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OTIMISMO SELETIVO

Onde os gestores estão colocando dinheiro? Pesquisa da Empiricus aponta os setores favoritos da bolsa

Levantamento da corretora revela um mercado com preferência por empresas resilientes e previsíveis; confira as principais apostas dos gestores

Montagem com um fundo de gráfico de ações e a bandeira do Brasil dentro de uma lupa, gestores, ações, fundos
Imagem: Montagem Seu Dinheiro/ Canva/ istock/ cabral_augusto83

Quem acompanha o mercado financeiro já percebeu que a bolsa brasileira atravessa um período de maior seletividade. A saída de recursos estrangeiros, o aumento das incertezas no cenário internacional e a perspectiva de juros elevados criaram um ambiente mais complexo para os investidores.

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Mas isso não significa que os gestores locais tenham perdido a confiança nos ativos nacionais.

Segundo pesquisa mensal realizada pela Empiricus Research com gestores de fundos de ações long only — estratégia focada em empresas com potencial de valorização no longo prazo —, a percepção para a bolsa segue construtiva em junho.

O levantamento mostra que ainda há disposição para investir, embora a preferência esteja concentrada em setores específicos e empresas consideradas mais previsíveis. Nesse contexto, utilidades públicas e financeiro continuam liderando a lista dos segmentos mais bem avaliados pelas gestoras.

A leitura mais favorável para esses setores ajuda a explicar por que eles também ocupam espaço relevante nas carteiras. Segundo a Empiricus, a preferência reflete a busca por empresas com resultados mais previsíveis e maior resiliência em um ambiente econômico ainda cercado por incertezas.

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Além deles, as gestoras demonstram uma visão positiva para aluguel de veículos e logística, infraestrutura, petróleo e gás, saúde e alguns segmentos do setor imobiliário. Por outro lado, alimentos e bebidas permanece entre os setores com pior percepção relativa.

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  • Vale frisar que a avaliação é relativa. Segundo a Empiricus, um setor destacado em vermelho no mapa de calor não necessariamente enfrenta uma percepção negativa, mas apenas menos favorável do que a observada em outros segmentos da bolsa.

Setor financeiro domina as maiores posições

A preferência dos gestores por determinados setores não fica apenas no discurso. Quando questionadas sobre qual é a principal posição de seus portfólios, as gestoras apontaram novamente o setor financeiro como o favorito.

A participação do segmento subiu de 41% para 48% das respostas em junho, atingindo o maior nível da série recente. Já utilidades públicas avançou de 23% para 29%.

Juntos, os dois setores respondem por 77% das maiores posições das carteiras analisadas pela pesquisa.

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Enquanto isso, petróleo e gás deixou de aparecer como principal posição dos portfólios após registrar participação de 14% em abril e maio. O varejo também perdeu espaço, com sua participação recuando de 14% para 10%.

A bolsa caiu 15% — o que você deve fazer agora? | Gilberto Nagai (SulAmérica Investimentos)

Gestores voltam a correr mais risco

A pesquisa também mostra que os gestores estão gradualmente voltando a aumentar a exposição à bolsa brasileira.

Um dos sinais desse movimento foi a redução do caixa médio das carteiras, que caiu de 9,7% para 7,5%, retornando para perto da média histórica de 7,1%.

A confiança também aparece nas expectativas de retorno. A taxa interna de retorno (TIR) real média das carteiras ficou em 17,4%, acima da média histórica de 13,8%.

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O indicador funciona como uma estimativa do potencial de ganho dos investimentos descontada a inflação e sugere que os gestores continuam enxergando espaço para valorização das empresas presentes em seus portfólios.

Ao mesmo tempo, o perfil das companhias escolhidas não mudou significativamente.

A alavancagem média das empresas das carteiras voltou para 1,5 vez dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), indicador amplamente utilizado para medir o nível de endividamento corporativo.

O patamar está alinhado à média histórica observada pela pesquisa. Vale lembrar que o levantamento foi realizado entre os dias 2 e 9 de junho.

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