Mesmo depois de alta de mais de 65%, Itaú BBA diz que poucos investidores enxergam esse potencial para a ação da Usiminas (USIM5)
O banco acredita que o mercado ainda subestima o potencial de melhora na operação com preços mais altos do aço com o conflito no Oriente Médio

Não faz muito tempo que o Itaú BBA elevou a recomendação para a Usiminas (USIM5) e, desde outubro de 2025, a ação já subiu 82%, 60 pontos percentuais acima da alta do Ibovespa, principal índice da bolsa de valores. Mesmo assim, há espaço para subir mais: cerca de 21,8% até o fim do ano, segundo projeções do banco.
A ação hoje é negociada a R$ 9,10, com alta de 65,76% nos últimos 12 meses e de 52,94% desde o início do ano. O novo preço-alvo para o Itaú BBA é de R$ 11 para o final de 2026.
O banco acredita que o mercado ainda subestima o potencial de melhora na operação com preços mais altos do aço com o conflito no Oriente Médio.
Além disso, a melhora na demanda brasileira pelo aço também pode favorecer a empresa. Com a redução das importações com medidas antidumping, o mercado de aço deve ser mais pressionado. A alta do preço do aço está cada vez mais consistente, e o banco espera que, a partir do terceiro trimestre do ano, a operação da Usiminas seja ainda mais beneficiada.
Qual é o potencial escondido na ação da Usiminas
Há um ganho potencial ainda negligenciado — o que significa que não está embutida no preço da ação, uma oportunidade de compra.
"Mais importante, destacamos um vetor de alta da ação que é negligenciado: potenciais ganhos fiscais provenientes de Juros sobre Capital Próprio (JCP) não pagos, retroativos a 1996, em decorrência do julgamento do Tema 1.319 do STJ", diz o relatório do banco.
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Esse tema, consolidado no final do ano passado, reflete o entendimento de que as empresas podem deduzir JCPs da base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), mesmo quando calculados sobre lucros de exercícios anteriores ao da decisão assemblear que autorizou o pagamento.
Ou seja, há um potencial para deduzir proventos de impostos já pagos nos últimos 20 anos, o que gera ganhos fiscais.
Ainda não está claro quando que esses benefícios fiscais devem aparecer no balanço. Por isso, ainda não é possível saber qual seria o impacto no fluxo de caixa e, consequentemente, no valor da ação.
Mas, segundo cálculos do Itaú BBA, o valor deve ser significativo: de R$ 1,7 bilhão a R$ 3,6 bilhões, que representam de 15% a 32% do valor total da companhia.
Além da incerteza sobre quando esses benefícios devem ser materializados, há outro problema: isso depende da vontade da diretoria da empresa de distribuir esses juros sobre o capital próprio retroativos, referentes a lucros de anos anteriores.
"Sendo assim, embora vejamos isso como um upside relevante e potencialmente de alto valor, não incorporamos nenhum benefício em nosso modelo e o tratamos como uma opcionalidade não precificada pelo mercado."
O que mais afeta a Usiminas
A companhia surpreendeu o mercado com seu balanço do primeiro trimestre, que veio mais forte que o esperado. O lucro líquido mais que dobrou entre janeiro e março deste ano, com avanço de 166% frente ao mesmo intervalo de 2025, a R$ 896 milhões.
A siderúrgica ganhou um aliado improvável na sua tese de recuperação: a 'saída forçada' do aço chinês do mercado brasileiro. Após a imposição de tarifas antidumping pelo governo em fevereiro, uma parcela relevante da oferta simplesmente deixou de competir nas mesmas condições.
Depois da disparada das ações em abril, o banco Safra também elevou o preço-alvo para R$ 9,70. No entanto, a recomendação é de outperform (equivalente a venda) para os papéis da siderúrgica.
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