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RESULTADO

Santander Brasil (SANB11) tem melhor lucro em 4 anos e ROE sobe a 17,6% — mas inadimplência acende alerta no 4T25

Banco entrega resultado acima do esperado em meio a rumores de OPA, enquanto saúde da carteira de crédito segue no radar; veja os destaques do balanço

Fachada do Santander Brasil (SANB11).
Fachada do Santander Brasil (SANB11). - Imagem: Divulgação

Em meio às especulações renovadas sobre uma possível OPA, o Santander Brasil (SANB11) acaba de entregar o último balanço de 2025. O banco anunciou no quarto trimestre o maior lucro trimestral dos últimos quatro anos — um resultado que ajuda a sustentar a tese de reestruturação, mas que ainda traz sinais de alertas do lado da carteira de crédito.

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"A qualidade de crédito permanece pressionada pelo contexto macroeconômico, mas seguimos atuando com prudência, disciplina e gestão ativa de riscos", disse o CEO, Mario Leão, em nota. "Seguimos caminhando na evolução consistente do nosso ROAE, com foco em resultados e disciplina na gestão, pautados por nossos pilares estratégicos e transformação constante."

No quarto trimestre de 2025 (4T25), o lucro líquido recorrente somou R$ 4,08 bilhões, avanço de 6% na comparação anual e de 1,9% frente ao trimestre anterior. O número veio ligeiramente acima do consenso do mercado, que projetava R$ 4,06 bilhões, segundo dados da Bloomberg.

No acumulado do ano, a unidade brasileira do Santander registrou lucro de R$ 15,6 bilhões, crescimento de 12,6% em relação a 2024.

Por sua vez, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) encerrou o trimestre em 17,6%, praticamente em linha com as estimativas do mercado (17,5%).

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Na comparação anual, o indicador ficou estável, com leve alta de 0,1 ponto percentual frente ao trimestre anterior — acima da taxa básica de juros (Selic), hoje em 15% ao ano.

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"Mantemos nosso compromisso pela busca de um resultado sustentável de longo prazo, por meio de um balanço sólido e diversificado, impulsionados por uma obsessão pela excelência da experiência de nossos clientes", disse Gustavo Alejo, vice-presidente executivo e diretor financeiro (CFO), em nota no balanço.

O balanço do Santander Brasil veio poucas horas depois de o mercado ser surpreendido por uma sinalização menos animadora vinda da matriz espanhola. Na noite anterior à divulgação local, o Santander antecipou números globais e indicou um desempenho mais fraco no Brasil.

Segundo o balanço da controladora, o lucro atribuído aos acionistas controladores na operação brasileira foi de 579 milhões de euros no quarto trimestre — cerca de R$ 3,58 bilhões, em queda anual de 3,7%, desconsiderando o efeito cambial.

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A reação dos investidores foi dura: os ADRs do Santander chegaram a cair 6,36% no pregão.

A divulgação detalhada do balanço local, porém, ajuda a recompor parte da narrativa.

Crédito cresce — mas a inadimplência segue no radar

A carteira de crédito ampliada do Santander Brasil alcançou R$ 708,2 bilhões ao fim de dezembro, com crescimento de 3,7% em relação ao 4T24 e de 2,8% na comparação trimestral.

O Santander destaca que a expansão seguiu uma estratégia mais disciplinada, com foco em alocação eficiente de capital, controle de risco e rentabilidade. Nos últimos trimestres, a administração do banco tem repetido que prefere crescer menos — mas melhor.

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Nesse contexto, os principais vetores de crescimento foram a Financeira, com financiamento ao consumo, e o segmento de pequenas e médias empresas (PMEs), sobretudo em capital de giro.

Apesar do crescimento mais disciplinado, os números de inadimplência continuam exigindo atenção. O índice de créditos vencidos acima de 90 dias (NPL) subiu para 3,7%, avanço de 0,5 ponto percentual em 12 meses e de 0,3 p.p. no trimestre.

A inadimplência de curto prazo também mostrou deterioração: alta de 0,3 p.p. na comparação anual e de 0,1 p.p. frente ao trimestre anterior.

Analistas já esperavam que a carteira de pessoa física de baixa renda e o segmento de PMEs continuassem pressionando os indicadores do banco.

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A resposta do Santander tem sido acelerar a migração do crescimento para clientes de maior renda e linhas com garantia — uma estratégia que ajudou a conter parte da deterioração, mas deve ganhar maior tração com o tempo.

Provisões e custo de crédito

O indicador de "NPL formation" — que mede a formação de novos créditos problemáticos — somou R$ 6,46 bilhões no quarto trimestre. Houve uma queda de 2,7% frente ao trimestre anterior, mas alta de 12,5% no acumulado do ano.

Em proporção à carteira, o índice ficou em 1,17%, com leve recuo trimestral de 0,06 p.p.

As provisões para devedores duvidosos (PDD) totalizaram R$ 6,1 bilhões, alta de 2,9% na comparação anual, mas ainda 6,4% abaixo do trimestre anterior.

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Segundo o banco, o número reflete o reforço de cobertura feito no primeiro semestre e a ausência de "efeitos pontuais relevantes, como casos específicos no atacado" — um contraste em relação ao 3T25, quando houve impacto das reestruturações financeiras da Ambipar (AMBP3) e da Braskem (BRKM5).

Mesmo assim, o custo do crédito encerrou o trimestre em 3,76%, aumento de 0,3 ponto percentual em 12 meses, ainda pressionado pelo ambiente macroeconômico mais restritivo.

Outros destaques do balanço do Santander (SANB11) no 4T25 

margem financeira — o indicador que reflete a receita com crédito menos os custos de captação — do Santander caiu 4% em relação aos últimos 12 meses, mas apresentou leve alta de 0,8% frente ao último trimestre, para R$ 15,3 bilhões. 

O principal ponto de pressão veio da margem com o mercado, que mede a remuneração do banco com as operações de tesouraria e ficou negativa em R$ 1,48 bilhão — piora de 10,3% frente ao trimestre anterior e reversão do resultado positivo observado um ano antes.

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O banco atribui o desempenho à sensibilidade negativa ao aumento da Selic e a um resultado mais fraco da tesouraria.

Por sua vez, a margem com clientes cresceu 6,6% na base anual e 1,6% no trimestre, sustentada por maior volume em produtos de menor risco.

Receitas e despesas 

cobrança de tarifas gerou ao Santander um total de R$ 5,7 bilhões, um avanço de 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionada por cartões, seguros e administração de recursos.

Já as despesas gerais somaram R$ 6,6 bilhões. Houve aumento de 3,3% no trimestre, refletindo maiores investimentos em tecnologia, publicidade e remuneração variável, mas queda de 2% na comparação anual, resultado da otimização da rede de agências (footprint) e do quadro de funcionários.

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"Mantivemos nossa disciplina rigorosa na gestão de gastos, impulsionada por tecnologia, dada a nossa cultura de produtividade e excelência operacional", afirmou o banco, no balanço.

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