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Sem divulgar números há meses, empresa amplia incertezas sobre sua real situação financeira e alimenta desconfiança entre investidores e credores

A Ambipar (AMBP3) ganhou mais tempo. O mercado, não. Em recuperação judicial, a companhia voltou a adiar a divulgação de seus resultados financeiros — ampliando ainda mais a tensão entre investidores, credores e reguladores que tentam entender o que realmente aconteceu com as contas da empresa.
Esta já é a terceira vez que a Ambipar posterga a publicação do balanço do terceiro trimestre de 2025.
E o atraso deixou de ser apenas um problema de calendário corporativo: hoje, a empresa acumula três resultados pendentes de divulgação — o 3T25, o 4T25 e agora também o balanço do primeiro trimestre de 2026, que originalmente deveria ter sido publicado nesta quinta-feira (15).
Segundo a Ambipar, o novo atraso decorre “principalmente do processo de recuperação judicial da companhia”, que teria impactado a conclusão dos trabalhos contábeis e financeiros.
A empresa afirma que está direcionando “todos os esforços” para divulgar os balanços atrasados “o mais rapidamente possível”.
A dúvida central que ronda o caso continua a mesma, e cada novo adiamento só aumenta de tamanho: afinal, onde foi parar o caixa bilionário que a companhia dizia ter poucos meses antes de entrar em RJ?
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Procurada pelo Seu Dinheiro, a companhia disse que não comentaria o assunto. O espaço segue aberto.
A expectativa em torno dos números da Ambipar já não gira apenas em torno de receita, lucro ou alavancagem. O mercado quer respostas sobre a própria consistência da narrativa financeira da companhia.
No ano passado, esse questionamento chegou até a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Há poucos meses, a xerife do mercado de capitais recorreu à Justiça para tentar obter acesso integral ao processo de recuperação judicial da empresa, incluindo documentos mantidos sob sigilo.
A autarquia afirma haver preocupação relevante com o nível de transparência de uma companhia listada em bolsa que, até aqui, ainda não explicou adequadamente a brusca deterioração de sua situação financeira.
O ponto mais sensível da crise envolve justamente o caixa da empresa. Em junho de 2025, a Ambipar reportava cerca de R$ 4,7 bilhões em caixa consolidado. Apenas quatro meses depois, entrou em recuperação judicial alegando uma severa crise de liquidez.
Desde então, investidores, bancos e analistas tentam entender como uma companhia que exibia uma posição bilionária de liquidez chegou a uma situação de estresse tão intensa em tão pouco tempo.
Para a CVM, os números apresentados pela companhia simplesmente não conversam entre si.
A autarquia avalia que uma empresa com caixa robusto — suficiente para cobrir múltiplas vezes o endividamento inicialmente informado — não deveria, em tese, enfrentar uma deterioração financeira tão abrupta a ponto de precisar recorrer à RJ em questão de meses.
Quando começou a buscar proteção contra credores em 2025, a Ambipar informou dívidas de curto prazo próximas de R$ 616 milhões. Pouco depois, já no pedido formal de recuperação judicial, o passivo informado saltou para cerca de R$ 10,5 bilhões.
“Tal discrepância reforça a necessidade de informações sobre a real disponibilidade de caixa e a natureza das obrigações vencidas que motivaram o pedido”, afirmou a CVM.
Enquanto o mercado aguarda os balanços atrasados, a recuperação judicial da Ambipar segue produzindo novos desdobramentos.
Há poucas semanas, a Ambipar informou que deixou de pagar os juros de sua quinta emissão de debêntures, alegando impedimento legal decorrente do processo de recuperação judicial iniciado em outubro do ano passado.
Segundo a companhia, como a dívida foi emitida antes da RJ, os pagamentos agora estão sujeitos às regras do processo judicial e dependerão da aprovação do plano de recuperação pelos credores e posterior homologação da Justiça.
Ao mesmo tempo, a empresa tenta reorganizar sua estrutura interna após uma sequência de mudanças no alto escalão.
No início do ano, a Ambipar trocou novamente os executivos responsáveis pelas áreas financeira e de relações com investidores. Ricardo Rosanova Garcia deixou os cargos menos de quatro meses depois de assumir a posição de CFO.
Ele havia substituído João Arruda, ex-diretor financeiro apontado posteriormente pela própria empresa como peça central na deterioração financeira da companhia.
As mudanças vieram acompanhadas de uma ampla reformulação interna. Pouco mais de um mês antes, a Ambipar havia promovido uma demissão em massa envolvendo 35 diretores e gestores, citando “falhas graves na execução das melhores práticas de governança e gestão de riscos”.
Foram atingidas áreas estratégicas como jurídico, financeiro, tributário, relações com investidores, RH e controladoria corporativa.
Desde então, a empresa tenta reconstruir a credibilidade diante de investidores e credores — tarefa que, até aqui, continua longe de concluída.
E, enquanto os balanços seguem atrasados e parte das informações permanece sob sigilo judicial, a principal pergunta do mercado continua sem resposta: onde foi parar o caixa da Ambipar?
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