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Relatório da XP mostra que o “efeito bola de neve” do reinvestimento tem potencial de mais do que dobrar o retorno com os anos

A estratégia de investir em ações boas pagadoras de dividendos é uma das preferidas dos brasileiros. Mas fica a dúvida: para embolsar os pagamentos ou reinvestir? Um novo estudo da XP mostra a diferença no longo prazo de reaplicar os valores recebidos pelas companhias.
No caso da Petrobras: R$ 10 mil aplicados nas ações PETR4 em janeiro de 2016 teriam se transformado em cerca de R$ 68,9 mil em 2026, considerando apenas a valorização da ação.
Porém, quem reinvestiu todos os dividendos recebidos ao longo desse período de dez anos terminou com R$ 272,9 mil de retorno.
“Isso significa quase quatro vezes mais patrimônio, no mesmo intervalo, com a mesma ação, o mesmo valor inicial e sem nenhum aporte adicional”, diz a XP em relatório.
Mas esses valores não se limitam a maior vaca leiteira da bolsa. O estudo assinado pelo estrategista de ações Raphael Figueredo também simula retornos com as ações de Vale (VALE3) e Banco do Brasil (BBAS3).
“Dividendos fazem parte da composição do retorno de uma ação e, quando não são reinvestidos, esse pedaço do resultado se perde ao longo do tempo. Os números mostram que o reinvestimento não é um detalhe operacional, mas um dos principais determinantes do resultado”, diz o relatório.
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Reinvestir proventos significa usar cada dividendo ou juro sobre capital próprio (JCP) recebido para comprar mais ações da própria empresa, em vez de gastar o valor ou deixá-lo parado na conta.
De acordo com a XP, a maior parte dos investidores embolsa esse dinheiro e continua acompanhando apenas o preço da ação.
Acontece que o patrimônio investido é o preço da ação vezes a quantidade de ações. Para que o patrimônio cresça, além da valorização das ações é necessário aumentar a sua quantidade.
E é aí que entra o reinvestimento.
Ao reinvestir os proventos — dividendos e JCP —, o investidor compra mais ações, sem se comprometer com mais aportes do próprio bolso.
Essas novas ações se somam as anteriores e geram mais dividendos no próximo pagamento. E assim, sucessivamente, a renda passiva cresce a cada novo pagamento. É o tal do efeito bola de neve.
“Por isso, ao avaliar investimentos que pagam proventos, o mais importante é olhar o retorno total, que considera não só a valorização do preço das ações, mas também os proventos recebidos e reinvestidos ao longo do tempo”, diz o relatório.
Para mensurar isso na prática, os analistas da XP simularam R$ 10 mil aplicados em três ações vacas leiteiras, no período de janeiro de 2016 até abril de 2026. Em um cenário, o investidor recebe os proventos e não reinveste. No outro, reaplica tudo na própria ação.
Segundo o relatório, a Petrobras é o caso mais emblemático. Ao longo do período analisado, a empresa realizou 32 pagamentos de proventos, que somaram R$ 133,7 mil em dividendos recebidos sobre um capital inicial de R$ 10 mil.
Isso significa que a renda gerada pela ação PETR4 ao longo do tempo pagou 13,4 vezes o valor originalmente investido. E isso é apenas o pagamento dos dividendos.
Quando se considera todo esse valor reinvestido nas ações, o retorno sobe para R$ 272,9 mil.
As 1.456 ações iniciais (referente aos R$ 10 mil investidos) chegaram a 5.760 ações ao final do período, após os reinvestimentos. Cada dividendo recebido foi convertido em novas ações, que passaram, por sua vez, a gerar ainda mais dividendos.
“É o efeito dos juros compostos atuando dentro da renda variável de forma silenciosa, mas extremamente poderosa”, diz o relatório.
PETR4
(jan/2016 a abr/2026)
A Vale pagou menos proventos do que a Petrobras, mas ainda com uma consistência significativa, segundo a XP: 22 vezes ao longo de dez anos.
Com isso, o impacto do reinvestimento no retorno total também foi expressivo. Ao todo, a companhia distribuiu R$ 54,2 mil em proventos sobre o capital inicial de R$ 10 mil.
Ao reinvestir todo esse valor, a quantidade de ações em carteira mais do que dobra, saindo de 788 para 1.591 papéis, sem qualquer aporte adicional. Ou seja, o pagamento de dividendos também cresce ao longo do tempo.
Sem reinvestimento, o retorno com as ações VALE3 teria chegado a R$ 67,4 mil, somente pela alta do preço da ação. Com reinvestimento, o valor final praticamente dobrou, alcançando R$ 136 mil.
VALE3
(jan/2016 a abr/2026)
O Banco do Brasil foi a vaca leiteira com a maior frequência de pagamentos do estudo: 76 eventos. Em sua maioria distribuições trimestrais, além de alguns pagamentos extras.
Entretanto, o valor dos proventos é menor do que de Vale ou Petrobras, e a valorização no preço da ação também foi mais moderada (+216% no período).
Ainda assim, ao reaplicar todos os dividendos e JCP recebidos, o patrimônio final praticamente dobrou. Passou de R$ 31,6 mil no cenário sem reinvestimento, para R$ 60,5 mil com reinvestimento integral.
“O caso de BBAS3 reforça que o efeito do reinvestimento não depende apenas de fortes altas na cotação, mas também da constância na geração de renda. Quando os pagamentos são frequentes, os juros compostos trabalham de forma contínua, mesmo em cenários de valorização mais contida”, diz o relatório.
BBAS3
(jan/2016 a abr/2026)
O relatório da XP afirma: em horizontes curtos, o impacto do reinvestimento pode parecer pequeno, mas é no longo prazo que o “efeito bola de neve” acontece.
Para dimensionar o quanto isso pesa, os analistas comparam os retornos das ações com a renda fixa.
No mesmo período de dez anos, R$ 10 mil aplicados em CDI (benchmark da renda fixa) teriam se transformado em cerca de R$ 25,5 mil.
Só com a valorização das ações, o retorno de Petrobras, Vale e Banco do Brasil seria maior. Reinvestindo os proventos, estamos falando de R$ 10 mil que viraram R$ 60,5 mil no menor caso.
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