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Dani Alvarenga

Dani Alvarenga

Repórter do Seu Dinheiro, estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP) com certificação em curso de Mercado Financeiro pela Ibmec. Possui experiência na cobertura de economia, política e internacional. Atualmente, cobre o mercado imobiliário e de FIIs.

CICLOS POSITIVOS

Vacância em lajes corporativas volta ao nível pré-pandemia em São Paulo, diz BTG Pactual — mas outro setor bate recordes e rouba a cena

Apesar das projeções otimistas, o banco identifica que regiões como a Vila Olímpia devem ser impactadas pela devolução de imóveis em breve

Dani Alvarenga
Dani Alvarenga
24 de abril de 2026
12:01 - atualizado às 12:04
fii fundo imobiliario lajes corporativas escritorios
Imagem: Canva

Desde o fim da pandemia de covid-19, muita gente diz que perdeu a noção do tempo. Há inclusive os saudosistas, que querem voltar para o final de 2019. Embora a física impeça essa viagem ao passado, é exatamente isso que o setor de lajes corporativas de alto padrão vive hoje. 

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Segundo relatório do BTG Pactual, a taxa de vacância desses imóveis em São Paulo voltou aos 13% no primeiro trimestre de 2026, nível visto pela última vez no início da pandemia, no segundo trimestre de 2020 e nos últimos três meses de 2019. 

Apesar dos resultados positivos, o que surpreendeu mesmo o banco foi o resultado do segmento de galpões logísticos.

VEJA TAMBÉM: BTG Pactual revela os fundos imobiliários mais indicados para investir neste mês. Saiba mais em relatório gratuito (disponível aqui)

Galpões logísticos no 1T26 

Entre janeiro e março deste ano, o setor registrou absorção líquida de 473,9 mil metros quadrados, o maior patamar para um primeiro trimestre desde o início da série histórica em 2014. 

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Além disso, a vacância consolidada recuou para 6,7%, o que representa uma queda de 0,9% na comparação trimestral. O movimento ocorreu mesmo após a entrega de 351 mil metros quadrados de novo estoque. 

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O preço pedido pelos imóveis também manteve trajetória de crescimento, com elevação de 6%, encerrando o primeiro trimestre no patamar de R$ 33,8 por metro quadrado, valor recorde desde o início da série histórica.   

“A dinâmica observada no período surpreendeu positivamente nossas estimativas, corroborando o bom momento do mercado”, dizem os analistas em relatório. 

Para os próximos trimestres, o banco segue com uma visão construtiva em relação ao segmento de galpões logísticos, com a expectativa de que a forte demanda continue sendo o principal vetor de crescimento. 

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Segundo o banco, a capacidade de pré-locação, especialmente nos raios de 30 km e 60 km, deve seguir mitigando pressões de vacância, mesmo diante de um volume relevante de entregas. 

“Essas regiões continuam sendo o principal vetor de crescimento, com demanda consistente por operadores logísticos e varejistas”, afirma o BTG Pactual. 

Já no raio de até 15 km, a vacância apresentou leve aumento, de 0,4% na comparação trimestral. O resultado veio em linha com movimentações pontuais, enquanto o preço pedido seguiu relativamente estável.  

Enquanto isso, no raio de 90 km, a dinâmica comercial foi moderada, com menor absorção líquida no período, de 4,5 mil metros quadrados, mantendo os níveis de vacância controlados. 

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Ainda assim, o BTG Pactual avalia que a estratégia de desenvolvimento condicionada a pré-locações, especialmente nos raios mais próximos da capital paulistana, reduz o risco de sobreoferta e reforça a capacidade do mercado de acomodar a entrega de novos projetos. 

Além disso, o banco enxerga que a manutenção de preços em trajetória de alta reforça o ambiente favorável para proprietários.

VEJA MAIS: Empiricus Research indica os FIIs mais promissores para investir neste mês. O relatório está disponível na nossa área logada gratuita; acesse aqui 

O setor de lajes corporativas no 1T26

Os galpões logísticos podem até ter roubado os holofotes, mas as lajes corporativas também não ficaram para trás.  

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Mesmo com a entrada de aproximadamente 26 mil metros quadrados de novos escritórios, a vacância nos ativos recuou 1,1% em relação ao trimestre anterior. Na visão dos analistas do banco, esse movimento evidencia “a continuidade de um ambiente de demanda consistente”, afirmaram em documento. 

Além disso, a absorção líquida atingiu 79,5 mil metros quadrados no primeiro trimestre deste ano. Os preços pedidos também avançaram, e a expectativa do BTG Pactual é de que o setor siga nessa tendência de valorização ao longo de 2026. 

“Para os próximos trimestres a combinação entre absorção consistente e novas entregas, com negociações relevantes para pré-locações, sustenta a visão de continuidade do ciclo positivo”, dizem os analistas. 

Em relatório, eles também destacam que os proprietários seguem adotando postura firme nas negociações, em um contexto em que a oferta de grandes lajes está limitada, enquanto a demanda segue resiliente. 

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Pontos de pressão no setor de lajes corporativas

Apesar do ciclo positivo, o BTG Pactual já vê alguns pontos de pressão, com entregas pontuais em algumas partes da capital paulistana.  

É o caso da Vila Olímpia, que, segundo o banco, deve apresentar aumento de vacância nos próximos trimestres, por conta de devoluções relevantes já mapeadas e baixa expectativa de absorção no curto prazo. 

“O movimento contrasta com outras regiões, onde a disponibilidade de grandes áreas segue mais restrita. Ainda assim, o impacto tende a ser localizado, sem alterar de forma relevante o equilíbrio geral do mercado”, afirmam os analistas. 

O banco também enxerga a continuidade do movimento de flight-to-price, que é caracterizado pela busca de regiões alternativas e adjacentes pelas empresas. Essa estratégia vem sustentando as ocupações fora dos eixos mais tradicionais. 

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Assim, enquanto os preços pedidos na Faria Lima superaram o patamar de R$ 300 por metro quadrado, as lajes corporativas nas regiões de Pinheiros e do eixo Rebouças registram níveis de absorção relevantes. Já a Chucri Zaidan continua concentrando negociações de maior porte. 

Para os analistas, a alta de preços no coração financeiro do país reflete “a combinação entre oferta restrita e demanda aquecida por ativos de maior qualidade”. 

Com isso, apesar de o BTG Pactual projetar a continuidade do ciclo positivo, o banco também vê uma tendência de maior seletividade em determinadas regiões e ativos. 

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