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MERCADOS HOJE

Só 6 ações caindo: Ibovespa salta e dólar cai com acordo entre Irã e EUA — mas um velho problema pode azedar as coisas

A perspectiva de paz no Oriente Médio anima os mercados globais e reduz um importante risco para a inflação, mas a semana reserva testes decisivos para os juros no Brasil e nos EUA; Ibovespa sobe 1,66%, aos 173.841,19 pontos

Touro da B3 andando de conversível na Faria Lima cheio de marra ibovespa
Imagem: Touro da B3. Imagem gerada por inteligência artificial

A notícia que os investidores do mundo inteiro esperavam ouvir finalmente estampou as manchetes do mundo inteiro na noite de domingo (14): os Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para parar a guerra. Se, nas últimas semanas, qualquer indício de trégua já contaminava os mercados com euforia, a confirmação de ontem liberou de vez o êxtase para as bolsas globais.

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Por aqui, o Ibovespa sobe 1,66% por volta das 11h, aos 173.841,19 pontos. Enquanto isso, o dólar perdia 0,56% no mesmo horário, negociado a R$ 5,0328, a desvalorização vai na toada do enfraquecimento global da moeda norte-americana, com o DXY, que mede a força da divisa ante pares globais, caindo 0,29% no mesmo horário.

O acordo deverá ser assinado na próxima sexta-feira (19), data em que também está prevista a reabertura do Estreito de Ormuz, segundo o presidente Donald Trump e negociadores do Paquistão. Até o momento, porém, nenhuma das partes divulgou os termos detalhados do entendimento.

Os principais pontos de atenção do mercado nos próximos dias serão a efetiva reabertura da passagem por onde flui boa parte do petróleo global, a suspensão do bloqueio naval dos EUA contra o Irã e a reação de Israel ao acordo.

Embora o anúncio tenha sido recebido com alívio pelos investidores, ainda há dúvidas sobre a implementação das medidas e sobre a capacidade das partes envolvidas de sustentar o cessar-fogo e avançar nas negociações, o que mantém um grau elevado de incerteza sobre os desdobramentos do conflito.

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Do outro lado do Atlântico,as bolsas de Nova York também comemoravam o acordo. Em Nova York, a Nasdaq avançava 2,3% por volta das 11h, acompanhada pelo S&P 500, que subia 1,5%, e pelo Dow Jones, em alta de 1,07%. Na Europa os ganhos também são generalizados, com o Stoxx 600, que reúne as principais ações do continente, subindo 0,62% no mesmo horário.

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A perspectiva de uma normalização do fluxo de petróleo pressionava as cotações da commodity. O barril do Brent, referência nas negociações internacionais e para a Petrobras (PETR4), recuava 4,99%, para US$ 82,94 o barril, enquanto o óleo cru (WTI) registrava queda de 5%, cotado a US$ 80,43.

Apesar da euforia, o Ibovespa ainda precisa enfrentar um dragão

De acordo com Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, o acordo entre Estados Unidos e Irã reduz um importante foco de risco para a inflação global. A perspectiva de normalização do fluxo de petróleo tende a aliviar as pressões sobre os preços da commodity e pode abrir espaço para uma redução dos prêmios de risco embutidos na curva de juros e nos ativos brasileiros.

Apesar disso, o cenário continua desafiador para o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A partir desta terça-feira (16), os diretores iniciam a reunião que definirá os próximos passos da taxa Selic, cuja decisão será anunciada na quarta-feira (17), no mesmo dia em que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, divulgará sua decisão sobre os juros norte-americanos.

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"O IPCA de maio desacelerou para 0,58%, mas veio acima das expectativas do mercado, com a surpresa concentrada principalmente nos preços administrados, refletindo uma queda menos intensa da gasolina e nos alimentos. Embora a composição do índice tenha mostrado sinais mais favoráveis nos serviços subjacentes, os núcleos de inflação continuam em níveis considerados desconfortáveis", afirma o analista.

Diante desse quadro, segundo Spiess, a decisão do Copom ganha relevância especial. "O mercado segue dividido entre a manutenção da Selic em 14,50% ao ano e um corte adicional de 0,25 ponto percentual, embora eu ainda acredite que ele vá cortar", diz o analista da Empiricus.

O comunicado será importante para calibrar as expectativas, já que o alívio externo melhora o ambiente, mas não resolve os problemas domésticos relacionados à inflação resistente, às expectativas deterioradas e à atividade ainda resiliente.

Nos Estados Unidos, a chegada de Kevin Warsh ao comando do Fed ocorre em um ambiente desafiador, marcado por pressões inflacionárias ligadas à guerra, aos preços da energia, às tarifas e à resiliência da economia americana.

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"Com a inflação ainda persistente e o mercado de trabalho firme, o espaço para cortes rápidos de juros diminuiu, levando investidores a esperar uma postura mais cautelosa do novo presidente do Fed", diz o analista.

Por outro lado, o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã ajuda a reduzir um importante foco de risco para a inflação global ao diminuir a ameaça de interrupções no Estreito de Ormuz e de uma nova disparada do petróleo.

Destaques da bolsa

O clima de euforia impulsiona praticamente todas as ações do Ibovespa, com exceção das petroleiras, que sentem os efeitos da desvalorização da commodity no mercado internacional após o acordo.

Assim, a Prio (PRIO3) liderava as perdas do Ibovespa na manhã desta segunda-feira (15), com recuo de 4,27% por volta das 11h. Além da petroleira, apenas outras cinco ações operavam no vermelho no Ibovespa. Confira:

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Empresa (Ticker)Preço (R$)Queda
Prio (PRIO3)58,66-4,37%
Petrobras PN (PETR4)39,52-4,03%
Petrobras ON (PETR3)44,31-4,07%
PetroReconcavo (RECV3)10,72-1,92%
Brava Energia (BRAV3)20,78-1,14%
Cosan (CSMG3)57,10-0,52%

Do outro lado, as ações da Embraer (EMBJ3) lideram os ganhos na manhã nesta segunda-feira (15). Veja o desempenho:

Empresa (Ticker)Preço (R$)Valorização
CSN (CSNA3)6,48+7,11%
Embraer (EMBR3)78,02+7,10%
CSN Mineração (CMIN3)4,59+6,74%
Hapvida (HAPV3)12,14+6,49%
MRV (MRVE3)5,47+5,60%
Cyrela (CYRE3)22,51+5,38%
Yduqs (YDUQ3)9,19+5,27%
Usiminas (USIM5)11,39+4,98%
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