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MERCADOS

O boom da IA vira onda de perdas globais: Coreia do Sul cai 10%, Nasdaq afunda, mas Ibovespa resiste

O otimismo com os investimentos em inteligência artificial, que empurrou os principais índices do mercado para máximas históricas, dá lugar a uma combinação de fatores macroeconômicos e de mercado que leva os investidores a ativarem o modo de aversão ao risco

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Imagem: Canva Pro / Montagem: Bruna Martins

As bolsas globais estão vivendo dias de forte turbulência, e o epicentro desse movimento é justamente do setor que estava quebrando recordes sucessivos: inteligência artificial (IA). Pelo segundo dia consecutivo, as ações das gigantes de tecnologia lideram as perdas em Nova York, arrastando o Nasdaq e mercados na Ásia e na Europa para o terreno negativo. 

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Até poucas semanas atrás, o otimismo com os investimentos em infraestrutura de IA empurrou os principais índices para máximas históricas. Mas uma combinação de fatores macroeconômicos e de mercado faz os investidores ativarem o modo de aversão ao risco. 

Em primeiro lugar, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) adotou uma postura mais rígida (hawkish) na semana passada, sinalizando que a inflação nos EUA continua muito elevada, deixando a porta aberta para um aperto monetário. Juros mais altos tendem a pesar sobre empresas de crescimento, como as de tecnologia. 

Além disso, o mercado começou a questionar a própria capacidade de absorver o valuation esticado das companhias de IA. Esse receio ganhou força com a oferta inicial de ações (IPO) da SpaceX e das esperadas estreias de desenvolvedoras de IA, como a Anthropic e a OpenAI

Para especialistas, o movimento atual reflete uma realização de lucros natural. Como definiu Andrew Slimmon, gestor sênior de portfólio da Morgan Stanley Investment Management, durante o Squawk Box da CNBC: 

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"Os beneficiários da IA são a bola da vez da venda. Não acho que estejam caros, mas estão superlotados [com muitos operadores buscando o mesmo movimento]. Isso capturou o espírito dos traders de momento e, quando isso acontece, ocorrem quedas acentuadas como as de agora. Eu diria que é saudável". 

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Quem lidera as perdas em Nova York? 

O termômetro do estresse em Wall Street ficou evidente nos índices: o Nasdaq cai 1,8% nesta terça-feira (23), após ter recuado 1,3% na sessão de segunda-feira (22). O S&P 500 tem baixa de 1,2%, enquanto o Dow Jones cai mais timidamente (0,7%), sustentado por ações de perfil defensivo, como Walmart e Johnson & Johnson

Alphabet, controladora do Google, está entre as ações que lideram o movimento de perdas no setor de tecnologia. O papel recua 2% hoje, estendendo a queda de 5% vista na véspera. O motivo adicional de preocupação foram os relatos de saídas de talentos de alto escalão da área de IA da companhia. 

A Micron Technology desaba 11%, antecedendo a divulgação do balanço financeiro. No mesmo segmento, a Sandisk despenca 12% e a Seagate Technology cede mais de 8%. 

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A Nvidia, peso-pesado dos chips para IA, cai 3%. Outras empresas essenciais para o setor também registram perdas importantes: a Qualcomm recua8%, a AMD perde 5% e a Intel tem baixa de 4%. 

Como reflexo, fundos de índice (ETFs) focados no setor sofrem forte impacto, como o XLK (State Street Technology), que cai 3%, e o SMH (VanEck Semiconductor), que recua 6%. 

O efeito dominó nas bolsas da Ásia e Europa 

A liquidação das ações de tecnologia começou em Nova York na segunda-feira (22), mas se espalhou como um rastilho de pólvora pelos mercados globais durante a madrugada. 

A situação mais dramática ocorreu na Coreia do Sul, cujo índice de referência, o Kospi, afundou 10%.  

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O mercado coreano, que acumulava uma impressionante alta de 95% no ano impulsionado pelo frenesi especulativo de IA, foi duramente castigado pelo tombo de suas principais empresas.  

A SK Hynix, líder em chips de memória, desabou mais de 12%, enquanto a Samsung também acompanhou o recuo. 

Outros mercados asiáticos sofreram com a forte dependência do setor de chips. No Japão, o Nikkei 225 caiu 3,55%, interrompendo uma sequência de oito dias seguidos de ganhos.  

Em Taiwan — mercado amplamente dominado pela Taiwan Semiconductor Manufacturing — o principal ETF de ações locais (iShares MSCI Taiwan) recuou 5% no dia. 

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A Europa não ficou imune. O índice pan-europeu Stoxx 600 chegou a cair 1%, liderado justamente pelo índice setorial de tecnologia, que perdeu 3%. A holandesa ASMI e a STMicroeletronics despencam mais de 6% cada uma. 

E o Ibovespa? 

No mercado brasileiro, o Ibovespa consegue demonstrar maior resiliência na última hora de negociações, estabilizando-se ao redor dos 170 mil pontos.

Embora o cenário nas bolsas em Nova York continue a pesar negativamente devido às incertezas sobre a economia dos EUA geradas pelo tombo tecnológico, o principal índice da bolsa brasileira reverteu as perdas no início da tarde e opera em alta. 

Por volta de 12h25, o Ibovespa subia 0,30%, aos 170.880,25 pontos.  

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O cenário interno é marcado pela análise detalhada da ata do Comitê de Política Monetária (Copom).  

O documento mostrou que ainda existem divergências entre os membros do Banco Central sobre a condução da política monetária do país, embora os juros futuros tenham reagido acompanhando uma leitura de viés mais brando (dovish) da ata. 

A melhora do Ibovespa não é maior porque os setores de peso da bolsa local operaram no vermelho: o setor petrolífero cai acompanhando o recuo do barril no mercado internacional, e as ações metalúrgicas e de mineração também cedem — com a Vale (VALE3) recuando mais de 1% devido à queda do preço do minério de ferro.  

Diante das incertezas tanto no front doméstico quanto no externo, o dólar à vista se mantém fortalecido, cotado a R$ 5,18. 

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