruta próxima de 75% e ainda divulgou projeções acima das expectativas do mercado, reforçando a percepção de que a demanda por infraestrutura de IA continua longe de desacelerar.
Nem todos ganharam
Nem todas as empresas, porém, conseguiram surfar a onda na mesma intensidade. O BTG destacou que setores mais tradicionais, como o industrial, tiveram desempenho relativamente mais fraco na temporada, mesmo negociando próximos de máximas históricas de valuation.
Ainda assim, a leitura geral do banco é de que o mercado norte-americano continua sendo impulsionado principalmente pelo crescimento dos lucros — e não apenas por expansão de múltiplos, como aconteceu em outros ciclos de euforia tecnológica.
Para o BTG, esse talvez seja o sinal mais importante da temporada: a inteligência artificial começou a deixar de ser apenas uma promessa de futuro para virar crescimento concreto de receita, margem e lucro dentro dos balanços corporativos.
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