Com veteranas no pódio, conheça as ações mais indicadas para agosto, segundo 14 corretoras
Neste mês, os ativos mais tradicionais mostram que ainda dão um caldo quando o a disputa é pela preferência dos investidores

Recordes de tempo e pontuação são clássicos de Olimpíadas, mas os jogos de Tóquio também estão ficando marcados por atletas de pouca idade ocupando os pódios. As skatistas Kokona Hiraki, de 12 anos, e Sky Brown, de 13 anos, já são as medalhistas mais jovens nos últimos 85 anos.
Também é impossível não lembrar de Rayssa Leal. Do alto de seus 13 anos e seis meses, nossa fadinha do skate é a mais jovem medalhista olímpica do Brasil.
Mas, se nas Olimpíadas as crianças e pré-adolescentes estão fazendo história, na B3 os atletas veteranos mostram que ainda dão um caldo e superam muitos ativos mais “modernos” quando a disputa é pela preferência dos investidores.
O Itaú Unibanco (ITUB4) é um deles. A empresa é constantemente ameaçada pelas fintechs e suas promessas de inovação bancária, mas segue mostrando que, no setor, a tradição ainda tem o seu valor contra os aplicativos modernos e cartões descolados.
As startups financeiras ainda precisam aprimorar muito suas habilidades para desbancar o maior banco do Brasil e, por isso, o Itaú é medalha de ouro com indicação de quatro corretoras nas ações para o mês de agosto.
Além do bancão, outra empresa já quase oitentona não dá sinais de que deixará de ser a queridinha dos analistas tão cedo. A mineradora Vale (VALE3) já está há 20 meses consecutivos em nosso pódio e, apesar de ter perdido o primeiro lugar, ainda levou a prata ao ser indicada por três corretoras.
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Vale destacar também um empate no bronze das companhias que tiveram duas menções — foram nada mais nada menos do que oito empresas citadas:
- B3 (B3SA3);
- JBS (JBSS3);
- Gerdau (GGBR4);
- BR Distribuidora (BRDT3);
- Lojas Renner (LREN3);
- Simpar (SIMH3);
- Vamos (VAMO3);
- Weg (WEGE3).
Confira aqui todos os papéis apontados pelas 14 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro:

Entendendo a Ação do Mês: todos os meses o Seu Dinheiro Premium consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são suas apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 ações, os analistas indicam as suas três prediletas. Com o ranking nas mãos, selecionamos as que contaram com pelo menos duas indicações.
Itaú Unibanco (ITUB4) — Superando projeções
Depois de ficar apenas nas menções honrosas na seleção do mês passado, o Itaú Unibanco aproveitou o impulso de seus últimos resultados positivos para desbancar a Vale e retornar ao primeiro lugar do pódio das ações mais recomendadas para agosto.
O banco — que seguiu entre os favoritos das corretoras Ativa, Nova Futura e Planner e passou também a integrar o top 3 da Terra nesse mês — arrebatou investidores e analistas com um lucro líquido contábil de R$ 7,5 bilhões no segundo trimestre de 2021.O número representa um salto de 55% em relação ao mesmo período do ano anterior e superou as projeções do mercado, que era de cerca de R$ 1 bilhão.
Além da conquista financeira, o segundo trimestre também trouxe avanços na digitalização, mostrando que o banco segue correndo atrás das fintechs: o Itaú adicionou 4,7 milhões de CPFs ao seu número de clientes por meio de canais online. O iti, que evoluiu de carteira digital para um banco 100% digital, também celebrou a marca de 7,8 milhões de usuários em junho.
Após esse balanço recheado de números positivos, a empresa também agradou os investidores ao anunciar R$ 2,159 bilhões em juros sobre capital próprio a serem distribuídos em agosto.
A conclusão do divórcio com a XP Investimentos é outro ponto que faz os olhos dos analistas brilharem. O Itaú recebeu o sinal verde para a reorganização societária com a corretora. O movimento é mais um passo rumo ao fim do casamento e, segundo a Ativa, “acabará com possíveis conflitos de interesse e ajudará a destravar valor para o Itaú”.
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Vale (VALE3) — O minério trupica, mas a Vale (quase) não cai
Apesar de ter ficado com a prata, as ações da Vale ainda conseguiram se manter entre as queridinhas para agosto. A mineradora seguiu nos tops 3 da Órama e da Necton e passou a fazer parte das indicações preferidas do Santander.
Um dos fatores que pode ter contribuído para seu afastamento da primeira posição foi a queda do minério de ferro em julho. Pressionado por notícias vindas da China — que adotou uma série de restrições a empresas de tecnologia e educação privada — a derrapada no preço da commodity derrubou as ações da Vale e outras mineradoras e foi responsável por boa parte do recuo de 3,94% do Ibovespa no mês.
O último balanço da empresa também gerou dúvidas. Apesar das cifras bilionárias — lucro líquido de US$ 7,6 bilhões no 2º trimestre e alta de 662% no ano — o resultado ainda esteve um pouco aquém das estimativas do mercado para um período no qual o preço do minério de ferro permaneceu em patamar recorde.
Essa não é a primeira vez que a preocupação com o fim do “superciclo de commodities” pesa sobre a empresa neste ano. Mas nem tudo está perdido. A Órama aposta que a retomada das economias globais resultará em um novo período de altas, especialmente para o minério de ferro. “A companhia possui algumas plantas que estão paradas e assim, mesmo que a demanda por minério aumente, será possível honrar os pedidos sem grandes problemas”.
Além disso, com ou sem superciclo, analistas apontam que parte da vantagem em ser uma das veteranas do setor é que a companhia, com a robustez dos negócios, pode superar as derrapadas no curto prazo e sustentar-se em patamares elevados.
A visão é endossada pelo presidente da empresa, Eduardo Bartolomeo. Em entrevista, o executivo garantiu que, mesmo quando os preços cederem, a Vale continuará bem posicionada.
Quem segue apostando na queridinha dos analistas, aguarda com atenção o resultado da batalha judicial com as vítimas da tragédia de Brumadinho. A Vale, que já havia sido condenada a pagar uma indenização de R$ 1 milhão para cada um dos 131 trabalhadores mortos, pode ver essa soma aumentar ainda mais.
O Sindicato Metabase Brumadinho pediu a elevação da quantia — destinada a espólios e herdeiros das vítimas — para R$ 3 milhões. Para eles, o valor é justificável diante do lucro líquido de R$ 26,7 bilhões apurado em 2020 pela mineradora, que, inclusive, voltou a distribuir dividendos para seus acionistas.
Retrospectiva
Julho não foi um mês fácil para os ativos da renda variável. A bolsa não teve o que comemorar: foi um dos piores investimentos do mês, com queda de -3,94% no Ibovespa. Mesmo com o recesso no Congresso, as tensões em Brasília e a queda no preço do minério de ferro pressionaram o principal índice acionário brasileiro.
Entre as integrantes do pódio anterior, Simpar (SIMH3) ignorou os ruídos e subiu 23,7%. Já Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) voltaram a compartilhar um fechamento vermelho, com recuos de 4,10% e 9,52%, respectivamente.

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