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O mês de maio foi de recalibragem para um dos fundos mais respeitados do Brasil, que virou algumas peças no tabuleiro — e a principal delas diz respeito a uma aposta que muitos investidores brasileiros sentem no bolso: o real

Adeus, real. Por enquanto. A Verde Asset zerou a posição em real em maio em meio a um fantasma que voltou a assombrar os mercados emergentes — o excepcionalismo americano.
Durante boa parte de 2025 e do começo de 2026, o mundo tinha virado um pouco as costas para os EUA. Investidores buscavam diversificação, saíam do dólar, olhavam para Europa, para emergentes, para o Brasil. Foi nesse ambiente que o real se valorizou e a bolsa brasileira respirou.
Mas em maio esse movimento começou a se inverter.
Pense assim: de tempos em tempos, os EUA lembram o mundo de que são, de fato, uma categoria à parte. Economia resiliente, mercado de capitais profundo, inovação tecnológica que não para. Quando isso fica evidente, o dinheiro global tende a correr de volta para lá — e o dólar se fortalece.
Em maio, três fatores reacenderam essa narrativa, segundo a Verde:
1. A economia norte-americana segue firme, sem sinais de fraqueza que justifiquem cortes de juros agressivos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano)
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2. O mercado passou a precificar possíveis altas de juros nos EUA — mesmo que de forma tímida, e esse sinal valoriza o dólar
3. A inteligência artificial turbinou os mercados norte-americanos — ações ligadas a chips e capacidade computacional voltaram a subir com força, reforçando a narrativa de que os EUA lideram a próxima revolução econômica
Resultado: o dólar começou a se fortalecer. E um dólar mais forte é, historicamente, uma má notícia para moedas de países emergentes como o Brasil. Foi por isso que a Verde tirou o real da carteira.
O Ibovespa caiu 7,22% em maio. E dentro da bolsa, conta a Verde, as correções foram ainda mais profundas do que esse número sugere — os papéis mais arriscados apanharam mais.
Parte dessa queda é exatamente o reflexo do excepcionalismo americano: o dinheiro estrangeiro que havia entrado no Brasil em busca de diversificação começou a sair.
Mas há um problema doméstico também. O governo segue anunciando pacotes parafiscais — gastos extras com clara motivação eleitoral, na avaliação da Verde — o que coloca o Banco Central em uma posição delicada: a economia está aquecida, o desemprego está nas mínimas históricas, e mesmo assim o fiscal pressiona para gastar mais.
Nesse cenário, o mercado de juros passou a precificar não mais cortes da Selic, mas altas. A Verde considera esse movimento um exagero. Mas, mesmo assim, optou por não ter posições direcionais em juros — nem apostando em alta, nem em queda. Fica de fora por ora.
Por outro lado, a gestora enxerga oportunidade na bolsa brasileira — especificamente em estruturas que se beneficiam de movimentos mais bruscos do mercado, o que a carta chama de “comprar convexidade”.
Aqui está o mapa das posições da Verde em maio:
Manteve:
Zerou:
Trocou:
A Verde dedica espaço para responder uma pergunta que intriga muita gente: se o Oriente Médio continua em conflito, por que o petróleo não disparou?
A gestora aponta três razões. A primeira delas é que a China reduziu as importações de petróleo, seja por estoques altos ou por queda real de demanda.
A segunda é que a parte do petróleo que ficou retido no Estreito de Ormuz passou a circular por rotas alternativas, “nas sombras”.
E a terceira é que os países e as empresas consumiram estoques estratégicos acumulados.
Juntos, esses três fatores explicam por que o conflito, até agora, não virou crise energética global. E foi por isso que a Verde saiu da posição em petróleo: o gatilho para uma alta forte simplesmente não se materializou.
O fundo terminou o mês com alta de 0,33%, contra 1,07% do CDI. No acumulado do ano, porém, o Verde segue à frente: +7,76% contra +5,66% do CDI.
Os ganhos vieram da renda variável global e do crédito. As perdas, das ações brasileiras, do ouro e da proteção em crédito da Arábia Saudita.
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