Ibovespa aos 193 mil pontos? Inter vê espaço para nova disparada da bolsa brasileira
Analista do Inter enxergam uma “janela de oportunidade” no Ibovespa para investidores

Depois de um verdadeiro rali da bolsa brasileira no início do ano, os investidores viram a animação com os ativos locais minguar. Ainda assim, há quem veja um arco-íris após a tempestade. Mesmo com a forte correção entre o fim de abril e o início de junho, o Inter segue otimista com o Ibovespa e vê uma “janela de oportunidade” para investidores.
O banco revisou as estimativas e projeta que o principal índice da bolsa brasileira deve chegar aos 193 mil pontos no fim deste ano.
A projeção implica um potencial de valorização de 13% sobre a pontuação de fechamento do último pregão. Na sexta-feira (12), o Ibovespa encerrou as negociações aos 171 mil pontos.
Além disso, o Inter prevê o índice aos 210 mil pontos em 2027, o que representa um potencial salto de 23% ante os níveis atuais.
A bolsa está barata?
Para o analista do banco, Rafael Winalda, a bolsa ainda está ‘barata’ e ‘muito atrativa’, a considerar que o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) está negociado abaixo da média histórica de 10 vezes P/L.
Nas contas do Inter, o preço-alvo de 193 mil pontos implica um múltiplo de 9,5 vezes P/L, nível que o banco considera “justo, conservador e que oferece uma excelente margem de segurança para o investidor”.
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- Explicando: P/L indica quanto o investidor está pagando por cada real de lucro que as empresas geram. Se o P/L é baixo, dizemos que a bolsa está “barata”.
A projeção, segundo Inter, já considera as incertezas associadas ao conflito no Oriente Médio, alta nos preços do petróleo, os receios persistentes com a inflação global e a volatilidade do ciclo eleitoral.
Vale lembrar que esses fatores pressionaram o Ibovespa nas últimas semanas e contribuíram para a queda de 7,2% registrada em maio.
“Essa abordagem demonstra que não precisamos contar com cenários mágicos ou lucros astronômicos; basta que as empresas entreguem o que é esperado no meio-termo para que a bolsa destrave um valor
considerável e caminhe para o nosso alvo”, diz Winalda.
Resultados do 1T26 reforçam tese positiva para o Ibovespa
No relatório, o analista Rafael Winalda afirmou que os resultados corporativos do primeiro trimestre deste ano vieram bastante alinhados ao que os analistas aguardavam, sem grandes sobressaltos.
Na avaliação dele, a temporada de balanços do 1T26 revelou uma forte resiliência operacional, com receitas agregadas crescendo 7% na comparação anual, acima da inflação.
“Ao observarmos o detalhamento, notamos que as receitas das companhias conseguiram
surpreender de forma mais positiva no período", avalia Winalda.
"Em contrapartida, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) chamou a atenção por um salto expressivo na proporção de empresas que reportaram números rigorosamente em linha com as expectativas, reduzindo a taxa de surpresas positivas em relação aos trimestres anteriores”, completa.
“O lucro líquido também seguiu uma toada mais contida. Historicamente, a média aponta que cerca de 51% das empresas costumam superar as estimativas na última linha do balanço, mas, neste primeiro trimestre, esse indicador ficou um pouco mais modesto, beirando a casa dos 49%”, acrescenta o analista.
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