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BYE BYE, BRASIL

Os estrangeiros estão de saída e já tiraram R$ 8,9 bilhões da Bolsa em maio — na contramão, o investidor local está segurando as pontas

Foco global em IA e tecnologia drena liquidez de mercados de commodities diante da volatilidade e incerteza da guerra

Imagem: IA/Copilot

O otimismo que marcou a entrada avassaladora de investidores estrangeiros na Bolsa brasileira no início de 2026 parece ter dado lugar a uma cautela rigorosa em pouco tempo.

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Segundo o relatório mais recente da XP, o fluxo de capital estrangeiro na B3 vive um momento de reversão que começou em abril e se intensificou em maio.

Na primeira metade de abril, os estrangeiros registraram R$ 14,6 bilhões de entradas líquidas no mercado à vista. Já na segunda metade, o movimento virou para R$ 11,5 bilhões de saídas líquidas. Como resultado, abril terminou com um saldo positivo de R$ 3,1 bilhões.

Porém, maio dá sinais de que será o primeiro mês do ano com um saldo negativo de fluxo dos gringos.

Maio: a saída ganha força

A sangria de abril não estancou na virada do mês. De acordo com os dados da B3, até o dia 18 de maio, os estrangeiros continuam retirando recursos do mercado de ações brasileiro.

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A saída líquida já somou R$ 8,89 bilhões no período.

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Com isso, o saldo positivo do acumulado do ano (YTD) caiu para R$ 48,15 bilhões, frente aos R$ 57 bilhões até o fim de abril.

Por que os estrangeiros estão saindo?

Para a equipe da XP, liderada por Fernando Ferreira, essa reversão reflete uma mudança de prioridade de alocação no cenário global.

Os fundos estrangeiros voltaram a focar no setor de tecnologia e nos negócios de Inteligência Artificial (IA). O movimento favorece as bolsas dos Estados Unidos e mercados emergentes asiáticos com mais participação tecnológica, como Taiwan e Coreia do Sul.

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Em contrapartida, mercados focados em commodities e teses de valor, como o Brasil, perdem atratividade nesse rearranjo de portfólios.

Além disso, a alta nas taxas dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasurys) por causa da incerteza gerada pela guerra contra o Irã drena a liquidez de emergentes. Com os bonds soberanos pagando mais, o prêmio de risco brasileiro fica menos convidativo.

Nesta quarta-feira (20), o rendimento (yield) do Treasury de 10 anos estava em 4,577% após atingir o maior patamar desde janeiro de 2025 na terça-feira, chegando a 4,678%.

Nessa nova dinâmica, o Ibovespa deixa de ser a escolha preferencial de estrangeiros, como vinha sendo nos últimos meses. E sem esse fluxo, o recuo do índice de ações brasileiras se aprofunda. De meados de abril para cá, o Ibovespa recua cerca de 10%.

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Gringos vendem, local compra

Enquanto o gringo oscila, o investidor institucional local mantém sua postura vendedora ferrenha. Abril marcou o oitavo mês consecutivo de saídas líquidas desse grupo, que retirou R$ 9,4 bilhões do mercado à vista de ações no mês.

No entanto, em maio, até o dia 14, o saldo era positivo: R$ 2 bilhões em entradas líquidas.

No mesmo caminho, o investidor individual (varejo) se mostrou o principal comprador em maio, aportando R$ 2,7 bilhões no mercado à vista até metade do mês.

A ver se irá se sustentar até o final do período.

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