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Companhias brasileiras estão recomprando os próprios papéis na bolsa em meio a valuations descontados. Para o banco, algumas podem surpreender nos próximos meses; veja as favoritas

Em um mercado que continua dividido entre o otimismo e a cautela — pressionado por juros elevados, incertezas fiscais, eleições no horizonte e turbulências geopolíticas —, algumas empresas parecem ter chegado a uma conclusão: suas ações estão baratas. E elas estão usando dinheiro do próprio caixa para comprar seus papéis na bolsa.
Esse movimento que chamou a atenção do JP Morgan. Para o banco norte-americano, a onda de recompras de ações que vem ganhando força na B3 pode revelar algo que parte do mercado ainda não enxergou: oportunidades relevantes em companhias negociadas com desconto.
Com valuations deprimidos e poucas emissões de novas ações no mercado, as recompras tendem a ampliar o lucro por ação, favorecer uma reprecificação dos papéis e criar condições para que algumas empresas superem o desempenho médio das bolsas nos próximos meses, segundo os analistas.
"O retorno de capital via recompra está se tornando um sinal claro e oportuno na América Latina", afirma o banco, em relatório.
O JP Morgan analisou 104 empresas latino-americanas com programas ativos de recompra e identificou um grupo seleto que reúne três características especialmente atraentes para os investidores:
Você confere a lista completa nesta matéria.
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Para os investidores, programas de recompra costumam funcionar como uma espécie de voto de confiança da própria companhia.
Quando uma empresa decide usar recursos do caixa para comprar suas próprias ações, ela sinaliza que, aos preços atuais, considera aquele investimento mais atrativo do que outras alternativas disponíveis naquele momento.
Além disso, a recompra reduz a quantidade de ações em circulação na bolsa, o que resulta em uma espécie de "dividendo indireto" para o acionista que opta por manter suas posições.
Isso porque, com menos ações em circulação, a fatia do bolo que resta para cada investidor passa a representar uma porcentagem maior do lucro e dos proventos futuros da empresa.
Por outro lado, a redução do free float também tende a diminuir a liquidez dos papéis, tornando as ações mais sensíveis a movimentos bruscos de compra e venda.
Segundo os analistas, o chamado "grupo de recompra" do JP Morgan superou o índice MSCI LatAm em quase todos os anos da última década. No período, essas empresas entregaram retorno médio anual de 9%, contra 4% do índice.
Hoje, das 104 companhias acompanhadas pelo banco com programas ativos de recompra — normalmente com duração entre 12 e 18 meses —, aproximadamente metade possui recomendação overweight, equivalente à compra.
Na visão dos analistas, a combinação entre recompras, valuations ainda descontados e crescimento dos lucros cria um dos cenários mais interessantes da região para investidores dispostos a serem seletivos.
Alguns setores concentram boa parte do potencial de valorização identificado pelo JP Morgan na bolsa brasileira e na América Latina.
O destaque fica para o segmento de Industriais, que apresenta um upside médio próximo de 47%, nas contas do banco, sustentado por múltiplos abaixo da média histórica e perspectivas positivas para os resultados de 2026 e 2027.
O setor de Consumo Discricionário aparece logo atrás, combinando potencial médio de valorização de cerca de 33% com alguns dos maiores descontos históricos de valuation.
Já o segmento Financeiro oferece uma valorização implícita de aproximadamente 29%, apoiado por crescimento mais estável e revisões positivas de lucros.
Em Tecnologia da Informação, o potencial médio chega a 61%, embora concentrado em um grupo menor de empresas, segundo o JP Morgan.
Entre as ações destacadas pelo banco com recomendação overweight e programas ativos de recompra, os maiores potenciais de valorização estimados são:
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