Nem Ibovespa, nem varejo: Inter vê bolsa barata, mas seletiva; confira os setores promissores
O Inter usou uma abordagem conservadora para projetar o Ibovespa em 193 mil pontos em 2026; saiba quais setores comprar e quais evitar segundo o banco

Mesmo com um primeiro trimestre de 2026 que não brilhou os olhos om relação ao lucro das empresas, o Inter mantém uma visão otimista sobre a bolsa brasileira. Para o banco, o Ibovespa segue negociando abaixo do seu valor justo — e isso representa uma oportunidade para o investidor que tem uma dose extra de paciência.
A projeção do Inter é de que o principal índice da bolsa brasileira saia dos atuais 168 mil pontos para 193 mil pontos até o fim de 2026 e a 210 mil pontos em 2027.
A tese do banco se baseia na performance das empresas no primeiro trimestre. Do lado positivo, as receitas das empresas do Ibovespa cresceram cerca de 7% em relação ao mesmo período de 2025 — bem acima da inflação, que rondou os 4%. O lucro operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também avançou na mesma proporção.
O problema apareceu na última linha do balanço, o lucro líquido. Ali, o crescimento foi de apenas 0,3%. O vilão principal foram os juros altos, que continuam pesando sobre os resultados das companhias.
Dois setores puxaram esse número para baixo com força: o varejo, cujos prejuízos pioraram mais de 100%, e os bancos, que tiveram queda de 3% nos lucros — impacto amplificado pelo tamanho que esse setor tem no índice. O Banco do Brasil (BBAS3) foi o caso mais grave, com retração de quase 50% no lucro líquido.
Mas houve surpresas positivas. O setor de saúde dobrou o lucro na comparação anual. O setor de utilities (prestadoras de serviço) — o segundo maior do Ibovespa — avançou quase 30%. E o segmento de papel e celulose foi o grande destaque: 100% das empresas do setor superaram as estimativas dos analistas.
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Por que o Inter ainda acha que a bolsa está barata?
O argumento central do banco usa o indicador preço sobre lucro (P/L). Ele mostra quanto o mercado está disposto a pagar por cada real de lucro que as empresas geram. Quanto mais baixo esse número, mais “barata” está a bolsa.
Desde 2021, o Ibovespa vem negociando abaixo da média histórica de P/L. No começo de 2026, o índice chegou a se aproximar dessa média, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro — investidores internacionais que buscavam mercados emergentes com desconto enquanto a bolsa norte-americana estava cara.
Mas o movimento não durou: a escalada de conflitos no Oriente Médio, a alta do petróleo, o receio com a inflação global e a proximidade de eleições derrubaram o Ibovespa novamente.
Para o Inter, esse recuo reabriu a janela de oportunidade.
Como o Inter chegou à projeção de 193 mil pontos?
O Inter usou uma abordagem conservadora. Aplicou um múltiplo P/L de 9,5 vezes — abaixo da média histórica — sobre projeções de lucro intermediárias para as empresas do Ibovespa, descartando tanto os cenários mais pessimistas quanto os mais otimistas.
O resultado aponta para o índice em torno de 193 mil pontos no final de 2026 e 210 mil pontos em 2027.
A lógica do banco é direta: não é preciso torcer por resultados extraordinários. Basta que as empresas entreguem o que já é esperado para que o índice destrave um valor considerável.
O que isso significa para quem investe?
O Inter reforça que o momento exige seletividade. A forte dispersão de resultados entre setores no primeiro trimestre mostra que não adianta apostar no Ibovespa como um todo sem critério — há setores que se saíram muito bem e outros que seguem pressionados.
Os destaques positivos, como papel e celulose, utilities e saúde, indicam onde estão as oportunidades. Já varejo, tecnologia e telecomunicações seguem como pontos de atenção, com resultados abaixo das expectativas.
Para o investidor de longo prazo, o Inter enxerga na bolsa brasileira uma combinação pouco comum: preço baixo com fundamentos operacionais em recuperação — o tipo de combinação que, historicamente, antecede ciclos de valorização.
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