CVM dá um basta e tira empresas em recuperação judicial da B3 — o histórico é caótico; veja quais
Quatro empresas tiveram os registros suspensos após mais de um ano sem prestar informações obrigatórias; companhias acumulam dívidas bilionárias e disputas societárias

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apertou o cerco contra quatro companhias em recuperação judicial. O xerife dos mercados tirou o direito delas de manter seus papéis negociados no mercado regulado.
A Superintendência de Relações com Empresas (SEP) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu os registros da 2W Ecobank (TWEN3), Cia Tecidos Santanense (CTSA3; CTSA4), Rossi Residencial (RSID3) e Teka Tecelagem (TEKA3; TEKA4), todas em recuperação judicial.
Segundo a CVM, a decisão foi tomada porque as empresas deixaram de cumprir, há mais de um ano, a obrigação de prestar informações periódicas ao mercado, exigida pela Resolução CVM 80.
A suspensão impede que os valores mobiliários emitidos por essas companhias sejam negociados em mercados regulamentados, incluindo bolsa de valores, balcão organizado e balcão não organizado.
A medida não elimina eventuais responsabilidades das empresas, controladores e administradores por infrações cometidas anteriormente.
O histórico das companhias em recuperação judicial
A Teka vive uma das recuperações judiciais mais longas da história do país. A companhia catarinense está no processo desde 2012 e, neste ano, chegou a ter a falência decretada pela Justiça.
Leia Também
No entanto, a decisão foi revertida semanas depois pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), após recurso apresentado pelo fundo Alumni FIP, que assumiu protagonismo na gestão da empresa.
O fundo formou um bloco com acionistas minoritários, afastou a família fundadora Kuehnrich do comando da companhia e passou a liderar o processo de reestruturação.
Mais recentemente, um acordo entre os antigos controladores e a nova gestão abriu caminho para um novo plano de recuperação judicial, incluindo a utilização de imóveis da família fundadora para levantar recursos destinados ao pagamento de dívidas trabalhistas.
Já a Santanense voltou ao centro das atenções nos últimos meses em meio à recuperação judicial da Coteminas (CTNM3), grupo que controla a fabricante têxtil.
O novo plano de reestruturação apresentado pela companhia prevê a possibilidade de alienação de imóveis em Itaúna (MG), incluindo, a tradicional fábrica da Santanense, patrimônio histórico e econômico da cidade há mais de um século.
A eventual venda da unidade ganhou peso após a deterioração financeira da Coteminas, que entrou em recuperação judicial em 2024 com um passivo superior a R$ 2 bilhões. O plano apresentado aos credores prevê venda de ativos, criação de fundos imobiliários e reorganização financeira para tentar evitar um cenário de falência.
No caso da Rossi Residencial (RSID3), a incorporadora foi uma das maiores representantes do boom imobiliário brasileiro dos anos 2000 e uma das pioneiras do setor na bolsa de valores, tendo aberto capital ainda em 1997 — antes mesmo da onda de IPOs das construtoras entre 2006 e 2007.
A companhia acabou sucumbindo ao elevado endividamento e à deterioração do mercado imobiliário após a crise econômica da década passada, entrando em recuperação judicial em 2022 com dívidas superiores a R$ 1 bilhão.
Nos últimos anos, a situação financeira da empresa passou a ser acompanhada de uma intensa disputa societária. A família fundadora Rossi e o investidor Silvio Tini travaram uma batalha que mobilizou sete arbitragens na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM-B3), paralisando a governança da incorporadora.
A disputa envolvia acusações de descumprimento da poison pill do estatuto social, questionamentos sobre influência no conselho de administração e embates sobre o controle da companhia.
Mais recentemente as partes anunciaram um acordo para encerrar os litígios e tentar destravar a recuperação da empresa.
CONTRATOS PÚBLICOS RELEVANTES
O que sobrou da Oi (OIBR3)? Serviços terão fase de transição até o fim definitivo
26 de agosto de 2026 - 9:15VAI PINGAR NA CONTA?
Dividendos da Vale (VALE3): o gatilho que ainda passa despercebido, mas pode colocar mais proventos no bolso de quem tem as ações
26 de agosto de 2026 - 6:01AINDA NÃO É DESSA VEZ
R$ 12 bi fora da mesa (por enquanto): Bradesco nega acordo para compra da Amil, mas não fecha as portas para o negócio
25 de agosto de 2026 - 20:04SD EXPLICA
Crise das Casas Bahia (BHIA3): o que realmente aconteceu para levar a varejista à recuperação judicial?
25 de agosto de 2026 - 18:45QUEBROU
De novo: Oi (OIBR3) tem falência decretada pela Justiça pela segunda vez
25 de agosto de 2026 - 15:59VEM COISA BOA POR AÍ?
A declaração do CEO da Vale (VALE3) que fez as ações da mineradora subirem quase 2%
25 de agosto de 2026 - 15:38R$ 6 BILHÕES EM JOGO
O bilhete premiado de ONCO3? CVM julga oferta que pode pagar 10 vezes o preço atual da ação — mas só para alguns acionistas
25 de agosto de 2026 - 10:02MINORITY REPORT?
Do PABX aos drones com reconhecimento facial: como a Intelbras (INTB3) se reinventou e hoje usa a IA para ir além das câmeras de segurança
25 de agosto de 2026 - 6:07PENNY STOCK
Ações abaixo de R$ 1,00: Viveo (VVEO3) é cobrada pela B3 e traça plano para regularizar papéis
24 de agosto de 2026 - 20:00TENTATIVA DE FÔLEGO
Agora é pra valer: Braskem (BRKM5) entra com pedido de recuperação extrajudicial com mais de R$ 50 bilhões em dívidas
24 de agosto de 2026 - 18:34ALERTA MACROECONÔMICO
“O juro é o sintoma, não a causa”: o que os CEOs dos maiores bancos do Brasil esperam da economia após a eleição
24 de agosto de 2026 - 14:20A HISTÓRIA DA CRISE
De gigante petroquímica a uma dívida de US$ 11 bilhões: como a Braskem (BRKM5) chegou às portas da recuperação extrajudicial
24 de agosto de 2026 - 14:04TROCA DE CADEIRAS
Fundador do PagBank (PAGS34), Luiz Frias dá adeus ao conselho da dona da ‘moderninha’; o que muda para a empresa?
24 de agosto de 2026 - 12:07MAIS PRAZO PARA NEGOCIAR
Braskem (BRKM5) avança para pedir recuperação extrajudicial com mais de US$ 10 bilhões em dívida, diz jornal
24 de agosto de 2026 - 8:49DEFESA
Nova aposta dos irmãos Batista: Joesley e Wesley compram Avibras, maior indústria bélica do país e que está em profunda crise
22 de agosto de 2026 - 9:24BOM NEGÓCIO
A venda de fatia da Rumo (RAIL3) resolve os problemas da Cosan (CSAN3)? Veja o que diz o Citi
21 de agosto de 2026 - 16:12O TETO AINDA ESTÁ LONGE
Nubank ainda tem muito chão para crescer no Brasil; “pote de ouro” está justamente onde os bancões querem brigar
21 de agosto de 2026 - 13:31SONHO VIRANDO REALIDADE, MAS A QUE CUSTO?
Shein a preço de liquidação? Gigante chega ao IPO valendo um quarto do que no auge — mas há motivos para o desconto
21 de agosto de 2026 - 12:40EM BUSCA DE PETRÓLEO
Depois da Margem Equatorial, Petrobras (PETR4) agora quer atravessar o oceano para extrair petróleo em Gana
21 de agosto de 2026 - 11:15MAIS UMA REESTRUTURAÇÃO?