Menu
2019-10-14T14:29:58+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Day after do Copom

Sem fôlego: Ibovespa correu durante a manhã, mas perdeu o embalo e fechou em queda

O Ibovespa reagiu positivamente às indicações do Copom e chegou a tocar os 106 mil pontos na máxima. Mas o índice perdeu fôlego durante a tarde, o que abriu espaço para um movimento de realização de lucros. Já o dólar à vista disparou e voltou ao nível de R$ 4,15

19 de setembro de 2019
10:30 - atualizado às 14:29
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa - Imagem: Seu Dinheiro

O Ibovespa começou a sessão desta quinta-feira (19) pisando fundo no acelerador. Logo na largada, o índice subiu forte e chegou a tocar o nível dos 106 mil pontos — um patamar que só tinha sido atingido uma vez na história. E combustível não faltava para a bolsa brasileira.

Afinal, na noite anterior, o Copom cortou a Selic em 0,5 ponto, levando a taxa básica de juros a um novo piso histórico, de 5,5% ao ano. Mais que isso: a autoridade monetária sinalizou que novos ajustes negativos devem acontecer no curto prazo.

Só que, conforme o dia foi passando, o carro do Ibovespa começou a engasgar. A velocidade, antes alucinante, começou a diminuir pouco a pouco, e a possibilidade de um novo recorde histórico — em termos de fechamento, a máxima do índice é de 105.817,06 pontos — foi ficando cada vez mais distante.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Ao fim do dia, o principal índice da bolsa brasileira sequer conseguiu se sustentar no campo positivo: no fechamento, o Ibovespa marcava 104.339,16 pontos, uma queda de 0,18%. Já o dólar...

Bom, o dólar à vista não aliviou o ritmo: desde a manhã, a moeda americana aparecia no campo positivo, ganhando ainda mais força ao longo da tarde. Com isso, a divisa saltou de R$ 4,1036 na sessão passada para R$ 4,1628 nesta quinta-feira — uma alta de 1,44%. É o maior nível de encerramento desde o dia 3 (R$ 4,1790).

Com isso, a sessão que parecia caminhar para um novo recorde do Ibovespa acabou com o mercado de câmbio nos holofotes. E toda a dinâmica do dia, tanto da bolsa quanto do dólar, teve como pano de fundo as novas orientações de política monetária no Brasil e no mundo.

Manhã de otimismo

Os mercados abriram bastante bem humorados, em função das sinalizações emitidas pelas autoridades monetárias no mundo. Por aqui, os agentes financeiros mostram entusiasmo com o novo corte de 0,50 ponto na taxa Selic e às indicações de que o ciclo de ajustes negativos na taxa básica de juros tende a continuar.

Juros mais baixos, em geral, diminuem a rentabilidade dos investimentos em renda fixa. Assim, quem pretende conseguir rendimentos mais elevados precisa buscar outras alternativas — e a bolsa de valores aparece como a principal opção. Esse fluxo migratório, assim, tende a impulsionar o mercado acionário.

Rafael Passos, analista da Guide Investimentos, destaca que as outras sinalizações de bancos centrais no mundo também cooperaram para dar força ao Ibovespa durante a manhã. Ele lembra que, nos Estados Unidos, o Fed cortou  os juros em 0,25 ponto e deixou a porta aberta para novas reduções, e que, no Japão, a autoridade monetária local mostrou-se mais inclinada a adotar medidas de estímulo no futuro.

"O mundo está com a liquidez bem elevada, e isso beneficia os ativos de risco de uma maneira geral", diz Passos, ressaltando que a postura mais relaxada dos bancos centrais faz com que os investidores globais fiquem mais propensos a buscar alternativas para obter uma rentabilidade maior.

Já nos Estados Unidos, o tom das bolsas foi mais reticente desde o início do dia por causa de algumas sinalizações de hesitação por parte do presidente do Fed, Jerome Powell. O Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq também passaram a manhã no campo positivo, mas nunca conseguiram engatar ganhos firmes como o Ibovespa.

Apesar de a instituição dar a entender que novos cortes podem ocorrer no futuro, o dirigente evitou se comprometer com esse movimento, batendo na tecla da importância dos dados econômicos. Assim, ainda há dúvidas quanto ao que o Fed irá fazer nas próximas reuniões, o que trouxe um viés mais cauteloso aos mercados de Nova York.

Tarde de cautela

Durante a tarde, contudo, o Ibovespa começou a perder força. E analistas e operadores não atribuem esse movimento a alguma notícia específica ou mudança relevante de panorama. A percepção foi a de que, com o índice acima dos 105 mil pontos, um movimento de realização de lucros começou a ser desencadeado na bolsa.

As principais afetadas por esse efeito foram as ações do setor bancário, que abriram o dia em alta, mas fecharam com quedas firmes. Foi o caso de Itaú Unibanco PN (ITUB4), que caiu 1,67%; Bradesco PN (BBDC4), em baixa de 1,21%; Bradesco ON (BBDC3), com perda de 1,34%; e Banco do Brasil ON (BBAS3), com desvalorização de 2,6%.

Vale lembrar que, ao atingir o nível dos 106 mil pontos, o Ibovespa passou a acumular um ganho de quase 5% desde o início do mês. E mesmo com a leve baixa contabilizada hoje, o índice ainda sobe 3,17% em setembro e 0,81% nesta semana.

No exterior, as bolsas americanas também perderam força: o Dow Jones recuou 0,19% e o S&P 500 caiu 0,04%, enquanto o Nasdaq conseguiu sustentar leve ganho de 0,07%. Por lá, notícias a respeito das negociações entre Estados Unidos e China trouxeram alguma apreensão às negociações.

Declarações dadas pelo conselheiro do governo americano para assuntos ligados à China, Michael Pillsbury, não foram bem recebidas pelo mercado. Ao jornal South China Morning Post, Pillsbury disse que o presidente americano, Donald Trump, estaria pronto para uma nova escalada na guerra comercial caso um acordo entre aspartes não seja firmado em breve.

Dólar sob pressão

A diferença de postura entre o Copom e o Fed trouxe efeitos ao mercado de câmbio: por aqui, o dólar à vista mostrou-se pressionado desde o início do dia, encerrando a sessão no nível de R$ 4,16 e voltando aos níveis do início de setembro.

Parte do fortalecimento do dólar pode ser explicado justamente pelas decisões de política monetária: assim como na última reunião, o Copom cortou a Selic em 0,50 ponto, enquanto o Fed promoveu um ajuste de 0,25 ponto. Assim, desde julho, o diferencial de juros entre EUA e Brasil diminuiu em 0,50 ponto.

Com esse gap mais estreito, o real perde atratividade em relação ao dólar, uma vez que a divisa americana é mais segura e, agora, os investimentos no Brasil não tem uma rentabilidade tão maior que a das alocações nos EUA.

Além disso, operadores ponderaram que o dólar tem servido como opção de devesa para os mercados — se, por um lado, há um estímulo maior para entrar na bolsa, por outro, também há um impulso para aumentar as posições na moeda americana, protegendo-se contra eventuais turbulências.

Juros caem

A sinalização, por parte do Copom, de que o processo de redução na Selic tende a continuar, fez com que a curva de juros registrasse baixas em toda a sua extensão nesta quinta-feira.

Na ponta curta, os DIs com vencimento em janeiro de 2020 caíram de 5,17% para 5,11%, enquanto os para janeiro de 2021 recuaram de 5,21% para 5,03%. Na longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 foram de 6,27% para 6,19%, e as para janeiro de 2025 fecharam em queda de 6,83% para 6,81%.

Vale destacar que, apesar de terem terminado a sessão em baixa, as curvas de juros também passaram por um movimento de redução do alívio ao longo do dia. Os DIs para janeiro de 2021, por exemplo, chegaram a operar abaixo dos 5% durante a manhã.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Posição gerou polêmica

Presidente da CCJ da Câmara diz que vai pautar PEC da regra de ouro na quarta-feira

Decisão atropela um entendimento feito entre Maia e a equipe econômica de esperar a proposta do governo para avançar na discussão no Parlamento

Seu Dinheiro na sua noite

A pergunta que não quer calar

Como jornalista, estou acostumado a fazer perguntas, mas de vez em quando me vejo em uma situação em que sou obrigado a respondê-las. Na sexta-feira à noite fui a Santos fazer uma palestra na faculdade onde estudei sobre a profissão e os livros que escrevi, inclusive o primeiro deles – que surgiu do meu trabalho […]

Paralelo à reforma principal

Presidente da comissão especial na Câmara quer votar reforma da Previdência dos militares nesta semana

Na reunião de terça-feira, marcada para as 14h, deve ser iniciada a discussão que antecede a votação

Amigos, amigos...

OCDE diz que Brasil já é um parceiro-chave da OCDE, que já está perto da organização

Diretor para a América Latina na Organização diz que o Brasil se destaca em pesquisas no sentido de competitividade global

vestuário na bolsa

IPO da C&A: começa hoje a reserva de ações da varejista

Faixa de preço dos papéis — que serão negociados sob o código CEAB3 — ficará entre R$ 16,50 e R$ 20,00; montante mínimo a ser solicitado é de R$ 3 mil

Saiu perdendo

Firjan diz que mudança nos royalties pode trazer perda de R$ 30 bilhões em 4 anos ao Rio de Janeiro

O Estado, maior produtor brasileiro de petróleo e gás natural do Brasil (60% do total), perderia R$ 6,4 bilhões por ano

Me segue!

Ex-ministro da Fazenda, Meirelles diz que grande mérito do atual governo é manter diretrizes econômicas de Temer, mas aponta erros

Secretário da Fazenda paulista afirmou que muitos dos pontos da MP da Liberdade Econômica foram traçados durante sua gestão no Ministério da Fazenda

admirável mundo novo

Economia digital vira gargalo para tributação

Na era dos aplicativos de serviços, impressoras 3D, robôs, moedas virtuais e marketplaces, o sistema tributário ficou obsoleto e tem tirado o sono do Fisco

mudança de cenário

Com queda nos juros, busca por crédito tem o maior crescimento em 9 anos

Desde janeiro, o aumento do número de pessoas que buscaram crédito foi de 10,3%, em relação a igual período do ano passado, segundo a Serasa Experian

dia de otimismo

Ações do Banco Inter sobem forte após possível parceria com Uber

No mês, as units ainda acumulam queda de 7%; segundo a Coluna Broadcast, conversas envolveriam a entrega pela empresa brasileira de estrutura para que a Uber possa oferecer serviços bancários

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements