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As ações dos bancos ficaram para escanteio, diante do temor dos investidores do estrago potencial com a entrada das novas empresas de tecnologia no setor financeiro, mas vêm sendo redescobertas pelo mercado
Desde que trocamos as cavernas pela vida em sociedade, o sistema financeiro evoluiu do escambo às moedas e tornou-se cada vez mais sofisticado para acompanhar as necessidades humanas. Essa evolução levou tempo: foram quinhentos anos entre o surgimento do primeiro banco “oficial” da história — o italiano Banco Di San Giorgio, em 1406 — e o primeiro caixa eletrônico, em 1967.
De lá para cá, porém, a distância na linha do tempo entre as grandes inovações bancárias vem diminuindo. A transformação digital chegou também às finanças e, em menos de cinco décadas, a maior parte dos serviços oferecidos pelos caixas eletrônicos já estão disponíveis em aplicativos de celulares.
As inovações mais recentes foram, em grande parte, impulsionadas pelo surgimento das fintechs, startups que desenvolvem produtos financeiros totalmente digitais. Os bancos tradicionais resistiram às mudanças e abriram espaço para que as novas empresas conquistassem os consumidores com as praticidades do mundo online.
Agora, com as fintechs cada vez mais em evidência, essas instituições lutam para reconquistar a clientela. Nem todas serão bem-sucedidas e — como o Banco Di San Giorgio — poderão ficar para trás e transformar-se apenas em lembranças na história do sistema financeiro.
Os grandes bancos brasileiros, que pareciam não ter concorrentes à altura até bem pouco tempo atrás, agora correm para se adaptar aos novos tempos. O Itaú Unibanco (ITUB4) reconhece que demorou a reagir e perdeu participação de mercado e rentabilidade, mas, segundo o diretor de relações com investidores, Renato Lulia Jacob, prepara-se para perseguir as fintechs em seu próprio terreno.
Com uma marca reconhecida, uma “montanha” de dados — o ouro das empresas digitais — e uma base de 60 milhões de clientes, o banco promete um “salto quântico” que o levará direto para o ponto mais evoluído na linha do tempo financeira.
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Essa disposição para defender o território, junto com o processo de alta dos juros, deve favorecer as ações dos bancos e, em particular, do Itaú. Mesmo às vésperas do IPO do Nubank, que pode ultrapassar o valor de mercado do Itaú nos Estados Unidos, ITUB4 é mais uma vez o campeão de indicações entre as corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro, com quatro recomendações. A ação do bancão aparece na lista das Ações do Mês pela quarta vez consecutiva.
Quem também garantiu mais um mês entre os papéis preferidos dos analistas foi a JBS (JBSS3). Indicada por três corretoras, a ação do frigorífico é novamente prata no pódio do Seu Dinheiro.
Vale destacar ainda as ações de BB Seguridade (BBSE3), Gerdau (GGBR4) e Porto Seguro (PSSA3) que, apesar de não conquistarem tantos analistas quanto às duas primeiras, empataram na medalha de bronze, com duas menções cada.
Confira aqui todos os papéis apontados pelas 14 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro:
Entendendo a Ação do Mês: todos os meses, o Seu Dinheiro consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são suas apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 ações, os analistas indicam as suas três prediletas. Com o ranking nas mãos, selecionamos as que contaram com pelo menos duas indicações.
As ações dos bancos ficaram para escanteio num passado recente, diante do temor dos investidores do estrago potencial com a entrada das novas empresas de tecnologia no setor financeiro, mas vêm sendo redescobertas pelo mercado.
Dentro do setor, o Itaú vem se sobressaindo entre as recomendações dos analistas consultados pelo Seu Dinheiro. E, de fato, não é de qualquer um que estamos falando aqui, mas sim do maior banco privado do Brasil. O Itaú Unibanco é mais uma vez um dos preferidos da Ativa, Guide e Santander, e entrou também para o top 3 da Mirae em novembro.
O lucro líquido do gigante financeiro superou as expectativas dos analistas e avançou 34,8% entre julho e setembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram registrados R$ 6,7 bilhões nessa linha do balanço, divulgado na quarta-feira (4).
Um dos combustíveis para a arrancada no lucro é a carteira de crédito da financeira, que encerrou o trimestre em R$ 962 bilhões. A alta foi de 5,9% em três meses e de 13,6% na base anual. O ritmo está acima das projeções do banco, que espera um avanço de até 11,5% no crédito em 2021.
Somado aos resultados de respeito, o fôlego para alcançar as fintechs no digital ao mesmo tempo em que mantém a excelência nos serviços físicos e extensa gama de serviços também conquista os analistas.
Para a Ativa, a estratégia phygital, voltada à atender ao cliente no local e modo de sua preferência, “irá preparar o banco para o aumento da competitividade com as fintechs, trazendo os investimentos em tecnologia necessários, mas sem perder os importantes diferenciais que o atendimento presencial possui”.
Ainda segundo o balanço, o Iti bateu os 10 milhões de clientes no terceiro trimestre, com 2,2 milhões de novos CPFs no período. Dentro da marca expressiva, o banco destaca que 85% dos novos clientes não possuem contas ativas no Itaú — ou seja, foram atraídos diretamente pela marca digital.
Ao todo já são 5,7 milhões de novos clientes digitais neste ano, considerando o aplicativo Itaú. Segundo o projeto iVarejo 2030, a financeira quer quadruplicar suas vendas online até 2025. O objetivo é que 50% das receitas venham desses canais no mesmo ano.
Por fim, um empurrãozinho do cenário macroeconômico deve engordar os lucros do Itaú nos próximos trimestres: o ciclo de alta da Selic. A taxa básica de juros brasileira, que influencia as taxas cobradas no crédito pessoal e imobiliário, engatou seis elevações seguidas neste ano e promete subir ainda mais antes do final de 2021.
Segundo a Mirae, o esperado é que o banco “capture esses eventos e apresente lucro sólido e crescente ao longo dos próximos trimestres”.
As ações ITUB4 acabaram reagindo em queda ontem, após comentários mais negativos da administração do banco sobre a trajetória da inadimplência. Mas a perspectiva para os próximos segue positiva, até porque o Itaú segue com o balanço reforçado pelas provisões que fez logo no começo da pandemia da covid-19.
A JBS também é figurinha repetida no pódio das ações mais recomendadas para novembro, em segundo lugar. A gigante de alimentos brasileira manteve-se como uma das escolhas preferidas da Guide, Nova Futura e Warren.
Em mais um mês de tombo do Ibovespa, que acumulou queda de 6,74%, os papéis da empresa seguiram acompanhando a valorização dos preços de cortes de carne no mercado internacional, assim como a alta do dólar, e subiram 1,72%.
A Ativa destaca que a companhia “possui uma fonte de receitas diversificada, atuando em diversas geografias em todos os segmentos de proteína animal”. Com isso, sua fragilidade quanto aos ciclos e geografias específicas — incluindo os ruídos fiscais vindos de Brasília que andam prejudicando outras ações da bolsa — é reduzida.
Além disso, a Guide espera que a companhia — dona de marcas como Friboi, Seara, Swift, Primo, Pilgrim’s Pride, Moy Park e Just Bare, que atendem a mais de 275 milhões de clientes em aproximadamente 190 países — anuncie novas aquisições ao longo dos próximos meses.
Uma delas já chegou aos noticiários e marca a entrada da JBS no ramo da aquicultura. A companhia recebeu na quarta-feira (3) a aprovação para a compra da Huon Aquaculture, produtora de salmão australiana.
Mas, apresentando ou não novas compras, a corretora reforça sua confiança em relação às ações da empresa, “que vem reportando robustos resultados operacionais e geração de caixa, além de boa alocação de capital excedente”.
Apesar de outubro ser conhecido como o mês das bruxas, foi a decepção fiscal a responsável por aterrorizar a bolsa no período. Com o furo no teto de gastos para bancar o Auxílio Brasil, programa social sucessor do Bolsa Família, o governo mostrou aos investidores uma ausência de compromisso fiscal que caiu como uma bomba entre os ativos de risco.
Além disso, o drible marcou mais uma derrota de Paulo Guedes e levou à saída de mais membros importantes da equipe econômica. O ministro decidiu permanecer à frente da pasta e aliviou parte dos temores, mas o saldo final foi uma queda de 6,74% do Ibovespa.
Em um mês no qual apenas 12 ações do índice tiveram desempenho positivo, os papéis do Itaú (ITUB4), campeão de outubro, recuaram 2,96%. Longe de se comemorar, é claro, mas pelo menos foi um resultado melhor que o do principal índice da B3.
As medalhas de prata do mês passado — JBS (JBSS3) e o ETF iShares S&P 500 (IVVB11) — foram duas das poucas sobreviventes à carnificina.
Quem seguiu as indicações da Ação do Mês e comprou o fundo de índice (ETF) que segue o principal índice do mercado norte-americano obteve retorno de 11,11%. Veja a lista completa:
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