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Tom duro do Fed e queda do petróleo pressionaram ações do índice; Embraer foi destaque positivo, enquanto Braskem ficou na lanterna

A semana foi negativa para as ações brasileiras, que seguiram na contramão dos principais mercados globais. O Ibovespa encerrou os últimos cinco pregões com queda de 1,6% em reais, aos 168.457 pontos, devolvendo ganhos acumulados desde o início do ano.
Em dólares, a perda foi ainda mais intensa, de 3,1%, refletindo a valorização da moeda norte-americana frente ao real. A taxa de câmbio fechou a R$ 5,1648 na sexta-feira (19), após acumular 2% de valorização na semana.
O movimento ocorreu em meio a uma combinação de fatores. A queda na cotação do petróleo pressionou o setor de óleo e gás, um dos mais relevantes da bolsa brasileira.
Em paralelo, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros nos Estados Unidos, mas adotou um discurso mais duro sobre a trajetória da inflação. Os agentes financeiros agora esperam um aumento nas taxas ainda este ano, reduzindo o apetite por mercados emergentes.
Com isso, o fluxo estrangeiro negativo continuou pesando contra. Embora em ritmo menor do que nas semanas anteriores, os investidores internacionais retiraram cerca de R$ 206 milhões da bolsa brasileira, acumulando saídas superiores a R$ 31,9 bilhões desde meados de abril, segundo dados compilados pela XP.
A agenda econômica seguirá carregada nos próximos dias.
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No Brasil, os investidores acompanharão a ata da última reunião do Copom, que pode dar sinais adicionais sobre os próximos passos da política monetária após o corte da Selic para 14,25% ao ano.
Também entram no radar a prévia da inflação de junho (IPCA-15), a taxa de desemprego medida pela PNAD Contínua, além do Relatório de Política Monetária do Banco Central.
Nos Estados Unidos, o destaque será a divulgação da inflação medida pelo núcleo do PCE, indicador preferido do Fed, além da leitura final do PIB do primeiro trimestre. Dados de atividade, como os PMIs das principais economias globais, também devem influenciar os mercados ao longo da semana.
Os avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã reduziram as preocupações dos investidores com uma escalada do conflito no Oriente Médio. O memorando assinado entre os dois países estabeleceu um cessar-fogo temporário e abriu espaço para negociações mais amplas nos próximos meses.
Como consequência, o petróleo perdeu força. O barril do Brent recuou para níveis abaixo de US$ 80, acumulando queda de 7,7% na semana.
Embora a queda no preço do petróleo tenda a aliviar pressões inflacionárias no mundo, ela teve um efeito imediato negativo para o Ibovespa. Isso porque empresas ligadas ao setor de óleo e gás têm peso relevante no índice e foram diretamente afetadas pelo movimento.
Não por acaso, o setor de Óleo, Gás e Petroquímicos liderou as perdas da semana, com recuo de 7,1%, no pior desempenho entre os grandes segmentos da bolsa. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) caíram 3,62%, enquanto as preferenciais (PETR4) perderam 2,61%. Prio (PRIO3) e PetroRecôncavo (RECV3) também tiveram perdas, de 3,05% e 6,43%, respectivamente.
Como esperado, o Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A surpresa veio na comunicação da autoridade monetária. As projeções inflacionárias foram revisadas para cima, enquanto parte dos dirigentes do banco central passou a indicar a possibilidade de novas altas de juros ainda em 2026.
Com isso, a leitura dos investidores foi de que os juros norte-americanos permanecerão elevados por mais tempo, enxugando a liquidez de capital global.
Esse cenário costuma reduzir a atratividade de países emergentes, já que os títulos do governo norte-americano (Treasurys)passam a oferecer retornos mais elevados com menor risco.
O resultado foi mais pressão sobre os ativos brasileiros, incluindo bolsa, câmbio e curva de juros.
O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, resultado amplamente esperado pelo mercado. O comunicado, porém, foi interpretado como mais brando, mantendo em aberto tanto a possibilidade de novas reduções quanto uma pausa no ciclo já na próxima reunião.
Enquanto isso, os indicadores de atividade econômica trouxeram sinais mistos.
As vendas no varejo frustraram as expectativas em abril, enquanto o IBC-Br (prévia do PIB) mostrou recuperação na comparação mensal, mas ficou abaixo das projeções dos economistas.
Segundo a XP, os investidores estrangeiros retiraram R$ 206 milhões da B3 na semana, mantendo o movimento de realização observado desde abril. Desde o início da correção do mercado, o saldo acumulado de saída já supera R$ 31,9 bilhões.
Entre os setores mais afetados se destacaram óleo e gás (-7,1%), agropecuária (-6,3%), educação (-5,7%) e varejo (-4,0%).
Na ponta positiva, o destaque da semana foi a Embraer (EMBR3). As ações da fabricante de aeronaves avançaram 8,7%, impulsionadas por notícias favoráveis para a divisão de defesa, incluindo avanços nas negociações na Grécia e perspectivas de expansão de negócios na Índia.
Outros destaques positivos vieram de empresas ligadas à economia doméstica e ao setor industrial, como WEG (WEGE3), que subiu 6%, e Caixa Seguridade (CXSE3), com avanço de 5,6%.
Na ponta negativa, a maior queda do Ibovespa ficou com a Braskem (BRKM5), cujas ações despencaram 17,6% após dificuldades nas negociações com credores para uma reestruturação extrajudicial da dívida.
Também figuraram entre as maiores baixas da semana Usiminas (-14,7%), CSN (-13,1%) e Natura (-12,4%), refletindo o ambiente mais desafiador para empresas cíclicas e ligadas a commodities.
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