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Levantamento da corretora revela um mercado com preferência por empresas resilientes e previsíveis; confira as principais apostas dos gestores

Quem acompanha o mercado financeiro já percebeu que a bolsa brasileira atravessa um período de maior seletividade. A saída de recursos estrangeiros, o aumento das incertezas no cenário internacional e a perspectiva de juros elevados criaram um ambiente mais complexo para os investidores.
Mas isso não significa que os gestores locais tenham perdido a confiança nos ativos nacionais.
Segundo pesquisa mensal realizada pela Empiricus Research com gestores de fundos de ações long only — estratégia focada em empresas com potencial de valorização no longo prazo —, a percepção para a bolsa segue construtiva em junho.
O levantamento mostra que ainda há disposição para investir, embora a preferência esteja concentrada em setores específicos e empresas consideradas mais previsíveis. Nesse contexto, utilidades públicas e financeiro continuam liderando a lista dos segmentos mais bem avaliados pelas gestoras.
A leitura mais favorável para esses setores ajuda a explicar por que eles também ocupam espaço relevante nas carteiras. Segundo a Empiricus, a preferência reflete a busca por empresas com resultados mais previsíveis e maior resiliência em um ambiente econômico ainda cercado por incertezas.
Além deles, as gestoras demonstram uma visão positiva para aluguel de veículos e logística, infraestrutura, petróleo e gás, saúde e alguns segmentos do setor imobiliário. Por outro lado, alimentos e bebidas permanece entre os setores com pior percepção relativa.
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A preferência dos gestores por determinados setores não fica apenas no discurso. Quando questionadas sobre qual é a principal posição de seus portfólios, as gestoras apontaram novamente o setor financeiro como o favorito.
A participação do segmento subiu de 41% para 48% das respostas em junho, atingindo o maior nível da série recente. Já utilidades públicas avançou de 23% para 29%.
Juntos, os dois setores respondem por 77% das maiores posições das carteiras analisadas pela pesquisa.
Enquanto isso, petróleo e gás deixou de aparecer como principal posição dos portfólios após registrar participação de 14% em abril e maio. O varejo também perdeu espaço, com sua participação recuando de 14% para 10%.
A pesquisa também mostra que os gestores estão gradualmente voltando a aumentar a exposição à bolsa brasileira.
Um dos sinais desse movimento foi a redução do caixa médio das carteiras, que caiu de 9,7% para 7,5%, retornando para perto da média histórica de 7,1%.
A confiança também aparece nas expectativas de retorno. A taxa interna de retorno (TIR) real média das carteiras ficou em 17,4%, acima da média histórica de 13,8%.
O indicador funciona como uma estimativa do potencial de ganho dos investimentos descontada a inflação e sugere que os gestores continuam enxergando espaço para valorização das empresas presentes em seus portfólios.
Ao mesmo tempo, o perfil das companhias escolhidas não mudou significativamente.
A alavancagem média das empresas das carteiras voltou para 1,5 vez dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), indicador amplamente utilizado para medir o nível de endividamento corporativo.
O patamar está alinhado à média histórica observada pela pesquisa. Vale lembrar que o levantamento foi realizado entre os dias 2 e 9 de junho.
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