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Ação cai mesmo com lucro acima do consenso; entenda a visão dos analistas sobre o 4T25 do Santander
Entregar o que o mercado espera nem sempre é suficiente. O Santander Brasil (SANB11) acaba de deixar isso claro mais uma vez. Apesar de um balanço do quarto trimestre de 2025 majoritariamente dentro das projeções, o banco voltou a enfrentar uma recepção fria dos investidores.
Nesta quarta-feira (4), as units do Santander operam no vermelho. Por volta das 11h55, os papéis caíam 1,39%, a R$ 35,44.
No trimestre, a operação brasileira do banco espanhol registrou lucro líquido de R$ 4,08 bilhões, a melhor performance do Santander em quatro anos. Os ganhos vieram levemente acima da média das projeções, que apontava para R$ 4,06 bilhões.
Já a rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) encerrou o trimestre em 17,6%, praticamente estável e em linha com o esperado.
| Indicador | Resultado 4T25 | Projeções | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 4,08 bilhões | R$ 4,06 bilhões | +6% | +1,9% |
| ROAE | 17,6% | 17,5% | 0 p.p. | +0,1 p.p |
| Margem financeira | R$ 15,3 bilhões | — | -4% | +0,8% |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 708,2 bilhões | — | +3,7% | +2,8% |
O JP Morgan classifica o resultado do Santander Brasil no 4T25 como "um trimestre brando, mas em linha com as expectativas e melhor do que se temia”.
Segundo o banco norte-americano, um dos principais fatores que sustentaram o resultado foi extraordinário: uma alíquota de imposto excepcionalmente baixa. A taxa efetiva ficou em apenas 2,5%, bem abaixo das expectativas do mercado, que giravam em torno de 7%.
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Sem esse alívio fiscal, o desempenho operacional teria sido mais fraco. O EBT — lucro antes de impostos — ficou abaixo do que os analistas projetavam.
“Temos uma leitura inicial neutra, já que ontem houve uma performance negativa no mercado, possivelmente antecipando resultados fracos do Brasil no balanço consolidado do Santander matriz", afirmou o JP Morgan.
O BTG Pactual foi na mesma linha. Para o banco, o EBT é uma métrica essencial para medir a “força real” do trimestre — e o indicador veio cerca de 13% abaixo das projeções.
“A alíquota de imposto — que já estava anormalmente baixa no trimestre anterior — caiu para menos de 3% desta vez… e acabou ‘salvando o dia’”, disse o banco. “No agregado, um trimestre um pouco mais suave do que o desejado.”
Ainda assim, o banco reconhece que o Santander segue avançando na direção correta: reduzindo a ciclicalidade da carteira, melhorando a qualidade do funding e ganhando eficiência operacional — ainda que o ritmo desse processo seja mais gradual do que parte do mercado gostaria.
Consciente dessa leitura, o CEO do Santander Brasil, Mario Leão, fez questão de endereçar o tema, em conversa com jornalistas. Segundo ele, o objetivo do banco é passar a apresentar crescimento mais robusto na linha de lucro antes dos impostos — justamente onde o mercado quer ver tração.
“Nós vamos trabalhar para crescer bem mais a linha de lucro antes de imposto. Em 2026, o banco deve ter uma alíquota efetiva mais material do que em 2025”, afirmou.
O executivo explicou que, no ano passado, o banco se beneficiou de estratégias pontuais de otimização fiscal, como o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP), o que levou a uma alíquota excepcionalmente baixa — efeito que não deve se repetir em 2026.
Na visão da XP Investimentos, o resultado do 4T25 reforça um ponto-chave da tese: o Santander já opera com um ROE acima do custo de capital, "bem estabelecido nesse patamar".
"Daqui para frente, ganhos adicionais devem depender mais da normalização das margens e das condições macroeconômicas do que de novas melhorias de balanço ou de custos", afirma a corretora.
Outro destaque do balanço foi a qualidade dos ativos do Santander Brasil (SANB11). O índice de inadimplência acima de 90 dias voltou a subir no trimestre, pressionado principalmente por pequenas e médias empresas (PMEs) e pela carteira de pessoa física de baixa renda.
No curto prazo, casos de recuperação judicial também impactaram os indicadores de atraso entre 15 e 90 dias na carteira corporativa.
Segundo o JP Morgan, parte dessa piora pode ser explicada por fatores técnicos, dada a menor baixa contábil (write-off) no trimestre. Além disso, o saldo de renegociações aumentou — possivelmente influenciado por mudanças contábeis, de acordo com os analistas.
O diretor financeiro do banco, Gustavo Alejo, reforçou esse ponto. Segundo ele, como o Santander antecipou baixas a prejuízo no primeiro semestre, houve uma melhora nas provisões no quarto trimestre — mas, como efeito colateral, o indicador de inadimplência acima de 90 dias acabou sendo impactado.
“À medida que antecipamos o prejuízo, isso se ajusta nos trimestres seguintes. Esses 25 pontos-base de impacto decorrem dessas antecipações”, explicou, embora ressalte que ainda há pressões nos portfólios de agronegócio e de baixa renda.
A XP, por sua vez, avalia que a qualidade dos ativos permanece sob controle, apesar dessas pressões pontuais, o que permitiu uma melhora no custo de risco.
Para os analistas, o crescimento da carteira de crédito do Santander reflete um mix mais defensivo, com maior foco em garantias e clientes de melhor perfil, em vez de uma expansão ampla do risco.
Apesar da reação negativa das ações no pregão e das leituras mais cautelosas sobre o trimestre, o consenso de mercado ainda é majoritariamente construtivo em relação ao Santander Brasil.
Das oito recomendações compiladas pela plataforma TradeMap, quatro são de compra e quatro são neutras.
Após a divulgação do balanço, o JP Morgan manteve recomendação “overweight”, equivalente à compra, devido aos múltiplos de valuations ainda atraentes e à perspectiva de que a rentabilidade convirja para a casa dos 18%.
Por sua vez, o BTG manteve recomendação neutra para as units SANB11.
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