Nova York em queda livre: por que o investidor torceu o nariz para o novo presidente do BC dos EUA e castigou as bolsas
Além de anunciar várias mudanças no Fed, o mercado também passou a ver uma chance cada vez maior de os juros subirem nos EUA

Uma estreia pressupõe aplausos dos espectadores. Mas não foi o que aconteceu com Kevin Warsh em sua primeira decisão sobre os juros nos EUA. Os investidores não gostaram do que ouviram — e não foi pouca coisa — e castigaram as bolsas em Nova York. Por aqui, o Ibovespa acompanhou as perdas antes da nossa própria decisão sobre a Selic, e o dólar à vista voltou a subir.
A reação negativa não foi sem razão: o mercado deve passar a operar mais no escuro com relação aos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sobre o futuro dos juros nos EUA.
A primeira mudança veio logo no comunicado que trouxe a decisão de manter a taxa referencial na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano: sem forward guidance (orientação futura).
No comunicado de hoje, saiu o trecho em que o Fomc afirmava que avaliaria "a magnitude e o momento de ajustes adicionais" na taxa de juros. Também desapareceram as referências ao monitoramento contínuo dos riscos para a economia e à disposição de ajustar a política monetária caso necessário.
Mas não foi só isso: Warsh também anunciou a criação de uma força-tarefa que vai passar um pente fino nas práticas do Fed. Segundo Warsh, serão estudados os comunicados, fontes de dados, balanço patrimonial e produtividade e emprego. Até mesmo a realização de coletivas após as decisões pode mudar.
“Tudo sugere que o novo presidente do Fed vai fazer um mandato diferente de Powell, com decisões ainda mais disputadas internamente e menos telegrafadas ao mercado”, disse Maurício Garret, chefe da mesa de operações internacionais do Inter.
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Para Garret, “Trump não deve ver juros mais baixos tão cedo dado o cenário inflacionário persistente e uma economia resiliente, impulsionada por forte investimento”.
Muito pelo contrário. Vários membros do Fed preveem aumento dos juros em 2026, segundo o resumo das projeções econômicas divulgadas hoje.
A estimativa mediana para os juros no final do ano é de 3,8%, um aumento em relação aos 3,4% das projeções de março, o que sugere que o comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) considera necessário pelo menos um aumento de juros em 2026.
E o mercado já até sabe quando isso deve acontecer. As apostas compiladas pelo CME Group por meio da ferramenta FedWatch mostraram que a probabilidade de o Fed aumentar os juros este ano foi antecipada de dezembro para outubro.
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Com isso, o Dow Jones encerrou o dia em queda de 0,98%, aos 51.492,55 pontos. O S&P 500 perdeu 1,21%, nos 7.420,10 pontos. Já o Nasdaq recuou 1,34%, aos 26.021,66 pontos.
A cautela tomou conta de Wall Street ao longo da tarde, levando todos os setores do S&P 500 a fecharem em queda. Comunicação (-2,98%) e consumo discricionário (-2,69%) lideraram perdas, mas até setores que começaram a sessão em alta, como tecnologia (-0,61%), perderam ímpeto.
Por aqui, o Ibovespa acompanhou a tendência negativa à espera da decisão do Banco Central sobre a Selic.
Após mínima aos 167.915,71 pontos (-1,02%) à tarde e máxima aos 171.878,23 (+0,56%) pela manhã, o principal índice da bolsa brasileira fechou em baixa de 0,70%, aos 168.453,93 pontos.
As ações cíclicas, como Natura (-8%) foram destaque de queda, com o índice também sem auxílio da Vale (-2%), enquanto bancos e Petrobras operaram mistos.
No câmbio, o dólar operou em alta com relação aos seus principais pares globais. Por volta das 16h50 (de Brasília), a moeda norte-americana avançava a 160,77 ienes, enquanto o euro caía a US$ 1,1490 e a libra recuava a US$ 1,3274.
Já o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,55%, a 100,089 pontos.
Por aqui, a moeda norte-americana fechou com alta de 0,41%, a R$ 5,1077, depois não só de trocar de sinal como após iniciar uma escalada na meia hora final de negócios, com sucessivas renovações de máximas, atingindo R$ 5,1217 no pico da sessão.
Na renda fixa, os yields (rendimentos) dos títulos do Tesouro norte-americano de dois anos, mais sensível à política monetária, bateu máxima intradia a 4,229%, no maior nível desde fevereiro de 2025, ante o ajuste anterior 4,047%.
Já o yield do título de 10 anos, referência para o mercado, subiu mais de 8 pontos, para 4,501%, na máxima intradia.
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