Banco do Brasil surpreende, Bradesco é cobrado por mais — depois do desfile do 4T25, quem realmente tem fôlego para 2026?
Lucros vieram, mas nem todos convenceram; veja qual banco saiu mais forte do trimestre — e quem ainda precisa mostrar serviço

No Carnaval dos balanços do quarto trimestre de 2025, os grandes bancos brasileiros desfilaram na avenida com fantasias bem diferentes. Alguns exibiram samba no pé e bateria afinada. Teve quem apostou em alegorias vistosas para compensar falhas na bateria. E teve também quem preferiu um desfile técnico, calculado — sem arriscar perder pontos.
Se o investidor tivesse que escolher a escola campeã da temporada, o favoritismo seguiria com o Itaú Unibanco (ITUB4).
Já o Bradesco (BBDC4) confirmou que está recuperando o ritmo — ainda que o público tenha cobrado por mais.
Enquanto isso, o Santander Brasil (SANB11) fez um desfile tecnicamente correto, mas sustentado por efeitos extraordinários.
Por sua vez, o Banco do Brasil (BBAS3) surpreendeu no placar final, mas levantou dúvidas sobre a qualidade do enredo.
Com 2026 no horizonte e um cenário macroeconômico ainda apertado, a pergunta é: quem lidera o trio elétrico dos bancos daqui para frente — e quem ainda merece lugar no portfólio?
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Os destaques dos balanços dos bancos no 4T25
| Empresa | Lucro líquido (% a/a) | Rentabilidade/ROE (% a/a) |
|---|---|---|
| Itaú Unibanco (ITUB4) | R$ 12,8 bilhões (+13,2%) | 24,4% (+2,3 p.p.) |
| Santander Brasil (SANB11) | R$ 4,08 bilhões (+6%) | 17,6% (0 p.p.) |
| Banco Bradesco (BBDC4) | R$ 6,51 bilhões (+20,6%) | 15,2% (+2,5 p.p) |
| Banco do Brasil (BBAS3) | R$ 5,74 bilhões (-40,1%) | 12,4% (-8,4 p.p) |
Banco do Brasil (BBAS3): lucro forte, mas bateria desafinada
À primeira leitura, o Banco do Brasil arrancou aplausos. O lucro do 4T25 veio acima das expectativas, principalmente com uma receita extraordinária.
Parte relevante da surpresa no quarto trimestre veio de um efeito tributário positivo de R$ 1,8 bilhão, impulsionado por um resultado antes de impostos menor e por um mix favorável ao lucro líquido. O mercado esperava despesa — a XP, por exemplo, projetava impacto negativo de R$ 216 milhões.
Mas, como em qualquer desfile, o resultado final depende mais da consistência do conjunto do que do brilho isolado de uma ala. “O lucro foi até alto, mas com qualidade muito baixa”, resumiu Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial.
O BTG Pactual destacou que o lucro antes dos impostos (EBT) ficou abaixo das estimativas, pressionado por provisões elevadas. O Itaú BBA reforça que as tendências do balanço foram fracas, com um guidance (projeção) ainda conservador para 2026.
O agronegócio — historicamente um dos carros-chefes do Banco do Brasil — virou o ponto mais sensível do desfile. A inadimplência na carteira rural segue pressionada. Além disso, houve leve deterioração na pessoa física, enquanto o segmento corporativo foi o único a trazer algum alívio.
O guidance para 2026 também confirmou o tom defensivo: expansão de crédito contida e lucro estimado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.
Para parte do mercado, crescer menos neste momento pode ser uma estratégia inteligente — errar menos enquanto a poeira macroeconômica não baixa. "Vemos com bons olhos a postura prudente e a governança do banco em um momento em que o ciclo de aperto monetário tem afetado negativamente a qualidade dos ativos”, afirmou a XP.
“O sentimento com a ação do Banco do Brasil pode melhorar entre investidores que argumentam que o banco ganhou mais tempo para lidar com ativos problemáticos”, avalia o Safra.
Mas o próprio Itaú BBA avalia que a recuperação pode ser lenta, especialmente diante da normalização incerta do agro e da trajetória da Selic.
Já o XP e Citi avaliam que, apesar das tendências melhores, o banco ainda não virou a chave. “O cenário ainda é desafiador para o Banco do Brasil, o que nos mantém cautelosos por ora”, afirmaram os analistas do Citi.
O JP Morgan adotou tom levemente mais construtivo, mas reforçou que um ROE de 12,6% está longe de caracterizar uma grande performance.
Em outras palavras, o Banco do Brasil até passou com destaque na comissão de frente. Agora precisa provar que a bateria aguenta o desfile inteiro.
Bradesco (BBDC4): desfile consistente, mas mercado pede bis
O Bradesco optou por um desfile sem excessos e sem tentar reinventar o enredo. Entregou um trimestre em linha com o que o mercado esperava, confirmando a tese de recuperação gradual da rentabilidade.
A qualidade do crédito permaneceu estável. As receitas de tarifas cresceram. O controle de custos seguiu disciplinado. O segmento de seguros ajudou, ainda que provisões mais robustas tenham limitado o EBT.
O que pesou na nota da apresentação foi o guidance para 2026, considerado mais conservador do que o mercado gostaria.
Para o JP Morgan, foi um trimestre "ok”, mas que exige evolução adicional do ROE para justificar múltiplos de 1,3 vez o valor patrimonial para as ações. “Foi um trimestre razoável diante de um guidance mais fraco que o esperado”, avaliou.
O BTG vê progresso: o Bradesco encerra o ano em condição melhor, com crescimento de carteira, bom controle de custos e recuperação gradual dos resultados. Porém, para os analistas, a velocidade da melhora pode limitar valorização adicional das ações.
O Bradesco parece ter enfim reencontrado o ritmo da bateria. A questão é se isso será suficiente para disputar o título.
Itaú (ITUB4) mantém o favoritismo no desfile
Se há uma escola que entrou na avenida com confiança, foi o Itaú. O banco entregou mais um trimestre robusto: margem financeira resiliente, inadimplência sob controle e disciplina de custos. A previsibilidade virou sua principal credencial.
Para o BB Investimentos, a combinação de crescimento moderado da carteira, rentabilidade crescente e ausência de ruídos reforça a consistência da execução.
Segundo os analistas, a combinação de carteira de crédito em expansão moderada, margem financeira robusta e inadimplência estabilizada “cria o pano de fundo perfeito para que o banco siga entregando resultados elevados sem depender de movimentos extraordinários".
O foco em pequenas e médias empresas começa a aparecer nos números, e o ROE do varejo voltou para perto de 28%.
O UBS BB reforçou que os resultados sustentam a tese de valuation — ainda que o potencial de valorização seja mais limitado. O BTG classifica 2026 como um ano de transição, mas avalia que o banco está bem-posicionado para continuar superando os rivais.
O guidance do Itaú para 2026 ficou levemente abaixo de algumas estimativas, principalmente por fatores técnicos, como maior alíquota efetiva de imposto. Nada estrutural.
“Grande parte do potencial de resultados para o próximo ciclo já foi ‘plantada’ em 2025 e deve continuar sendo trabalhada em 2026, posicionando o Itaú para defender participação e lucratividade em seus segmentos centrais — especialmente no Personalité”, dizem os analistas.
A pergunta já não é mais se o Itaú entrega. É quanto ainda há de espaço para conquistar notas ainda mais altas.
Santander (SANB11): trimestre salvo pela ala tributária
O Santander fez um desfile que pareceu melhor no placar do que na evolução técnica. O lucro foi sustentado por uma alíquota de imposto excepcionalmente baixa — apenas 2,5%. Sem esse efeito, o EBT teria ficado ainda mais fraco.
O BTG foi direto: o imposto “salvou o dia”. Já o JP Morgan Morgan classificou o resultado como brando, mas dentro do esperado — e melhor do que se temia.
A inadimplência acima de 90 dias voltou a subir, especialmente em PMEs e na carteira de baixa renda. O banco argumenta que parte do movimento decorre de antecipações de write-offs realizadas no início do ano.
A XP considera que, apesar das pressões pontuais, a qualidade dos ativos permanece sob controle e o custo de risco melhorou.
O CEO do Santander, Mario Leão, sinalizou que 2026 deve trazer crescimento mais robusto no lucro antes dos impostos — exatamente onde o mercado quer ver consistência, sem depender de efeitos extraordinários.
O Santander está reorganizando suas alas, ajustando a bateria e tornando o mix mais defensivo. Mas ainda precisa convencer de que pode disputar o topo da apuração.
Quem lidera o trio elétrico em 2026?
Para o BTG, este ano será menos sobre discussão de estratégia e mais sobre execução.
As diretrizes já estão definidas. O desafio agora é traduzir disciplina de balanço, gestão de custos e foco em rentabilidade em lucro recorrente — em um ambiente macro que ainda inspira cautela.
No desfile do 4T25, o Itaú manteve o favoritismo. Em meio à execução sólida e previsibilidade, é consenso entre os analistas que as ações ITUB4 seguem dignas de compra.
O Bradesco mostrou evolução consistente, ainda que gradual. Porém, analistas avaliam que o banco precisa acelerar para sustentar múltiplos mais exigentes.
Embora tenha avançado, o Santander ainda depende de comprovar uma força estrutural no lucro. Dessa forma, a recomendação neutra para as ações SANB11 prevalece no mercado.
E o Banco do Brasil precisa provar que o brilho recente não foi apenas efeito de luz na avenida. Por enquanto, todas as recomendações para BBAS3 são neutras.
O desfile do 4T25 terminou e a apuração de 2026 já começou. Resta confirmar quem vai brilhar agora.
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