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VAI E VEM DOS SPREADS

Os spreads vão fechar: por que o Bradesco BBI acredita que o pior do estresse no crédito ficou para trás

Depois de meses de tensão e temor de novos eventos de crédito, Felipe Thut avalia que mercado voltou a respirar — e vê menos risco de novas “bombas” corporativas

Felipe Thut, diretor do Bradesco BBI.
Felipe Thut, diretor do Bradesco BBI. - Imagem: Divulgação

O mercado de crédito privado enfrentou uma maré turbulenta nos últimos meses. Entre março e abril, spreads abriram, fundos registraram resgates bilionários, investidores reduziram apetite por risco e o receio de novos eventos de crédito voltou a ganhar força. Mas, na visão de Felipe Thut, diretor do Bradesco BBI, o pior momento pode já ter ficado para trás.

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“De três semanas para cá, a gente já vê o fechamento desses spreads de forma significativa”, afirmou o executivo, durante almoço fechado com jornalistas na sede do banco, nesta terça-feira (19). 

Segundo Thut, o estresse recente teve menos relação com a turbulência global e mais com um movimento doméstico de reprecificação de risco, após uma sequência de eventos de crédito que fez investidores recalcularem até onde os spreads estavam, de fato, remunerando adequadamente o risco. 

Agora, o cenário começa a ganhar outra cara. O indicativo de mercado secundário para papéis Triple A atrelados ao CDI, que chegou a encostar em 0,95% nos momentos mais tensos, já voltou para a faixa de 0,75%, segundo o executivo. 

Na leitura do BBI, o movimento sinaliza que o mercado começa a recuperar confiança — ainda que de forma seletiva e longe da euforia vista em outros ciclos. 

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Por trás do estresse no mercado de crédito brasileiro 

Embora a volatilidade internacional tenha piorado o humor do mercado, Thut avalia que a abertura dos spreads no Brasil acompanhou os consecutivos eventos de crédito domésticos, que reacenderam o temor de surpresas negativas no mercado corporativo. 

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Ainda assim, a percepção do banco é de que o movimento não evoluiu para uma crise estrutural de liquidez. Pelo contrário. O executivo avalia que o mercado reagiu rapidamente, ajustou preços e começou a normalizar os spreads nas últimas semanas. 

O problema não é o tamanho da dívida das empresas 

Na visão do BBI, o cenário atual das empresas brasileiras está longe da crise clássica de excesso de endividamento. É verdade que a alavancagem média aumentou: a relação dívida líquida/Ebitda saiu de 1,9 vez em 2022 para cerca de 2,5 vezes atualmente. 

Mas, para Thut, o ponto mais sensível não é exatamente o volume da dívida — e sim o custo para carregá-la em um ambiente de juros elevados por mais tempo. 

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O diagnóstico do banco é que muitas empresas seguem operando com estruturas financeiras administráveis, mas sob uma pressão maior de despesa financeira. 

O fantasma das recuperações judiciais ainda ronda o mercado? 

Uma das maiores preocupações dos investidores em crédito privado continua sendo a possibilidade de novos eventos de recuperação judicial inesperados, capazes de travar liquidez e provocar nova abertura de spreads

Mas, segundo Thut, o radar do banco hoje não aponta para grandes “bombas” entre as companhias de maior porte. Ele avalia que boa parte dos casos recentes já dava sinais perceptíveis para quem acompanhava de perto o nível de alavancagem e deterioração operacional dessas companhias. 

Ainda assim, ele não descarta a possibilidade de alguma empresa pedir RJ que afetaria a trajetória de fechamento dos spreads. 

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Sem novos esqueletos aparecendo no armário, a tendência, segundo o executivo, é que o mercado continue caminhando para um fechamento gradual dos spreads

Eleições de 2026 não preocupam (tanto) 

Apesar do desconforto crescente do mercado com as eleições de 2026 e com a trajetória dos juros, o Bradesco BBI não vê, neste momento, um risco disseminado de pressão financeira nas grandes companhias. 

Na leitura de Thut, boa parte das empresas aproveitou a janela de spreads mais baixos entre 2024 e 2025 para reorganizar seus passivos e alongar vencimentos, o que reduziu a pressão de curto prazo sobre o caixa das companhias. 

“As companhias aproveitaram os spreads baixos e jogaram as dívidas lá para frente. Hoje não tem um problema de pressão de liquidez”, afirmou o executivo. 

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Segundo Thut, o calendário de vencimentos hoje é considerado relativamente confortável, com poucos pagamentos concentrados em 2026 e 2027. A curva começa a ganhar mais volume apenas a partir de 2029. 

Por isso, na visão do diretor, o mercado tende a reagir muito mais à trajetória da Selic e à qualidade do crédito corporativo do que propriamente ao ruído eleitoral. 

Enquanto o “pão com manteiga” esfriava, Bradesco BBI acelerava nas operações sofisticadas 

Com o mercado tradicional de debêntures desacelerando nos momentos de maior estresse, o Bradesco BBI decidiu apertar o passo em áreas da renda fixa. 

Segundo Thut, a área de Finanças Estruturadas ganhou protagonismo dentro do banco, oferecendo soluções customizadas que muitas vezes ficam fora do mercado tradicional. Entre elas, operações em holdings, cessão de recebíveis e estruturas off-balance

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O avanço da estratégia aparece também no ganho de participação. O market share do banco saiu de 14% em 2023 para 21,4% em abril de 2024, se aproximando do patamar que Thut considera compatível com o tamanho do Bradesco no mercado. 

Mesmo com Treasuries altas, Brasil segue atraente lá fora 

No mercado internacional, o apetite por crédito brasileiro continua resiliente, segundo o executivo. 

Mesmo com as Treasurys, os títulos de dívida do Tesouro norte-americano, operando em níveis historicamente elevados, o Brasil segue visto como um emissor de bonds relevante, especialmente entre empresas de alta qualidade de crédito. 

“O mercado de bonds continua bastante aberto para nomes High Grade”, afirmou. 

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A expectativa do BBI é que as emissões externas de companhias brasileiras somem entre US$ 30 bilhões e US$ 35 bilhões ao longo deste ano. 

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