Muitas redes de academias entram no setor superendividadas, diz CEO da Smart Fit (SMFT3); veja qual é a oportunidade para a rede
Apesar do cenário mais competitivo no Brasil, Corona avalia que o impacto tende a ser neutro para a Smart Fit diante da diversificação geográfica da sua rede e do avanço da vertical de agregadores. Para ele, uma piora nas condições do mercado de academias pode acabar favorecendo o TotalPass

A concorrência no setor de academias está cada vez maior. Mesmo assim, a gigante Smart Fit (SMFT3) diz que não se preocupa com a expansão e que pode haver oportunidades.
O fundador da rede amarela de academias e presidente do conselho de administração da companhia, Edgard Gomes Corona, diz que o mercado brasileiro de academias atravessa atualmente um cenário de "superoferta", após um período de forte crescimento impulsionado pelo aumento do número de praticantes de atividades físicas, pela expansão dos agregadores e pela entrada de novos operadores.
Em sua avaliação, o avanço acelerado do setor nos últimos anos acabou estimulando a entrada de empresas excessivamente endividadas. "Tem muita gente que entrou no setor extremamente alavancada", diz. Para Corona, operadores com estruturas financeiras menos robustas podem sofrer em um ambiente mais competitivo.
Segundo o empresário, a expansão do mercado também foi favorecida pela abertura de academias em regiões antes pouco atendidas, além do maior acesso proporcionada pelos agregadores — plataformas que conectam usuários a diversas redes de estúdios e academias —, que ampliaram o alcance do público ao oferecer tíquetes mais baixos.
TotalPass é trunfo na manga da Smart Fit
Ao comentar o mercado de agregadores, Corona afirma que a entrada do TotalPass ajudou a evitar a deterioração do "tíquete de agregador". A seu ver, a concorrência entre plataformas fez com que as academias parceiras passassem a receber melhor.
O executivo diz que a Smart Fit continua pagando mais às academias parceiras do que os concorrentes, sustentada por uma estrutura operacional mais eficiente e com menor custo operacional.
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Apesar do cenário mais competitivo no Brasil, Corona avalia que o impacto tende a ser neutro para a Smart Fit diante da diversificação geográfica da sua rede e do avanço da vertical de agregadores. Para ele, uma piora nas condições do mercado de academias pode acabar favorecendo o TotalPass.
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Ritmo forte
O BTG Pactual avaliou o resultado da Smart Fit no primeiro trimestre como sólido, destacando o crescimento da receita, a expansão da rentabilidade e o avanço do TotalPass na operação da companhia.
Segundo o banco, os números operacionais vieram ligeiramente acima das estimativas, mesmo diante dos investimentos relacionados ao TotalPass e da abertura acelerada de novas academias.
A receita líquida da rede avançou 25% na comparação anual, para R$ 2,1 bilhões, impulsionada pelo crescimento da base de clientes, pela expansão da rede e pelo aumento do tíquete médio.
A Smart Fit encerrou o trimestre com 5,6 milhões de clientes nas academias próprias, excluindo o TotalPass, alta de 6% em um ano. O número de assinantes digitais cresceu 13%. Fora do Brasil e do México, o banco chamou atenção para o "momento robusto" das operações na América Latina.
Luiz Guanais, analista do BTG, também destaca a evolução do ecossistema do TotalPass. A plataforma terminou o trimestre com 2,1 milhões de clientes entre Brasil e México, enquanto a rede parceira ultrapassou de 34 mil academias no mercado brasileiro.
Em sua avaliação, o TotalPass vem se consolidando como uma "alavanca estratégica" para a companhia, mesmo que a maior penetração da plataforma continue gerando dúvidas no curto prazo sobre margens e tíquete médio.
O TotalPass já representa 15% do lucro bruto consolidado da Smart Fit e 9% da receita líquida da empresa, diz Corona. Segundo ele, a vertical de agregadores vem ganhando relevância e se consolidando como uma das principais avenidas de crescimento do grupo.
Ele conta que a plataforma ultrapassou a marca de 2,1 milhões de clientes B2B ao final do trimestre, com crescimento de 25% em relação ao quarto trimestre de 2025. "Seguimos investindo na construção de marca, avançando na expansão B2B, aumentando capilaridade e diversidade da rede, além de novos contratos corporativos", diz.
No Brasil, o aplicativo atingiu 34% de participação de mercado entre usuários ativos mensais, avanço de dez pontos porcentuais na comparação anual. Encerrou o trimestre com 56% de participação nos downloads do segmento e liderança pelo terceiro mês consecutivo.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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