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REAÇÃO AO BALANÇO

O Itaú segue elevando o sarrafo — mas ITUB4 ainda tem fôlego para subir na bolsa? Veja a aposta dos analistas

Margens resilientes, ROE elevado e disciplina de custos sustentam o Itaú no topo. Mas ainda há espaço para upside nos múltiplos?

Agência do Itaú
Agência do Itaú - Imagem: Divulgação

Em um ambiente em que entregar resultados fortes virou tarefa cada vez mais difícil para quem já está no topo, o Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou 2025 combinando lucro em expansão, rentabilidade elevada e uma execução que segue sem solavancos. 

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No quarto trimestre de 2025 (4T25), o lucro líquido atingiu R$ 12,3 bilhões, crescimento de 13,2% na comparação anual e acima do esperado pelo mercado. 

Já do lado da rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROAE) alcançou 24,4% no trimestre, avanço de 2,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior e um patamar que poucos concorrentes conseguem sustentar. 

As ações reagem em alta na bolsa brasileira nesta quinta-feira (5). Por volta das 11h, os papéis ITUB4 subiam 1,46%, cotados a R$ 45,27. Desde o início do ano, a valorização supera os 14%.

Veja os principais destaques do balanço do Itaú (ITUB4) no 4T25:

IndicadorResultado 4T25ProjeçõesVariação (a/a)Evolução (t/t)
Lucro líquidoR$ 12,8 bilhõesR$ 11,37 bilhões+13,2%+3,7%
ROAE24,4%24,2%+2,3 p.p.+1,1 p.p
Margem financeiraR$ 31,5 bilhões—+7,3%+0,5%
Carteira de créditoR$ 1,49 trilhão—+6%+6,3%
Fonte: Balanço enviado à CVM, consenso Bloomberg e média de projeções compiladas pelo Seu Dinheiro.

Com a execução rodando em ritmo firme, a principal dúvida do mercado deixou de ser se o Itaú consegue entregar bons resultados. A força do balanço já é praticamente “bola cantada” para o maior banco privado do país.  

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A pergunta agora é outra: ainda há espaço para novas altas das ações? Ou o valuation já embute boa parte dessa excelência operacional? 

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Na avaliação da XP Investimentos, o Itaú entregou mais um trimestre robusto, com margem financeira resiliente, sustentada principalmente pela margem com clientes.  

O principal vento contrário veio da margem com mercado, mais fraca no período, mas sem força suficiente para comprometer o desempenho do banco como um todo. 

Para o BB Invetsimentos (BB-BI), o Itaú termina 2025 no mesmo compasso que guiou todo o ano: crescimento saudável, rentabilidade crescente e ausência de ruídos relevantes.

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"A previsibilidade da execução, característica que tem se intensificado nos últimos trimestres, continua sendo o maior ativo do banco", afirmou o BB-BI.

"A combinação de carteira de crédito expandindo em ritmo moderado, margem financeira robusta e inadimplência estabilizada cria o pano de fundo perfeito para que o banco siga entregando resultados elevados sem depender de movimentos extraordinários", acrescentou.

As receitas de serviços voltaram a mostrar bom fôlego, reforçando a diversificação do topo da demonstração de resultados.  

Do lado das despesas, a disciplina de custos seguiu como pilar da busca do banco por eficiência operacional, enquanto a qualidade dos ativos permaneceu saudável, sem sinais de deterioração relevantes. 

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“Seguimos vendo o banco bem posicionado para continuar entregando ROEs acima dos pares, sustentando múltiplos superiores em relação ao setor”, avalia a XP. 

O UBS BB também destaca tendências operacionais positivas no trimestre: crescimento forte da carteira de crédito, alguma compressão na margem com clientes — dentro do esperado —, boas receitas de tarifas, qualidade de ativos sob controle e mais um avanço no índice de eficiência. 

"Vemos os resultados como positivos para a tese de valuation do banco, embora mantenhamos a visão de upside limitado dados os múltiplos atuais”, afirmam os analistas. 

O guidance divulgado pelo Itaú para 2026 ficou levemente abaixo das projeções do JP Morgan, mas a explicação foi mais técnica do que estrutural: uma alíquota efetiva de imposto mais alta, decorrente do menor benefício fiscal do JCP (juros sobre capital próprio). 

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Ainda assim, o banco norte-americano destacou uma leitura positiva da execução da estratégia, especialmente no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs), que vem ganhando peso na tese de crescimento do Itaú. 

Na visão do JP Morgan, a estratégia voltada às PMEs parece “bem encaminhada para gerar upside nos próximos anos”. E há sinais de que esse movimento já começa a aparecer nos números. 

“Não sabemos se impulsionado por PMEs ou não, mas também observamos o ROE do varejo retornando a 28%”, destacam os analistas. 

Outro ponto que chamou atenção foi a qualidade da carteira de crédito, com uma dinâmica de inadimplência consideravelmente melhor do que a observada no Santander Brasil. Segundo os analistas, isso reflete um mix diferente, com maior participação em programas governamentais e um perfil de risco mais equilibrado. 

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O BB-BI prevê que o Itaú mantenha um crescimento moderado, com destaque para segmentos de maior rentabilidade: alta renda, PMEs e grandes empresas selecionadas. Quanto à rentabilidade, a expectativa é que o banco mantenha o ROE acima da faixa de 24%, "permanecendo como referência de eficiência no sistema financeiro brasileiro".

Na leitura do BTG Pactual, o destaque do trimestre foi a qualidade do crédito, com todos os indicadores melhorando ou estáveis, o que permite ao banco de Milton Maluhy Filho começar novamente o ano com um balanço saudável.

Os analistas preveem que 2026 possa ser um ano de transição, e o Itaú estaria bem posicionado para continuar superando os pares neste ano. "O Itaú entregou novamente resultados acima das expectativas crescentes", afirmou o BTG. "Embora o guidance de 2026 pareça mais conservador, vemos o ano como transição, especialmente diante das eleições, que tendem a reduzir apetite por risco."

Com resultados fortes, ITUB4 ainda é compra? 

Após a sequência de bons resultados — e uma forte valorização das ações —, a pergunta é se ainda há espaço para o Itaú ir além. 

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A aposta de boa parte do mercado é que sim. Das oito recomendações para ITUB4 compiladas pelo TradeMap, sete são de compra e uma é neutra. 

A XP Investimentos é uma das casas de análise que está otimista. A corretora elevou o preço-alvo de ITUB4 para R$ 51 no fim de 2026, ante R$ 45 anteriormente, o que implica um potencial de valorização de 14,3% em relação ao último fechamento. 

Mesmo após o rali recente, impulsionado pelo forte fluxo de investimento estrangeiro nas ações mais líquidas da bolsa brasileira, os analistas ainda enxergam espaço relevante para alta e mantém o Itaú como sua top pick do setor. 

Por sua vez, o BB-BI reconhece que há um menor potencial de valorização para as ações, dada a performance até agora. No entando, os analistas apostam que o banco deve seguir como a escolha premium do setor, com rentabilidade significativamente superior e mais consistente do que os pares.

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Isso, segundo o banco, poderia resultar em "prováveis revisões de preço, dado o contexto mais benigno que se desenha no horizonte", o que sustenta a recomendação de compra.

Já o UBS BB prefere uma postura mais cautelosa. O banco manteve recomendação neutra para ITUB4, com preço-alvo de R$ 43, refletindo a avaliação de que boa parte dos catalisadore do Itaú já está incorporada aos preços atuais. 

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