Fleury (FLRY3): os dois motivos que fizeram o BTG desistir da recomendação de compra — e quem é a queridinha do setor
Embora o banco veja bons resultados para a companhia, há outras duas ações do setor de saúde que são as preferidas para investir

As ações do Fleury (FLRY3) parecem ter perdido o brilho aos olhos do BTG Pactual. Após alta acumulada de 11% em 2026, o banco rebaixou a recomendação do papel de “compra” para “neutro”. A vilã da mudança não é a performance operacional da companhia — pelo contrário: os resultados foram classificados como ótimos pelos os analistas.
Há outros dois motivos que se tornaram pedras no sapato do Fleury, na visão do BTG:
- A perda de atratividade do preço da ação em relação a outros players do setor; e
- O esfriamento das discussões de uma eventual fusão com a Rede D’Or (RDOR3), que entrou no radar do mercado em 2025, mas, ao que tudo indica, não deve sair do papel.
Ação perdeu o apelo
O banco espera resultados promissores para o Fleury no 1º trimestre de 2026 — os números estão previstos para sair no dia 9 de maio. A expectativa é de que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) aumente 11% em relação ao mesmo período de 2025.
Ao longo do ano, as estimativas financeiras para empresa continuam praticamente inalteradas, apenas com uma redução de 4% no lucro líquido ajustado de 2026, como reflexo de um ritmo mais lento de cortes nas taxas de juros.
Mesmo com números consistentes, o banco enxerga FLRY3 “menos atraente”.
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Com a valorização acumulada do papel, a ação agora é negociada a um múltiplo preço sobre lucro (P/L) de 13 vezes, acima da média histórica de 9 vezes. Ou seja, o ativo ficou mais caro que no passado.
Além disso, quando comparada a outros nomes do setor, a ação não parece chamar a atenção dos analistas.
Os cálculos mostram que o desconto da ação em relação à Rede D’Or está em um dos menores níveis históricos.
Já em comparação à Bradsaúde (SAUD3) — antiga OdontoPrev (ODPV3), resultado da fusão entre a empresa e o braço de saúde do Bradesco (BBDC4) —, há um prêmio de 18%, o que, na visão do banco, não se justifica: “tem uma perspectiva de crescimento mais limitada”.
O banco também cortou o preço-alvo da ação de R$ 19 para R$ 18 até o fim de 2026. Com base no fechamento desta sexta-feira (17), o espaço para valorização é de até 8%.
“Agora estimamos um dividend yield de 6,5% para 2026, o que consideramos menos atrativo nos níveis atuais”, explicam os analistas.
Mas enquanto Fleury perde a graça na visão do BTG, a equipe de análise destaca outros dois papéis como favoritos: Rede D’Or e Bradsaúde.
Um dos gatilhos da ação esfriou
Outro fator que levou o banco a rebaixar a recomendação para o Fleury foi a menor probabilidade de um processo de M&A (fusões e aquisições).
Os analistas explicam que um dos gatilhos que impulsionaram a ação nos últimos meses foi a especulação de uma possível fusão com a Rede D’Or. Em julho de 2025, começou a rondar no mercado que as duas companhias estavam em negociação para criar uma gigante do setor de saúde.
Em outubro, as empresas confirmaram estar em conversas, mas não havia até então nenhuma decisão.
Cabe ressaltar que o Bradesco é um dos principais acionistas do Fleury. Portanto, com a Bradsaúde saindo do papel, o BTG acredita que uma operação com a Rede D’Or esfria pelo menos no curto prazo.
“A possível fusão sustentou uma forte reavaliação. Atualmente, as ações estão sendo negociadas perto das máximas atingidas nesse período, mas acreditamos que essas discussões perderam força”, dizem.
Além disso, o Fleury aprovou uma cláusula de poison pill em seu estatuto, que estabelece um gatilho de 20% para participação acionária e obriga o investidor que ultrapassar esse limite, a lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) com prêmio mínimo de 50% sobre o maior valor entre o preço médio das ações nos últimos 12 meses ou o preço pago para ultrapassar os 20%.
Na visão do banco, “isso eleva significativamente as barreiras para aquisições hostis e torna qualquer M&A dependente de alinhamento entre o bloco de controle (Bradsaúde e médicos fundadores), além dos ex-acionistas da Hermes Pardini”.
Uma quase operação com a Oncoclínicas (ONCO3)
No fim de março, o Fleury passou a ser cotada em uma operação com outra empresa de saúde: a Oncoclínicas (ONCO3). Havia uma negociação entre as duas companhias, além da Porto Seguro (PSSA3), para a criação de uma “NewCo”, na qual seriam concentradas as operações de clínicas oncológicas.
O modelo em discussão citava um investimento conjunto de R$ 500 milhões por parte do Fleury e da Porto. Porém, o negócio caiu por terra nesta semana.
Na terça-feira (14), o grupo de medicina diagnóstica e a seguradora anunciaram o fim das negociações para a criação da nova companhia.
Nas análises de bancos que avaliaram as tratativas, o Fleury avançava em um segmento mais complexo, de crescimento estrutural e com potencial de melhorar sua posição dentro da cadeia de saúde, fortalecendo sua posição em um segmento atrativo.
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