Usiminas (USIM5): após disparada em abril, Safra eleva preço-alvo e diz o que fazer com as ações
Banco revisou projeções após lucro bilionário da siderúrgica, mas alerta para riscos ligados a preços do aço e medidas antidumping

A disparada das ações da Usiminas (USIM5) desde abril fez o Banco Safra reforçar a recomendação outperform (equivalente a venda) para os papéis da siderúrgica, mesmo após revisar para cima as projeções operacionais da companhia.
Em relatório, os analistas do banco classificaram o ativo como um caso de “assimetria negativa”, termo usado pelo mercado para indicar que o espaço para quedas pode ser maior do que o potencial adicional de valorização.
Mais cedo, o Safra elevou o preço-alvo de USIM5 de R$ 7,70 para R$ 9,70 até o fim de 2026. Apesar da revisão, o novo valor representa um potencial de alta de apenas 7,4% em relação ao fechamento de hoje. Nesta segunda-feira (18), as ações encerraram o pregão cotadas a R$ 9,03.
Os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro destacaram que, desde meados de abril, a Usiminas vem superando o desempenho da concorrente Gerdau (GGBR4) e do Ibovespa, impulsionada principalmente pelo resultado do primeiro trimestre de 2026 acima das expectativas.
Lucro forte no primeiro trimestre animou o mercado
A companhia registrou lucro líquido de R$ 896 milhões entre janeiro e março, um avanço de 166% na comparação anual. Em relação ao quarto trimestre de 2025, o salto foi ainda maior: 596%, frente aos R$ 129 milhões reportados anteriormente.
Segundo a Usiminas, o desempenho refletiu a melhora operacional, os efeitos positivos da valorização do real frente ao dólar e o aumento dos créditos tributários diferidos.
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Para o Safra, a principal surpresa positiva veio da linha de custos dos produtos vendidos (Cogs), que contribuiu para um ganho de cerca de 1 ponto percentual na margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Ainda assim, o banco pondera que parte desse efeito foi favorecida pelo câmbio e pode não se repetir nos próximos trimestres.
Os analistas também apontam que a queda mais acelerada das importações de aço ajudou a impulsionar as ações recentemente, favorecendo a recuperação das vendas domésticas e abrindo espaço para reajustes de preços. O preço do aço laminado a quente (HRC), por exemplo, acumula alta de 9% no ano.
Outro fator que reforçou o otimismo do mercado foi a expectativa de novas medidas antidumping do governo contra o aço importado.
Safra vê 'assimetria negativa' para a Usiminas
Mesmo assim, o Safra avalia que boa parte desse cenário positivo já está incorporada ao preço das ações.
“Vemos maior assimetria negativa, já que a avaliação para 2027 já embute uma forte melhora em relação aos resultados atuais”, escreveram os especialistas no relatório.
Segundo os analistas, o valuation atual da companhia também parece pouco atrativo. O banco avalia que existe risco de correção caso os preços do aço não avancem como esperado ou os custos das matérias-primas deixem de recuar.
“Tanto nossas projeções quanto as do consenso já embutem premissas otimistas para preços e alguma deflação nos custos”, afirmaram.
Medidas antidumping ainda geram dúvidas
O Safra também vê limitações para o impacto das medidas antidumping.
“As medidas antidumping podem reduzir a penetração das importações chinesas, mas os riscos de evasão permanecem relevantes — seja por substituição por produtos similares ou por mudança na origem das importações, como já ocorreu historicamente”, diz o relatório.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as importações de aços planos caíram 44% em abril na comparação anual e passaram a representar 24% do consumo doméstico. Ainda assim, o banco considera cedo para tratar o movimento como uma tendência sustentável.
Na avaliação do Safra, o processo antidumping envolvendo os laminados a quente segue provável, mas a implementação das medidas deve ocorrer apenas no fim deste ano, com impactos mais relevantes somente a partir de 2027.
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