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Em entrevista ao Seu Dinheiro, Juliano Cecílio diz que investidores ainda analisam a inteligência artificial com "modelos antigos" e perdem de vista o potencial

Comprada em tecnologia norte-americana, positiva para o dólar e cética com boa parte dos ativos globais, a Adam Capital construiu uma de suas principais apostas em torno de uma tese simples: o mercado ainda não entendeu o tamanho da revolução da inteligência artificial (IA).
Para a gestora, a corrida bilionária por chips, data centers e capacidade computacional que domina Wall Street não representa os momentos finais de um ciclo de euforia.
Representa os primeiros passos de uma transformação econômica que ainda está longe de atingir sua escala máxima.
Enquanto investidores discutem se as gigantes de tecnologia já subiram demais, a Adam Capital aposta que a inteligência artificial continua sendo uma das teses mais subestimadas do mercado global.
"Nossa divergência está aí. O mercado entende que a IA está chegando no limite. A gente vê tudo nos estágios iniciais e o processo é exponencial", afirma o sócio e economista-chefe, Juliano Cecílio.
Na visão do economista, o mercado continua analisando a IA como se estivesse avaliando mais um ciclo tecnológico.
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Mas a gestora enxerga algo diferente: uma mudança estrutural na produtividade global capaz de redefinir a alocação de capital, fortalecer ainda mais os EUA e ampliar a distância entre os vencedores e perdedores da próxima década.
A convicção é tão forte que ela ajuda a explicar algumas das principais posições da casa hoje.
A Adam segue comprada em tecnologia nos EUA, mantém uma visão positiva para o dólar e avalia que boa parte do restante do mundo — especialmente economias com baixa produtividade — terá dificuldade para acompanhar o ritmo da transformação.
"É um ciclo que está ainda na antessala do início dele", afirma Cecílio.
Para a Adam Capital, comparar o momento atual à bolha da internet dos anos 2000 é uma leitura equivocada.
Para Cecílio, a diferença fundamental é que a atual onda tecnológica já produz ganhos concretos de produtividade e rentabilidade para as empresas que estão na fronteira do desenvolvimento.
"O mercado entende que está chegando no limite. A gente entende que é um ciclo que está ainda na antessala do início dele", afirma.
Na visão do economista, a principal evidência disso está nos resultados das próprias empresas que lideram essa revolução.
Os lucros gerados pelos investimentos em inteligência artificial estão crescendo em ritmo superior ao esperado e já começam a justificar o volume recorde de capital direcionado ao setor.
"O lucro das empresas ligadas à inteligência artificial está explodindo em uma derivada muito maior do que o esperado. O que acontece é que as pessoas não conseguem entender o mecanismo da IA e aplicam modelinhos clássicos de finanças para uma situação totalmente nova."
Na visão da gestora, o aumento contínuo dos investimentos em data centers, infraestrutura e desenvolvimento de modelos não seria uma aposta especulativa, mas uma resposta direta aos retornos que essas companhias já estão observando.
"O lucro é um indicador antecedente do investimento. Google, Amazon e Microsoft estão investindo cada vez mais porque enxergam retorno econômico real. Essas empresas não colocam centenas de bilhões de dólares em um projeto simplesmente porque está na moda."
Na visão da Adam Capital, a verdadeira oportunidade em IA não está apenas na construção da infraestrutura necessária para sustentar essa revolução, mas principalmente na fase seguinte: a disseminação da tecnologia pela economia global.
Hoje, segundo Cecílio, a adoção corporativa ainda é limitada diante do potencial existente.
Embora ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Grok tenham se popularizado, a utilização da tecnologia em larga escala pelas empresas ainda estaria apenas começando, prevê o economista.
Na avaliação de Cecílio, a inteligência artificial está ampliando a vantagem competitiva dos Estados Unidos em relação ao restante do mundo e deve continuar atraindo capital, talentos e investimentos globais para a economia norte-americana.
"Além dessa ponta mais otimista com inteligência artificial nos Estados Unidos, existe um diagnóstico de que o resto do mundo vai sofrer. Vai sofrer saída de capitais e saída de cérebros para os Estados Unidos."
Segundo o economista, o fluxo global de recursos tende a continuar migrando para onde a produtividade cresce mais rápido.
"O retorno marginal do capital é muito maior na fronteira tecnológica norte-americana."
Para a gestora, o fortalecimento da economia dos EUA impulsionado pela inteligência artificial acaba produzindo um efeito em cascata: mais lucros, mais investimentos, maior atração de capital internacional e, consequentemente, mais suporte para o dólar.
Na avaliação da gestora, o fortalecimento da moeda norte-americana não depende necessariamente de quem ocupa a Casa Branca.
Mesmo diante de ruídos políticos, como as sinalizações de Donald Trump por um dólar mais fraco, a Adam mantém a convicção de que os fundamentos microeconômicos atropelam a retórica.
Para Cecílio, o retorno marginal do capital na fronteira tecnológica dos EUA é tão superior ao resto do mundo que a valorização da moeda norte-americana se torna inevitável.
"A trajetória de qualquer moeda independe do governante. O fato de um governante querer algo não implica que a sua moeda vai naquela direção", avalia.
Para Cecílio, o fluxo global de capital continuará sendo direcionado para os lugares onde a produtividade cresce mais rapidamente — e hoje nenhum mercado reúne condições tão favoráveis quanto os Estados Unidos.
Segundo Cecílio, mesmo após a explosão de popularidade de ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Grok, a penetração corporativa ainda é pequena quando comparada ao universo de setores que podem ser transformados.
"Quando olhamos para a economia como um todo, quase ninguém está usando isso ainda."
Na avaliação do economista, as primeiras empresas que incorporaram IA em seus processos já começam a colher ganhos relevantes de produtividade, redução de custos e eficiência operacional.
"Você já vê aplicações em medicina, direito, engenharia, economia, arquitetura, turismo. É um divisor de águas."
Para a Adam, a grande mudança ainda está por vir justamente porque a penetração dessas ferramentas permanece em estágio inicial.
"A disseminação disso na economia ainda é muito pequena. E é exatamente por isso que entendemos que esse processo tem potencial para continuar surpreendendo o mercado por muitos anos."
Para a Adam, é justamente essa baixa penetração que sustenta a tese de que a inteligência artificial continua sendo uma das oportunidades mais subestimadas dos mercados globais.
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