Ibovespa cai enquanto Wall Street festeja acordo entre Irã e EUA — e um velho problema pode azedar ainda mais as coisas no Brasil
A perspectiva de paz no Oriente Médio anima os mercados globais e reduz um importante risco para a inflação, mas a semana reserva testes decisivos para os juros no Brasil e nos EUA; Ibovespa sobe 1,66%, aos 173.841,19 pontos

A notícia que os investidores do mundo inteiro esperavam ouvir finalmente estampou as manchetes do mundo inteiro na noite de domingo (14): os Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para parar a guerra. Se, nas últimas semanas, qualquer indício de trégua já contaminava os mercados com euforia, a confirmação de ontem liberou de vez o êxtase para as bolsas globais.
Os principais pontos de atenção do mercado nos próximos dias serão a efetiva reabertura da passagem por onde flui boa parte do petróleo global, a suspensão do bloqueio naval dos EUA contra o Irã e a reação de Israel ao acordo.
No entanto, o Ibovespa, que chegou perto de saltar 2% durante o pregão desta segunda-feira (15), terminou o dia em queda de 0,43%, aos 170.415 pontos. Quem puxou o índice para a baixo foram as petroleiras, que recuaram diante da queda da commodity no mercado internacional. O dólar à vista, por sua vez, avançou 0,10%, a R$ 5,0668.
O barril do petróleo Brent, referência nas negociações internacionais e para a Petrobras (PETR4), recuou 4,24%, para US$ 83,63, enquanto o óleo cru (WTI) registrou queda de 4,18%, cotado a US$ 81,33.
Embora o anúncio tenha sido recebido com alívio pelos investidores, ainda há dúvidas sobre a implementação das medidas e sobre a capacidade das partes envolvidas de sustentar o cessar-fogo e avançar nas negociações, o que mantém um grau elevado de incerteza sobre os desdobramentos do conflito.
Do outro lado do Atlântico,as bolsas de Nova York comemoraram o acordo. Em Nova York, a Nasdaq avançou 3,07%, acompanhada pelo S&P 500, que subiu 1,65%, e pelo Dow Jones, com alta de 0,92%.
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E o Ibovespa ainda precisa enfrentar um dragão
De acordo com Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, o acordo entre Estados Unidos e Irã reduz um importante foco de risco para a inflação global. A perspectiva de normalização do fluxo de petróleo tende a aliviar as pressões sobre os preços da commodity e pode abrir espaço para uma redução dos prêmios de risco embutidos na curva de juros e nos ativos brasileiros.
Apesar disso, o cenário continua desafiador para o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A partir desta terça-feira (16), os diretores iniciam a reunião que definirá os próximos passos da taxa Selic, cuja decisão será anunciada na quarta-feira (17), no mesmo dia em que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, divulgará sua decisão sobre os juros norte-americanos.
"O IPCA de maio desacelerou para 0,58%, mas veio acima das expectativas do mercado, com a surpresa concentrada principalmente nos preços administrados, refletindo uma queda menos intensa da gasolina e nos alimentos. Embora a composição do índice tenha mostrado sinais mais favoráveis nos serviços subjacentes, os núcleos de inflação continuam em níveis considerados desconfortáveis", afirma o analista.
Diante desse quadro, segundo Spiess, a decisão do Copom ganha relevância especial. "O mercado segue dividido entre a manutenção da Selic em 14,50% ao ano e um corte adicional de 0,25 ponto percentual, embora eu ainda acredite que ele vá cortar", diz o analista da Empiricus.
O comunicado será importante para calibrar as expectativas, já que o alívio externo melhora o ambiente, mas não resolve os problemas domésticos relacionados à inflação resistente, às expectativas deterioradas e à atividade ainda resiliente.
Nos Estados Unidos, a chegada de Kevin Warsh ao comando do Fed ocorre em um ambiente desafiador, marcado por pressões inflacionárias ligadas à guerra, aos preços da energia, às tarifas e à resiliência da economia americana.
"Com a inflação ainda persistente e o mercado de trabalho firme, o espaço para cortes rápidos de juros diminuiu, levando investidores a esperar uma postura mais cautelosa do novo presidente do Fed", diz o analista.
Por outro lado, o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã ajuda a reduzir um importante foco de risco para a inflação global ao diminuir a ameaça de interrupções no Estreito de Ormuz e de uma nova disparada do petróleo.
Destaques da bolsa
As petroleiras dominaram a lista das maiores quedas do Ibovespa hoje, a Prio (PRIO3) foi a que mais sentiu, com perdas de 6,91%, a R$ 57,10. Confira:
| Empresa (Ticker) | Preço (R$) | Variação |
|---|---|---|
| Prio (PRIO3) | 57,10 | -6,91% |
| PetroReconcavo (RECV3) | 10,22 | -6,50% |
| Petrobras (PETR3) | 43,74 | -5,30% |
| Petrobras (PETR4) | 39,06 | -5,15% |
| Brava Energia (BRAV3) | 20,18 | -4,00% |
| Ultrapar (UGPA3) | 24,10 | -2,82% |
| Iguatemi (IGTI11) | 23,91 | -2,61% |
| Gerdau (GOAU4) | 10,27 | -2,47% |
Do outro lado, as ações da Embraer (EMBJ3) lideraram os ganhos. Veja:
| Empresa (Ticker) | Preço (R$) | Variação |
|---|---|---|
| Embraer (EMBR3) | 77,99 | +7,06% |
| Cury (CURY3) | 33,08 | +3,02% |
| Bradespar (BRAP4) | 23,03 | +2,72% |
| Suzano (SUZB3) | 42,59 | +2,58% |
| Vale (VALE3) | 81,16 | +2,51% |
| Magazine Luiza (MGLU3) | 5,35 | +2,49% |
| BRKM5 (Braskem) | 9,32 | +2,42% |
| Eneva (ENEV3) | 25,06 | +2,12% |
PESSIMISMO CONTINUA
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