“Mercado cobra mais do que os chefes”, diz CEO do Bradesco (BBDC4). Por que ação apanha após o balanço do 4T25?
Mesmo depois de resultados dentro do esperado no quarto trimestre de 2025, os investidores reagiram negativamente à divulgação; entenda o movimento

Embora novamente tenha conseguido entregar os resultados esperados para o quarto trimestre de 2025, o Bradesco (BBDC4) ainda se viu diante de uma reação amarga dos investidores após a divulgação do balanço.
No after market em Wall Street, os ADRs (depósitos de ações) chegaram a tombar 6% ontem (5) e estenderam as perdas em 2% no pré-mercado nesta sexta-feira (6), já prenunciando uma sessão difícil para o banco na bolsa brasileira.
Por aqui, logo na abertura do pregão, as ações BBDC4 amargavam queda da ordem de 4,49% por volta das 10h50, cotadas a R$ 20,20.
No último trimestre do ano passado, o banco comandado por Marcelo Noronha teve um lucro líquido recorrente de R$ 6,51 bilhões, alta de 20,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, e levemente acima do consenso de mercado, que apontava para um lucro médio de R$ 6,39 bilhões.
Já do lado da rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) do Bradesco atingiu 15,2%, em um avanço de 2,5 pontos percentuais (p.p) frente ao 4T24, em linha com as expectativas do mercado.
Com esse desempenho, a rentabilidade voltou a superar o custo de capital próprio do banco — algo que não acontecia há tempos.
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Na avaliação do CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, a reação negativa dos papéis no mercado deve-se a uma calibragem das expectativas elevadas do mercado.
“O mercado começou a trazer uma expectativa, e você sabe como funciona. O mercado cobra mais do que os chefes e até mais do que o meu conselho. Eles aumentam a exigência a cada trimestre”, afirmou Noronha, durante entrevista coletiva com jornalistas.
Segundo o executivo, o mercado trabalhava com uma expectativa de lucro de R$ 30 bilhões, mas se esquece dos impactos em competitividade. “Não faremos isso. Falamos que, ao longo deste período, seria step-by-step", disse o CEO.
“Vamos manter o pé no chão. Ao fornecermos o guidance, trabalhamos com um intervalo e não entregaremos nada menor do que os 15,2% que entregamos no trimestre. Será disso para cima”, afirmou Noronha.
Os destaques do balanço do Bradesco (BBDC4) no 4T25:
| Indicador | Resultado 4T25 | Projeções | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 6,51 bilhões | R$ 6,39 bilhões | +20,6% | +5% |
| ROAE | 15,2% | 15,2% | +2,5 p.p | +0,5 p.p |
| Margem financeira | R$ 19,2 bilhões | — | +13,2% | +2,9% |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 1,09 trilhão | — | +11% | +5,3% |
Por trás da reação negativa do mercado ao balanço do 4T25
O quarto trimestre do Bradesco trouxe um resultado sem grandes surpresas, confirmando a recuperação gradual da rentabilidade, diz a XP Investimentos. “O trimestre reforça uma visão de execução consistente e previsível, com maior visibilidade para 2026”, diz a corretora.
O JP Morgan teve uma leitura mista do balanço, dado que a projeção (guidance) para 2026 veio mais conservadora do que o esperado pelo mercado. Isso indica que será outro ano de apetite a risco limitado, após uma projeção mais fraca do que o entregue em 2025, quando o guidance anterior indicava um lucro de R$ 22,5 bilhões, mas o banco entregou R$ 24,7 bilhões.
“Para o trimestre em si, vemos como positivo a estabilidade da qualidade de crédito, o forte crescimento de PMEs semelhante ao Itaú) e um aumento no resultado de seguros e previdência (beneficiado por impostos menores)”, afirmaram os analistas do banco norte-americano.
Segundo o JP Morgan, vários indicadores foram positivos, mas ainda assim houve um lucro antes de impostos (EBT) abaixo das expectativas, o que parece refletir um nível mais conservador de provisões.
“Foi um trimestre razoável diante de um guidance mais fraco que o esperado”, avalia o JP Morgan. Para os analistas, dado que o Bradesco negocia a um múltiplo de 1,3 vez o valor patrimonial, isso significa que o banco precisa apresentar melhora no ROE (ou a redução no custo de capital) para justificar alta adicional nas ações.
Para a XP, a qualidade de crédito do Bradesco “permaneceu estável e construtiva”, embora as provisões sigam robustas, reflexo do crescimento da carteira e da maior recuperação de write-offs, ou baixas contábeis.
“Embora reconheçamos a trajetória positiva, continuamos monitorando essa linha de perto, dada a ainda desafiadora conjuntura macro”, afirmam os analistas.
Do lado das receitas com prestação de serviços, um ponto positivo é que clientes de alta renda já representam cerca de 50% do faturamento total de cartões, o que a XP considera ser positivo para a sustentação do crescimento ao longo do tempo.
Segundo analistas da XP, o guidance para 2026 “sustenta uma visão construtiva”. Para a divisão de seguros, a tendência para 2026 é que resultados financeiros compensem uma operação mais pressionada, à medida que os investimentos em Saúde devem se normalizar ao longo do ano, afirma a corretora.
Na visão do BTG Pactual, o desempenho do Bradesco refletiu um crescimento sólido da carteira e das receitas de tarifas, além de bom controle de custos, que foram parcialmente compensados por provisões mais elevadas e resultados mais fracos em seguros.
"O banco encerrou o ano em condição melhor, com recuperação gradual de resultados, porém a velocidade de melhora pode limitar valorização adicional das ações", disseram os analistas.
O que fazer com as ações do Bradesco (BBDC4) agora?
Das oito recomendações para as ações do Bradesco (BBDC4) compiladas pelo TRadeMap, cinco ainda são de compra e três, neutras.
A XP é uma das casas com um olhar mais cauteloso para o banco, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 17, o que implica uma queda potencial de 19% em relação ao último fechamento.
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