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CARTA DE MAIO

Adeus, real: Verde, de Stuhlberger, zera posição na moeda brasileira e diz que um ‘fantasma’ americano está de volta

O mês de maio foi de recalibragem para um dos fundos mais respeitados do Brasil, que virou algumas peças no tabuleiro — e a principal delas diz respeito a uma aposta que muitos investidores brasileiros sentem no bolso: o real

Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset Management.
Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset Management - Imagem: Divulgação

Adeus, real. Por enquanto. A Verde Asset zerou a posição em real em maio em meio a um fantasma que voltou a assombrar os mercados emergentes — o excepcionalismo americano. 

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Durante boa parte de 2025 e do começo de 2026, o mundo tinha virado um pouco as costas para os EUA. Investidores buscavam diversificação, saíam do dólar, olhavam para Europa, para emergentes, para o Brasil. Foi nesse ambiente que o real se valorizou e a bolsa brasileira respirou. 

Mas em maio esse movimento começou a se inverter. 

A volta (mesmo que tímida) do excepcionalismo americano 

Pense assim: de tempos em tempos, os EUA lembram o mundo de que são, de fato, uma categoria à parte. Economia resiliente, mercado de capitais profundo, inovação tecnológica que não para. Quando isso fica evidente, o dinheiro global tende a correr de volta para lá — e o dólar se fortalece. 

Em maio, três fatores reacenderam essa narrativa, segundo a Verde: 

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1. A economia norte-americana segue firme, sem sinais de fraqueza que justifiquem cortes de juros agressivos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) 

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2. O mercado passou a precificar possíveis altas de juros nos EUA — mesmo que de forma tímida, e esse sinal valoriza o dólar 

3. A inteligência artificial turbinou os mercados norte-americanos — ações ligadas a chips e capacidade computacional voltaram a subir com força, reforçando a narrativa de que os EUA lideram a próxima revolução econômica 

Resultado: o dólar começou a se fortalecer. E um dólar mais forte é, historicamente, uma má notícia para moedas de países emergentes como o Brasil. Foi por isso que a Verde tirou o real da carteira. 

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O tombo da bolsa brasileira — e o que a Verde enxerga 

O Ibovespa caiu 7,22% em maio. E dentro da bolsa, conta a Verde, as correções foram ainda mais profundas do que esse número sugere — os papéis mais arriscados apanharam mais. 

Parte dessa queda é exatamente o reflexo do excepcionalismo americano: o dinheiro estrangeiro que havia entrado no Brasil em busca de diversificação começou a sair. 

Mas há um problema doméstico também. O governo segue anunciando pacotes parafiscais — gastos extras com clara motivação eleitoral, na avaliação da Verde — o que coloca o Banco Central em uma posição delicada: a economia está aquecida, o desemprego está nas mínimas históricas, e mesmo assim o fiscal pressiona para gastar mais.  

Nesse cenário, o mercado de juros passou a precificar não mais cortes da Selic, mas altas. A Verde considera esse movimento um exagero. Mas, mesmo assim, optou por não ter posições direcionais em juros — nem apostando em alta, nem em queda. Fica de fora por ora. 

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Por outro lado, a gestora enxerga oportunidade na bolsa brasileira — especificamente em estruturas que se beneficiam de movimentos mais bruscos do mercado, o que a carta chama de “comprar convexidade”. 

O que ficou, o que saiu e o que entrou 

Aqui está o mapa das posições da Verde em maio: 

Manteve: 

  • Exposição em ações no Brasil e no exterior
  • Posições em ouro e prata (com aumento pontual na prata) 
  • Crédito privado local 
  • Proteção em crédito da Arábia Saudita — uma espécie de seguro caso o conflito no Oriente Médio escale 

Zerou: 

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  • Real (saiu por causa do risco do excepcionalismo americano) 
  • Petróleo via opções  

Trocou: 

  •  Nos EUA, substituiu a posição em inflação implícita por uma aposta em juro real norte-americano, um ajuste técnico que reflete a visão de que os juros reais nos EUA ainda têm espaço para subir 

Petróleo e guerra no Oriente Médio 

A Verde dedica espaço para responder uma pergunta que intriga muita gente: se o Oriente Médio continua em conflito, por que o petróleo não disparou? 

A gestora aponta três razões. A primeira delas é que a China reduziu as importações de petróleo, seja por estoques altos ou por queda real de demanda.  

A segunda é que a parte do petróleo que ficou retido no Estreito de Ormuz passou a circular por rotas alternativas, “nas sombras”.  

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E a terceira é que os países e as empresas consumiram estoques estratégicos acumulados. 

Juntos, esses três fatores explicam por que o conflito, até agora, não virou crise energética global. E foi por isso que a Verde saiu da posição em petróleo: o gatilho para uma alta forte simplesmente não se materializou. 

O placar de maio 

O fundo terminou o mês com alta de 0,33%, contra 1,07% do CDI. No acumulado do ano, porém, o Verde segue à frente: +7,76% contra +5,66% do CDI. 

Os ganhos vieram da renda variável global e do crédito. As perdas, das ações brasileiras, do ouro e da proteção em crédito da Arábia Saudita. 

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