O alerta do BofA para as ações substitutas da renda fixa — e onde buscar refúgio para blindar dividendos
Bank of America adota tom pessimista para as chamadas bond proxies no Brasil em meio à Selic elevada; saiba quais papéis ainda valem a pena com base na tese do banco

Se você é daqueles investidores que adora buscar refúgio nas ações de empresas com receitas previsíveis e bons pagamentos — as famosas bond proxies, consideradas substitutas da renda fixa —, é melhor apertar os cintos.
O Bank of America ficou mais cauteloso com esse grupo específico de ações da bolsa brasileira e mudou as preferências dentro desse universo.
O motivo: o banco norte-americano revisou para cima a projeção para a taxa Selic e prevê um ambiente externo pior, por isso, passou a preferir empresas menos endividadas nessa categoria.
As bond proxies brasileiras
Antes de entender a mudança, vale explicar o conceito. Bond proxy é uma expressão em inglês que significa, literalmente, “substituto de título de renda fixa”.
Na prática, são ações de empresas com fluxo de caixa previsível e receitas que tendem a crescer no ritmo da inflação — características que as tornam parecidas com investimentos de renda fixa, como títulos do Tesouro.
No Brasil, o BofA enquadra nessa categoria empresas dos setores de energia elétrica, saneamento, rodovias, ferrovias, shoppings e telecomunicações. Pense em companhias como Equatorial, Sabesp, Rumo e Vivo.
Leia Também
Essas ações têm uma característica importante: elas se movem, em geral, na direção contrária aos juros. Quando a Selic cai, ficam mais atraentes — porque a renda fixa rende menos e o investidor busca alternativas com retorno maior. Quando os juros sobem, o movimento é o oposto.
Por que o BofA ficou mais cauteloso?
O Bank of America revisou a projeção para a Selic ao fim de 2026 de 13,25% para 14,25% — e para o fim de 2027, de 12,50% para 13,25%. Ou seja, os juros devem ficar mais altos por mais tempo do que se esperava.
Dois fatores explicam essa revisão. O primeiro é doméstico: o governo brasileiro adotou uma série de medidas de estímulo fiscal que, na avaliação do BofA, pressionam a inflação e, portanto, exigem juros mais elevados.
O segundo é externo: o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve manter uma postura mais dura em relação aos juros nos EUA, o dólar está se fortalecendo globalmente e os ativos ligados à inteligência artificial (IA) seguem dominando o apetite dos investidores internacionais — o que deixa a América Latina em desvantagem na disputa por capital estrangeiro.
Leia também:
- ‘O ajuste só vem pela dor’: sócio da gestora de fundo que rendeu quase 3000% do CDI em maio diz por que aposta na alta no dólar e contra o Ibovespa
- “O mercado não entendeu a inteligência artificial”, diz economista-chefe da Adam Capital; para gestora, revolução está só começando
Quais ações o BofA prefere agora?
Nesse cenário de juros altos e incerteza, o BofA passou a preferir as bond proxies menos alavancadas, ou seja, empresas com menor nível de dívida.
A lógica é simples: empresas muito endividadas sofrem mais quando os juros sobem, porque o custo do serviço da dívida aumenta e corrói os lucros. Confira a lista a seguir:
Axia Energia (AXIA3)
O banco vê a ação como barata. Pelo modelo do BofA, o mercado está precificando a energia da empresa a cerca de R$ 210 por megawatt-hora, enquanto a projeção do próprio banco é de R$ 260/MWh. Essa diferença representa potencial de valorização. A taxa interna de retorno (TIR) real estimada é de 15%, com duração de fluxo de caixa de 8 anos.
Eneva (ENEV3)
A empresa de energia termelétrica deve surpreender positivamente, segundo o BofA, graças ao comércio de gás natural liquefeito (GNL), à alta utilização de suas usinas e ao crescimento de capacidade. O banco projeta crescimento de 35% ao ano no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) entre 2026 e 2029. TIR real estimada de 14%, também com duration de 8 anos.
Motiva (MOTV3)
No setor de transportes (rodovias), o BofA trocou a preferência anterior por Motiva, justamente por causa do cenário de juros mais altos. A empresa tem baixo duration de fluxo de caixa (6 anos) — o que a torna menos sensível à variação dos juros —, alavancagem baixa (dívida líquida inferior a 3 vezes o Ebitda) e valuation atraente, com TIR real de 13,5%.
O banco também destaca a Equatorial (EQTL3) como opção para quem acredita em queda dos juros no longo prazo, dado o valuation atrativo (TIR real de cerca de 12%) e duration longo de fluxo de caixa (11 anos), que se beneficia mais quando as taxas recuam.
Lula ou Flávio Bolsonaro? A estratégia de investimentos para atravessar as eleições 2026
As ações que o BofA evitaria agora
Telecomunicações — Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3)
O banco mantém visão negativa. As ações já caíram após resultados fracos no primeiro trimestre de 2026, mas o BofA considera que o valuation ainda não é suficientemente atrativo para compensar os riscos, já que a TIR real implícita é de apenas 8,5% para a Vivo e 8,3% para a TIM.
Shoppings — Allos (ALOS3), Iguatemi (IGTI11) e Multiplan (MULT3)
O BofA vê perspectiva limitada para o setor, sem gatilhos claros de valorização, crescimento modesto de lucros e sem revisões positivas de estimativas à vista.
A Allos ainda é a preferida dentro do grupo, pelo dividendo elevado — yield estimado de 13% para 2026.
Ecorodovias (ECOR3)
Apesar de aparecer com o valuation mais atrativo entre as rodovias (TIR de 18%), a empresa tem alavancagem elevada — dívida líquida acima de 4,5 vezes o Ebitda — e compromissos de investimento muito pesados (cerca de R$ 60 bilhões, 11 vezes o valor de mercado da companhia).
Em um ambiente de juros altos, essa combinação torna a relação risco-retorno menos favorável, segundo o banco.
O que o investidor deve saber
Em um cenário de juros altos, nem toda bond proxy é igual. Empresas com muita dívida ficam mais vulneráveis porque os custos financeiros aumentam.
Já empresas menos alavancadas, com fluxo de caixa previsível e valuation descontado, podem oferecer uma relação mais favorável entre risco e retorno.
Vale lembrar ainda que o BofA usa como métrica principal a TIR real implícita — uma forma de medir o retorno que o investidor obteria comprando a ação hoje e recebendo os fluxos de caixa futuros projetados, descontados pela inflação.
Quanto maior essa taxa em relação aos juros reais dos títulos públicos brasileiros, mais atrativa é a ação na comparação com a renda fixa.
A RAZÃO DA QUEDA
A derrocada da bolsa: estudo mostra que crises globais estão por trás dos maiores tombos do Ibovespa
26 de outubro de 2026 - 18:15RESSACA ELEITORAL
Fundos imobiliários sentem mudança de humor dos mercados com vitória de Lula e devolvem todo ganho desde o 1º turno
26 de outubro de 2026 - 16:04O QUE VEM POR AÍ
Tombo de 20% do Ibovespa e dólar acima de R$ 5,50 são os novos normais? JP Morgan diz o que o investidor deve esperar
26 de outubro de 2026 - 15:31DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus
O teto do INSS hoje é de R$ 8.475,55, mas grupo de investidores recebeu o dobro com esse sistema; entenda
25 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #293
Eleições podem destravar IPOs e novas emissões de dívida no Brasil? CEO da Nero Capital responde
23 de outubro de 2026 - 18:56O EFEITO DAS URNAS
Depois de lucrar com a alta do Ibovespa, tubarões se protegem no mercado, de olho em eleição mais acirrada
23 de outubro de 2026 - 17:53MERCADO DE FIIs
Fundo imobiliário ALZR11 vai ao mercado em busca de até R$ 530,5 milhões; veja os detalhes
23 de outubro de 2026 - 14:28SMALL CAPS EM ALTA
10 small caps que saltaram mais de 50% em outubro e lideram rali histórico na bolsa
23 de outubro de 2026 - 13:13NOVAS VITRINES
Allos (ALOS3) mira gestão de fundos imobiliários e vende fatias de shoppings à Kinea; confira os detalhes da parceria
23 de outubro de 2026 - 12:30AS 3 ESTAÇÕES
Ganho de até 50% em dólares: as ações que florescem na primavera da bolsa brasileira
22 de outubro de 2026 - 19:45MUDOU A META?
Meta (META) cai mais de 7% após balanço; veja 3 pontos para prestar atenção, segundo o Safra
22 de outubro de 2026 - 14:32PODCAST TOUROS E URSOS