Banco do Brasil (BBAS3) deixou o pior para trás? Lucro vai a R$ 5,7 bilhões e ROE chega a 12,4% no 4T25
Após um ano pressionado por inadimplência e provisões elevadas, BB encerra o 4T25 com resultado acima do esperado; veja os principais números do balanço

O Banco do Brasil (BBAS3) fechou a temporada de balanços dos grandes bancos com uma fotografia que surpreende. No quarto trimestre de 2025, o BB reportou lucro líquido ajustado de R$ 5,74 bilhões — um resultado 40,1% menor do que o registrado um ano antes, mas 51,7% superior ao do trimestre imediatamente anterior.
O montante veio bem acima das expectativas do mercado, que apontavam para algo em torno de R$ 4,02 bilhões, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg.
No acumulado de 2025, o lucro somou R$ 20,7 bilhões, avanço de 51,7% na comparação anual.
Depois de trimestres marcados por uma forte pressão na rentabilidade e problemas na qualidade da carteira, o banco estatal entrega um balanço que surpreende positivamente — mas que ainda carrega cicatrizes importantes.
Segundo a CEO do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, os resultados do quarto trimestre confirmam que o BB começa a dar sinais de inflexão — e que o pior pode ter ficado para trás.
"Nosso resultado evidencia a capacidade de atravessar cenários adversos com diligência, transparência e foco em geração de valor sustentável. Somos um banco sólido, em quem o brasileiro sabe que pode confiar para todos os momentos", dise a presidente, em nota.
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Rentabilidade melhora, mas distância dos rivais permanece
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) do Banco do Brasil ficou em 12,4% no quarto trimestre, bem acima do esperado pelo mercado.
Trata-se de um avanço de 4 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, mas ainda 8,4 pontos abaixo do registrado no mesmo período de 2024. No acumulado do ano, o ROE ficou em 11,4%.
É também uma melhora relevante — especialmente diante das reiteradas sinalizações da própria administração de que a rentabilidade permaneceria pressionada por mais tempo. O avanço também vem em meio às dúvidas do mercado sobre a capacidade do BB de voltar a entregar níveis de retorno mais elevados no futuro.
Apesar da recuperação, o Banco do Brasil segue com a menor rentabilidade entre os grandes bancos listados.
A distância para os pares privados continua significativa. Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) operam em patamares mais elevados, enquanto o Itaú (ITUB4) roda próximo dos 24% de ROE — praticamente o dobro do BB.
Crescimento com freio puxado
A carteira de crédito expandida do Banco do Brasil cresceu 2,5% em relação a igual intervalo de 2024 e 1,4% ante ao trimestre imediatamente anterior, para R$ 1,29 trilhão.
O ritmo mais moderado não é por acaso. Depois de tanto trimestres de sangria, o banco adotou uma postura mais conservadora ao longo do ano, buscando preservar capital e conter riscos em um cenário de maior volatilidade.
O crescimento veio principalmente da carteira de pessoa física, que avançou 7,5% no ano, puxada pelo crédito consignado — especialmente o privado —, além de operações não consignadas e cartões.
Já os segmentos de pessoa jurídica e agronegócio caminharam em velocidade menor, com altas de 0,6% e 2,1%, respectivamente.
A conta da inadimplência para o Banco do Brasil
Mas, enquanto o lucro surpreendeu positivamente, a qualidade do crédito ainda é o ponto sensível do balanço. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17% no quarto trimestre — alta de 2,1 pontos percentuais na comparação anual e de 0,66 p.p. frente ao trimestre anterior.
Segundo o banco, o indicador foi impactado por um caso específico na carteira de títulos e valores mobiliários (TVM), envolvendo uma empresa do segmento de atacado no valor de R$ 3,6 bilhões. Desconsiderando esse evento, a inadimplência teria ficado em 4,88%.
As provisões para devedores duvidosos (PDD) — o colchão que os bancos mantêm para absorver calotes — saltaram 86,9% em relação ao ano anterior, somando R$ 19 bilhões em perdas esperadas com crédito no quarto trimestre.
Já o custo do crédito — que soma as despesas de perda esperada aos descontos concedidos e desconta as receitas de recuperação — aumentou 93,9% na base anual, alcançando R$ 17,9 bilhões no período.
O banco atribui a pressão principalmente ao aumento da inadimplência no agronegócio e ao maior risco de crédito na carteira ao longo do ano. Segundo a administração, a carteira rural foi a "vilã" dos resultados, representando 56% do risco de crédito no 4T25.
"Começamos o ano com as taxas de juros sendo elevadas, o que aumenta o custo de captação e o preço do crédito. Sempre tivemos o DNA voltado para a pessoa física no crédito consignado, então nos restava enfrentar o desafio do setor rural e, ao mesmo tempo, buscar oportunidades para trazer mais receita e neutralizar os impactos. Se fosse possível neutralizar totalmente, estaríamos com lucros perto dos R$ 40 bilhões, mas o esforço foi importante para evitar uma queda ainda maior", disse o vice-presidente de gestão financeira e relações com investidores, Geovanne Tobias.
Outros destaques do balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no 4T25
A margem financeira bruta — que representa a diferença entre a receita com crédito e os custos de captação — subiu 3,8% em relação aos últimos 12 meses, totalizando R$ 27,8 bilhões no quarto trimestre.
"A performance da Margem Financeira Bruta demonstra a consistência de geração de receitas do BB", diz o banco.
Segundo o banco, o desempenho reflete a consistência na geração de receitas, com destaque para o crescimento das operações de crédito com pessoas físicas e para a diversificação do mix, especialmente com maior peso do consignado privado.
Já a margem com o mercado — ligada às operações de tesouraria — caiu 43,7% frente ao mesmo período de 2024, para R$ 3,38 bilhões, embora tenha mostrado forte recuperação em relação ao terceiro trimestre, com alta de 94,4%.
Por sua vez, a margem financeira com clientes avançou 17,5% na comparação anual, chegando a R$ 24,4 bilhões.
As receitas com prestação de serviços do Banco do Brasil (BBAS3) caíram 3,9% no período, chegando a R$ 8,8 bilhões no fim de dezembro.
Enquanto isso, as despesas administrativas avançaram 4,1% no comparativo anual, a R$ 9,8 bilhões, pressionadas por gastos maiores com salários, investimentos em tecnologia e segurança digital.
Por sua vez, o índice de eficiência chegou a 27,7% no fim de dezembro.
O que esperar do Banco do Brasil em 2026? De olho no guidance
Depois de um ano marcado por provisões elevadas, rentabilidade pressionada e crescimento mais cauteloso, o mercado agora quer saber se o banco conseguirá estabilizar a inadimplência, recompor retorno e acelerar sem comprometer qualidade.
Junto ao balanço, o Banco do Brasil (BBAS3) também divulgou as projeções (guidance) para o ano de 2026.
A expectativa é de um crescimento cauteloso no crédito para pessoa física, enquanto a carteira de agronegócio deve permanecer estável devido a um apetite mais seletivo e maior exigência de garantias.
"Estamos otimistas com 2026, atuando sempre com cautela, estratégia clara e execução disciplinada. Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e rentabilidade: fortalecimento de garantias, matriz de resiliência e novos produtos para sustentar a parceria histórica com o agro", disse a CEO do BB.
Segundo Medeiros, o guidance reforça que banco conseguiu se adaptar ao cenário para que este ano marque a retomada de "patamares de rentabilidade do tamanho do BB".
A expectativa da administração do BB é que a redução da taxa de juros a partir de março de 2026 impulsione os resultados no segundo semestre.
Confira as estimativas:
| Indicador | Intervalo / Valor |
|---|---|
| Carteira de crédito | 0,5% a 4,5% |
| - Pessoas físicas | 6% a 10% |
| - Empresas | -3% a 1% |
| - Agronegócios | -2% a 2% |
| Carteira sustentável | 2% a 6% |
| Margem financeira bruta | 4% a 8% |
| Custo do crédito | R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões |
| Receitas de prestação de serviços | 2% a 6% |
| Despesas administrativas | 5% a 9% |
| Lucro líquido ajustado | R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões |
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