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Martins disse que a Cosan deverá vender sua participação na Raízen, ainda que não se saiba quando nem o tamanho da alienação

A Cosan (CSAN3), que funciona como um veículo de investimento em outras empresas, pode deixar de existir no médio prazo.
Segundo a agência Reuters, o presidente da empresa, Marcelo Martins, afirmou que a holding deve ser dissolvida no período de três a cinco anos, em teleconferência com investidores nesta sexta-feira (15).
"O crescimento dos negócios e os investimentos serão absolutamente de responsabilidade das empresas que fazem parte do negócio hoje. Então, nesse horizonte de três a cinco anos, acho que é bastante razoável dizer que a Cosan deixará de existir”, afirmou.
Além disso, com uma diluição relevante da participação da Cosan na Raízen (RAIZ4) ao final do processo de reestruturação financeira da endividada produtora de açúcar e etanol, é possível que a Cosan venda sua fatia na companhia, que será minoritária, disse o executivo.
Por volta das 15h30, as ações CSAN3 estavam em queda de 4,73%, mas chegaram a cair mais de 9%, em resposta também ao resultado do primeiro trimestre de 2026.
Durante conferência para comentar os resultados trimestrais da holding, Martins afirmou que a Cosan não acompanhará a Shell — sua sócia na joint venture Raízen — em um aporte de capital na empresa, que também é uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil.
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Além disso, há negociações evoluindo com credores da dívida da Raízen para conversão do endividamento em ações da empresa, disse o CEO da Cosan. A Raízen entrou em recuperação extrajudicial com dívidas de R$ 65 bilhões.
Com o aumento de capital e a conversão de dívidas em ações, a Cosan terá uma redução significativa da sua participação na Raízen. “A gente ainda não sabe o tamanho (da conversão), algumas questões importantes estão sendo discutidas”, acrescentou o executivo, citando também o “preço da conversão”.
A Reuters publicou no início desta semana que negociações avançaram para evitar uma recuperação judicial da Raízen e se concentram na estrutura de governança da empresa.
Ao final do processo, a Raízen deixará de ser um “investimento relevante” para a Cosan, uma vez que ela será minoritária ao final da reestruturação, destacou Martins.
“Estamos decidindo se teremos ações ordinárias ou preferenciais… (mas) a nossa participação na Raízen não deve ser expressiva”, afirmou, acrescentando que “não é intenção da Cosan se manter em acordo de acionistas com a Shell”, firmado inicialmente há cerca de 15 anos.
“A partir do momento em que haja a conversão e esse aporte de capital, deixaremos de ter esse acordo que existe na Raízen com a Shell.”
Martins disse que a Cosan deverá vender sua participação na Raízen, ainda que não se saiba quando nem o tamanho da alienação.
“Isso posto, o que se pode esperar é que a gente tenha uma participação que pode ser sim vendida em horizonte que a gente vai definir ainda”, disse o executivo, acrescentando que a Cosan não tem uma “decisão concreta” da participação que será vendida.
Com uma fatia reduzida na Raízen, espera-se que a Cosan “vá buscar liquidez em algum momento”, explicou Martins, falando sobre a venda das ações na companhia de açúcar e etanol.
Questionado por um analista sobre qual será o papel da holding Cosan — dona também de participações em empresas como Rumo e Compass Gás e Energia — como veículo de investimentos no futuro, após reestruturação de sua própria dívida, Martins disse que ela deverá ser dissolvida, em processo que pode começar em 2027.
Os acionistas da Cosan deverão então receber participações nas empresas investidas.
“A premissa básica de todos nós aqui é que, com o objetivo de reduzir a alavancagem da empresa, obviamente não faz o menor sentido que a Cosan continue sendo um veículo de investimento de portfólio”, afirmou.
Segundo ele, crescimento dos negócios será absolutamente de responsabilidade das empresas que fazem parte do grupo hoje. “Então, neste horizonte de três a cinco anos, é bastante razoável dizer que a Cosan deixará de existir nesse período”, comentou.
“Ou seja, à medida que a gente tenha a conclusão do nosso processo de desinvestimento e redução da alavancagem, subsequentemente a gente vai entender efetivamente o que vamos ter de ativos e passivos dentro da companhia, e ato contínuo, provavelmente fazer distribuição direta das participações para os acionistas de Cosan”, disse ele.
O executivo afirmou que a ideia é que o processo — já acordado com os novos e atuais acionistas — aconteça “tão logo quanto factível”.
“O primeiro passo é redução do endividamento, esse é o objetivo atual. Estamos implementando esta estratégia, a abertura de capital da Compass é passo muito relevante, e tem outros passos”, disse.
Ele ressaltou que, ainda neste ano, a Cosan vai demonstrar redução “substancial” do endividamento — a dívida líquida expandida fechou o primeiro trimestre em R$ 11,5 bilhões, redução de 34% na comparação anual. Para 2027, ficaria ainda um saldo “residual” da dívida.
“E é justo assumir que vamos começar esse processo de dissolução da holding já a partir do ano que vem”, disse o CEO, acrescentando que, apesar do custo de carregar a dívida, a empresa não fará isso a “qualquer custo”.
A Cosan reportou prejuízo líquido de R$ 1,58 bilhão no 1T26, uma melhora de 11% em relação às perdas de R$ 1,79 bilhão registradas no mesmo período do ano passado.
A receita líquida caiu 7% na comparação anual, para R$ 9,03 bilhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) ajustado avançou 60%, para R$ 3,34 bilhões.
Nos primeiros três meses do ano, houve uma queima de caixa de R$ 8,25 bilhões, ante geração positiva de R$ 12,51 bilhões reportada no trimestre anterior, atribuída principalmente às amortizações de principal da dívida no valor de R$ 6,15 bilhões e aos pagamentos de juros, que totalizaram R$ 1,38 bilhão, afirma o Safra.
Com Reuters e Money Times
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