Imune às eleições e à guerra: gestores abrem carteira e indicam suas apostas vencedoras para ações e renda fixa
Diante da volatilidade de conflitos e cenário político, gestores preferem posições defensivas e mais bem posicionadas no contexto local e internacional

A guerra mudou todo o cenário que estava desenhado para 2026: ciclo de queda de juros no mundo, enfraquecimento do dólar e diversificação global de carteira. Neste momento, gestores se preparam para juros maiores globalmente, fortalecimento do dólar e fluxo de capital de volta aos Estados Unidos.
Pelo menos é essa a expectativa dos gestores da Kapitalo, Avenue e Monte Bravo. Em evento nesta sexta-feira (12), Bruno Mauad, Daniel Haddad e Pier Mattei, respectivamente, defenderam uma posição defensiva para a carteira de investimentos, capaz de navegar nas incertezas atuais do Brasil e do mundo.
Mauad, da Kapitalo, acredita que o Ibovespa e o Brasil ainda têm chances de sustentar uma boa alocação e conseguir segurar algum nível de capital estrangeiro. Entretanto, essas oportunidades se concentram em alguns nomes específicos.
“O nível de preços das commodities está interessante e não vemos gatilhos para cair no curto prazo. Nossa maior parcela da carteira está alocada em exportadoras, pensando na sustentação desses preços”, disse o gestor.
- LEIA TAMBÉM: A maré virou para a bolsa brasileira? BTG corta recomendação e esfria aposta no Brasil — e ele não é o único
As apostas da Kapitalo
Quando Mauad fala em commodities, ele está se referindo principalmente ao petróleo, minério de ferro, cobre e outros metais básicos.
O gestor destacou a Usiminas (USIM5) como um nome de sucesso desse setor. A empresa está com o endividamento controlado e bem-posicionada para se beneficiar do melhor momento para o aço.
Leia Também
Outro exemplo é a Vale (VALE3). Para além do setor de minério, Mauad acredita que a mineradora pode ganhar com a venda de cobre e outros metais básicos necessários no setor de tecnologia, na infraestrutura e resfriamento de data centers, por exemplo.
Metais preciosos também estão na aposta da casa — especificamente o ouro. Mauad afirmou que a exposição se dá via Aura Minerals (AURA33). A casa acredita que o metal é a melhor escolha defensiva diante dos conflitos geopolíticos. Não a guerra EUA-Irã, especificamente, mas os atritos do país norte-americano com a China e a própria escolha dos bancos centrais globais de aumentarem a reserva de valor.
“A situação com o Trump e as guerras fizeram vários países repensarem o dólar como escolha de moeda. O ouro é aceito há cinco mil anos no mundo inteiro. Vai mudar agora? Bem na minha vez? Acho que não”, brincou o gestor.
O setor de consumo também está na carteira da Kapitalo, segundo Mauad, mas com baixo peso e nomes muito específicos. O gestor acredita que, em uma situação de melhora no cenário dos juros, essas empresas podem disparar na bolsa.
As escolhas da casa são Lojas Renner (LREN3) e Natura (NATU3).
A renda fixa vencedora para a Monte Bravo
Embora os juros estejam pagando 14,5% ao ano, com baixo risco, só deixando o dinheiro parado na conta, para a Monte Bravo o foco da renda fixa não é o retorno, mas a proteção da carteira.
O CEO e cofundador da Monte Bravo, Pier Mattei, disse no evento que a principal escolha da casa são os títulos públicos indexados à inflação: NTN-B, no jargão financeiro, ou Tesouro IPCA+, na plataforma do Tesouro Direto.
Atualmente, o Tesouro IPCA+ está pagando 8% de juros acima da inflação. Trata-se de um retorno histórico para o papel.
Para o gestor, com esse nível de taxa, o papel pode ser uma opção defensiva ou uma opção de lucro significativo. Tudo depende dos próximos passos da política monetária e financeira do próximo governo federal.
Em outras palavras, tudo depende da eleição.
“No pior cenário [de reeleição do governo Lula], as taxas devem estressar até 0,5%, no máximo. Não é um papel que vai dar lucro no preço, mas vai ser defensivo por corrigir a inflação com um bom prêmio”, disse Mattei.
Já no melhor cenário, em que a oposição ganharia e se comprometeria com o ajuste fiscal das contas públicas, o mercado esperaria o corte de juros e de inflação, o que faria o prêmio de 8% cair.
“Neste caso, as taxas de juro real e nominal devem cair bastante, melhorando o preço dos títulos. O ganho com NTN-B pode se aproximar do ganho com bolsa. Coisa de 20%, 25% de valorização”, disse.
A parte em dólar
Por fim, a última recomendação para uma carteira defensiva, segundo os gestores, é a posição em dólar.
Embora a moeda norte-americana registre desvalorização no acumulado de 2026, de 7%, o histórico do dólar frente ao real ao longo do tempo não é positivo para a moeda brasileira.
Haddad, da Avenue, citou de exemplo a disparada da moeda norte-americana entre 2014 e 2015. A taxa de câmbio saiu de R$ 2,2 para R$ 4,2, quase dobrando de valor.
“Na prática, o investidor brasileiro empobreceu em relação ao mundo. Se a pessoa tinha R$ 10 milhões, que equivaliam a quase US$ 5 milhões no início de 2014, em dois anos esse valor caiu para R$ 2,5 milhões”, afirmou o diretor comercial da Avenue.
Para ele, uma parcela entre 20% e 30% do patrimônio em dólar é o mais adequado, independente do perfil de investidor. Essa calibragem do nível de risco deve ser avaliada na escolha de ativos, não na decisão ou não de ter patrimônio em dólar.
Os três gestores, da Kapitalo, Monte Bravo e Avenue, afirmaram que tanto a posição em ações quanto em títulos soberanos dos EUA (Treasurys) são boas escolhas neste momento.
Entre IPOs e aumento de juros
Para além da tese de inteligência artificial, que é concentrada nos EUA, os gestores mencionaram o grande fluxo de dinheiro que está entrando nas bolsas de Wall Street por causa das ofertas iniciais de ações (IPOs) de empresas que chegam bilionárias.
Teve o caso da SpaceX nesta semana, mas também está no radar a chegada de OpenAI e Anthropic.
Mauad, da Kapitalo, afirmou que não é o momento de escolher vencedores. A casa não está posicionada em nomes específicos de IA. Eles preferem companhias que estão indiretamente relacionadas, como mineradoras de minerais críticos, por exemplo.
Entretanto, a posição em S&P 500 e Nasdaq, via ETFs ou ações pontuais, são unanimidade.
Em relação à renda fixa, os Treasurys têm mais força do que o crédito privado, principalmente agora que se vislumbra a possibilidade de o banco central dos EUA aumentar a taxa básica em algum momento deste ano.
Para Mattei, da Monte Bravo, um juro de 2% acima da inflação na renda fixa considerada mais segura do mundo é um ótimo retorno. Pode parecer pouco frente aos 10% de juro real do Brasil, mas esse cálculo frio desconsidera o peso da moeda forte que é o dólar e a segurança que tem o título soberano dos EUA.
“Tem que olhar para o médio e longo prazo. O tempo é o maior aliado do investidor e neste mundo curto prazista de hoje, quem tem paciência sai na frente”, disse Haddad.
NOVA ESCALAÇÃO
Tenda (TEND3) ganha vaga no Ibovespa — mas duas ações ficaram pelo caminho; veja a nova carteira do índice
8 de setembro de 2026 - 12:46MERCADOS HOJE
Petróleo fecha em alta e se aproxima de US$ 100, e China aumenta reservas cambiais e em ouro; veja o dia nos mercados globais
7 de setembro de 2026 - 17:47TROCA-TROCA
Dividendos para setembro: Itaú (ITUB4) e Vale (VALE3) saem da carteira da Rico; veja quem entrou
7 de setembro de 2026 - 16:10SETOR DE CONSTRUÇÃO
Não é MRV (MRVE3) nem Direcional (DIRR3): Itaú BBA acredita que outra ação pode valorizar até 107%
7 de setembro de 2026 - 12:17RENDA PASSIVA
Quem mais pagou dividendos em 2026? Veja o ranking das 10 maiores pagadoras no 2º trimestre
5 de setembro de 2026 - 17:45ESTRATÉGIA DO GESTOR
Nem Tesouro IPCA+, nem crédito: aposta de Stuhlberger agora está na bolsa
5 de setembro de 2026 - 12:01DOIS GIGANTES, DUAS APOSTAS
200 mil ou pé atrás? Os três elementos que decidirão os próximos meses da bolsa brasileira
4 de setembro de 2026 - 18:45ONDE INVESTIR
Onde investir em setembro? Com eleições pegando fogo e uma onda de RJs, veja onde apostar na bolsa, renda fixa, FIIs e exterior
4 de setembro de 2026 - 11:50RADAR DE FIIS
BTLG11 vai às compras e coloca galpões ocupados por Mercado Livre e Amazon no carrinho; veja detalhes da transação de R$ 959 milhões
4 de setembro de 2026 - 9:57FII DO MÊS
Mau humor do mercado deixa fundo imobiliário favorito dos analistas 15% mais barato; veja os FIIs indicados para setembro
4 de setembro de 2026 - 6:04QUAL A VISÃO PARA O FUTURO
Após saída de Steinbruch do cargo de CEO, XP faz alertas para CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3)
3 de setembro de 2026 - 16:48AÇÃO DO MÊS
Analistas elegem Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) para investir em setembro; confira o ranking completo
3 de setembro de 2026 - 6:02NO OLHO DO FURACÃO
MPF denuncia fundadores da TRX por gestão fraudulenta, diz jornal; confira a resposta da gestora
2 de setembro de 2026 - 14:41CRISE CONTINUA
Citi está mais pessimista com Natura (NATU3) e rebaixa ação para venda. Por que a faxina na casa não convence o banco?
2 de setembro de 2026 - 12:45ENTREVISTA EXCLUSIVA
Multimercados em crise? CEO da Bradesco Asset vê ‘seleção natural’ e diz que uma nova onda de consolidação vem aí
1 de setembro de 2026 - 12:46FIM DA NEGOCIAÇÃO CONTÍNUA
B3 tira ação da Ambipar (AMBP3) das negociações regulares da bolsa por atraso; entenda
1 de setembro de 2026 - 10:15FRED KRUEGER ESTÁ DE VOLTA?
Kinea alerta para ‘pesadelo’ fiscal no Brasil e revela onde está buscando proteção antes das eleições
1 de setembro de 2026 - 7:08BALANÇO DO MÊS
Só deu ouro em agosto: metal precioso e ‘ouro digital’ entregaram até 25% de retorno no mês, deixando a renda fixa comendo poeira
31 de agosto de 2026 - 18:45BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
Mercado aposta que nada vai melhorar no Brasil. É justamente por isso que gestores estão comprando renda fixa
31 de agosto de 2026 - 17:45RETOMADA À VISTA?