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No Touros e Ursos desta semana, Gilberto Nagai, superintendente de renda variável da SulAmérica Investimentos, fala sobre riscos e alocação cautelosa em ações
O Ibovespa vive um momento de forte correção. Após flertar com a marca histórica dos 200 mil pontos em abril, o principal índice de ações da bolsa engatou uma sequência amarga de quedas semanais, operando agora abaixo dos 170 mil pontos. Diante de uma desvalorização de 15% desde as máximas, investidores se perguntam o que quebrou no caminho.
No Touros e Ursos desta semana, Gilberto Nagai, superintendente de renda variável da SulAmérica Investimentos, afirma que boa parte do motivo vem do exterior.
Cerca de 70% do Ibovespa é reflexo direto do que ocorre lá fora, diz Nagai. No começo do ano, o cenário era positivo: investidores estrangeiros queriam diversificar para setores de "valor", como bancos e matérias-primas, em que o Brasil é forte.
Mas a eclosão da guerra no Irã foi o grande gatilho para a "redução de risco". Quando o mundo fica inseguro, os grandes gestores globais vendem o que têm em mãos para proteger o patrimônio. O Brasil, que vinha se destacando, acabou sendo um dos primeiros a sentir essa saída de capital.
Para piorar, a pressão internacional impediu que o plano original de baixar os juros fosse em frente.
A interrupção do ciclo de queda de juros no Brasil foi um balde de água fria.
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Nagai afirma no episódio que juros baixos são o combustível ideal para as empresas: eles estimulam o consumo, aumentam as receitas e reduzem as despesas com dívidas, fazendo o lucro crescer em dobro.
Com a inflação do petróleo pressionando a economia, esse alívio foi adiado, e o mercado passou a precificar um cenário de juros altos por muito mais tempo, o que castiga especialmente as empresas que dependem da economia doméstica.
Para completar o cenário de incerteza, as eleições presidenciais do segundo semestre já começam a aparecer no radar.
O superintendente da SulAmérica acredita que o gatilho mais claro para uma recuperação rápida da bolsa seria o fim definitivo da guerra, que derrubaria o preço do petróleo, reduziria a inflação e permitiria que os juros voltassem a cair.
A estratégia recomendada por Nagai para enfrentar esse momento de queda é focar em empresas sólidas e que gerem caixa. O foco deve ser em negócios que conseguem crescer "sozinhos", independentemente de como o Produto Interno Bruto (PIB) do país se comporte.
Um exemplo clássico dessa tese são os grandes bancos. Nagai destaca o Itaú (ITUB4), que possui boa qualidade de crédito e paga dividendos, o que ajuda a compensar a espera pela valorização das ações.
Outra aposta é a SmartFit (SMFT3), que mesmo sendo focada no mercado interno, viu suas ações caírem 25% recentemente, tornando-se atraente por negociar a preços baixos entregando lucros crescentes.
Para quem busca uma "pimentinha", o gestor menciona a Moura Dubeux (MDNE3), uma construtora focada no Nordeste, que tem apresentado lucros crescentes e boa execução, embora exija cuidado com o tamanho da posição por ser uma empresa menor.
Segundo Nagai, a ideia central é buscar empresas bem geridas, que se preocupam com o lucro, mas trabalham novos negócios com cautela neste momento.
No quadro Touros e Ursos, os Ursos, que representam as quedas, foram liderados pelas pequenas empresas da bolsa (small caps), que sofrem o dobro por não terem o interesse do estrangeiro e serem as mais atingidas pelos juros altos.
Teve também Michael Saylor, dono da MicroStrategy, que recebeu o urso por vender bitcoins após prometer que nunca o faria, gerando uma crise de desconfiança no mercado de criptomoedas.
Já no lado dos Touros, os destaques positivos, a Raízen (RAIZ4) brilhou ao conseguir que 75% dos seus credores aceitassem seu plano de recuperação, um passo gigante para organizar suas contas.
O dólar também levou o touro, atuando como refúgio seguro em meio à saída de dinheiro de países emergentes e à expectativa pelos grandes lançamentos de empresas de inteligência artificial nos EUA.
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